Frans Krajcberg, expoente e pioneiro da chamada arte ecológica que funde arte e militância

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Expoente da arte ecológica

Frans Krajcberg: importante obra que funde arte e militância

 

Frans Krajcberg no Jardim Botânico do Rio: discurso contundente em defesa da floresta – (Foto: Leo Martins / Agência O Globo)

 

Artista usou sua obra para mostrar as interferências humanas na natureza, suas destruições e consequências

Militante ecológico, ele usava troncos e raízes calcinadas para realizar sua obra, em protesto, para marcar seu trabalho internacionalmente reconhecido

 

 

ARTISTA PLÁSTICO FRANS KRAJCBERG (Foto: Jornal O Globo / Divulgação)

 

 

Frans Krajcberg (Kozienice, Polônia, 11 de abril de 1921 – Rio de Janeiro, 15 de novembro de 2017), pintor, escultor, gravurista e fotógrafo, foi pioneiro da chamada arte ecológica.

O ativista Frans Krajcberg, cuja obra, associada à preservação ambiental, usa troncos e raízes de árvores calcinadas lutou até o fim da vida contra a destruição de florestas desde que chegou sozinho ao Brasil, em 1948. Toda a sua família, de origem judia, foi morta em campos de extermínio nazistas.

O ativista de origem polonesa ficou conhecido internacionalmente por sua obra que usa troncos e raízes de árvores calcinadas. Sobrevivente da segunda guerra, se defrontou com a face  mais obscura do ser humano: a violência. Sua família, de origem judia, foi morta em campos de extermínio nazistas. Desde que chegou ao Brasil, lutava contra a destruição de florestas.

O artista plástico ficou conhecido principalmente por suas esculturas feitas a partir de troncos e raízes de árvores calcinadas pelos incêndios que derrubam densas áreas verdes para transformá-las em pastos, Krajcberg sempre foi um artista engajado. Sua obra transitou pela pintura, escultura, gravura e fotografia.

— É preciso falar sobre a destruição do planeta. E é preciso falar sobre cultura — disse ele em entrevista em 2015. — Estamos passando por momentos difíceis, tem um vazio de arte, não se pronuncia mais a palavra cultura. É uma crise mundial, mas no Brasil parece estar mais profunda. Porque aqui, também se trata de uma crise moral.

 

 

Krajcberg, aos 91 anos, em sua casa e ateliê em Nova Viçosa, sul da Bahia Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Krajcberg, aos 91 anos, em sua casa e ateliê em Nova Viçosa, sul da Bahia (Foto: Tiago Queiroz/Estadão)

 

 

Brasileiro desde 1957 (“A imprensa insiste em dizer que sou polonês naturalizado brasileiro; não sou. Sou brasileiro”, observa), ele nasceu em Kozienice, Polônia, em 11 de abril de 1921. Antes da guerra, estudou engenharia e artes na Universidade de Leningrado. Chegou aqui em 1948, depois de lutar na Segunda Guerra, onde toda a sua família, de origem judia, foi dizimada no Holocausto.

— Perdi toda a minha família de modo bárbaro. Sabe o que é isso? Fazer um buraco enorme, jogar eles vivos, jogar terra em cima? Não suportava mais viver. Fiquei sozinho, quis fugir de tudo, principalmente do homem.

A exuberante natureza do novo país lhe deu o refúgio que buscava. Em 1951, participou da 1ª Bienal Internacional de São Paulo com duas pinturas. Residiu por um breve período no Paraná, isolando-se na floresta para pintar. Em 1956, mudou-se para o Rio de Janeiro, dividindo o ateliê com o escultor Franz Weissmann (1911-2005). Dois anos depois, revezava-se entre o Rio de Janeiro, Paris e Ibiza.

Em 1972, fixou residência em Nova Viçosa, no Sul da Bahia, onde viveu até o fim da vida, no Sítio Natura, cercado pela única porção de Mata Atlântica remanescente na região, e que tomou para si a tarefa de manter intacta. Krajcberg estava construindo um museu para abrigar suas obras, que calculava serem em torno de 300.

 

 

Obra de Frans Krajcberg no Jardim Botânico de Curitiba (2003) – (Foto: MuBE Virtual / Divulgação)

 

 

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Seu trabalho com escultura, iniciado em Minas Gerais, intensificou-se na Bahia. Viajava constantemente para a Amazônia e Mato Grosso e fotografava os desmatamentos e queimadas, revelando imagens dramáticas. Dessas viagens, retornava com matéria-prima natural para suas obras.

 

As primeiras esculturas em madeira de Krajcberg foram feitas em 1964. Já nessa época ele visitava com frequência o Pantanal matogrossense e a Amazônia para registrar o desmatamento e recolher troncos e raízes para suas esculturas. Em Nova Viçosa ele chegou a plantar mais de 10 mil mudas de espécies nativas. Em 2003, ele inaugurou o Espaço Krajcberg no Jardim Botânico de Curitiba, que reuniu 114 obras do escultor, entre esculturas e fotografias.

 

Sala de Krajcberg na 32.ª Bienal de São Paulo, em 2016 (Foto: Gabriela Biió/Estadão)

Sala de Krajcberg na 32.ª Bienal de São Paulo, em 2016 (Foto: Gabriela Biió/Estadão)

 

Nascido na Polônia, Krajcberg veio ao Brasil em 1946 em busca de nova vida, após perder a família em um campo de concentração na Segunda Guerra Mundial.

Em terras brasileiras, o artista passou por Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais até 1972, quando encontrou refúgio em Nova Viçosa. Lá, instalou-se e viveu até os últimos meses.

O artista participou da primeira Bienal Internacional de São Paulo, em 1951.

Como em um ciclo, obras de Krajcberg foram expostas na Bienal de 2016, sob curadoria de Jochen Volz. ‘GRITO POR SOCORRO’ O fascínio pela ecologia e por materiais providos da natureza fez da preservação ambiental a marca registrada na obra de Krajcberg. No Brasil, ele denunciou em seus trabalhos queimadas no Paraná, a exploração de minérios em Minas Gerais e o desmatamento da Amazônia. Também defendeu as tartarugas marinhas que buscam o litoral baiano para desovar.

Em entrevista em 2011, o artista afirmou que nem se importava com definições: “Quero só mostrar os pedaços, mostrar que as árvores foram queimadas”. Em seu sítio, o artista tinha iniciado um projeto para construir um museu. “Não me fala em artista, super-homem. A única coisa que quero defender até o fim da minha vida é a vida.”

 

 

Obra de Frans Krajcberg em João Pessoa na Estação Cabo Branco (Foto: Felipe Gesteira)

 

 

Frans Krajcberg morreu em 15 de novembro de 2017, aos 96 anos, no Hospital Samaritano do Rio de Janeiro. Krajcberg foi hospitalizado em Teixeira de Freitas (BA), cidade próxima a Nova Viçosa (BA), onde vivia. Com a saúde frágil, foi transferido para o Rio de Janeiro.

Marcia Barrozo, galerista do escultor no Rio de Janeiro, conta que ele costumava dizer que renasceu no Brasil.

Krajcberg gostava de comemorar aniversários e tinha a convicção de que completaria cem anos. “Toda vez que eu ia a Nova Viçosa, ele perguntava se eu já estava organizando a festa”, diz Marcia.

“Ele falava de ecologia quando ninguém sabia o que era isso”, lembra o curador Acacio Lisboa, que organizou a mostra “Frans Krajcberg – Uma Homenagem” na Galeria Frente, em São Paulo, em maio de 2017.

Dono de personalidade forte e apegado às ideologias, segundo os amigos, Krajcberg não chamava o que fazia de arte. “Ele dizia que era um grito da natureza por socorro”, afirma Acacio.

Segundo Abraham Palatinik, que também participou da Bienal Internacional de São Paulo e depois se tornaria referência na arte cinética, restou uma dívida entre os amigos. “Quando eu tinha 23 anos, foi o Krajcberg, que eu acabara de conhecer, quem me ajudou a montar a minha obra [da Bienal].” À Folha de S.Paulo, ele lamentou a perda: “Solidariedade à primeira vista que eu nunca vou esquecer”.

(Fonte: Zero Hora – Ano 54 – N° 18.936 – 16 NOVEMBRO 2017 – TRIBUTO / MEMÓRIA – Pág: 27)

(Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/artes-visuais – CULTURA – ARTES VISUAIS / POR O GLOBO – 15/11/2017)

(Fonte: http://cultura.estadao.com.br/noticias/artes – CULTURA – ARTES / Por Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo – 15 Novembro 2017)

(Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/11 – ILUSTRADA – ARTES PLÁSTICAS / Por ISABELLA MENON de SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – 15/11/17)

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