Domingos da Guia, o maior e mais reverenciado zagueiro do futebol brasileiro de todos os tempos

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O DIVINO MESTRE

Domingos e a “domingada”

Domingos da Guia (Rio de Janeiro, 19 de novembro de 1912 – Rio de Janeiro, 18 de maio de 2000), jogador de futebol, o maior e mais reverenciado zagueiro do futebol brasileiro de todos os tempos
Craque da década de 30, Domingos recebeu o apelido de “O Divino Mestre”. Uma de suas marcas registradas era roubar a bola dos adversários com dribles ousados e elegantes.

Ele começou a carreira no Bangu, do Rio de Janeiro, nos anos 20. Defendeu o Vasco da Gama e o Flamengo. Passou ainda pelo Nacional, do Uruguai, e pelo Boca Juniors, da Argentina. Em 1938, na França, participou da Copa.

Na disputa da semifinal, contra a Itália, num lance sem bola, deu um pontapé no atacante adversário Piola, para revidar uma agressão. O juiz marcou pênalti contra o escrete canarinho, que perdeu o jogo por 2 a 1. Depois disso, a crônica esportiva começou a chamar de “domingada” todas as bobagens cometidas pelos jogadores em campo. O lance infeliz, porém, não manchou a reputação de Domingos. Foi um dos raros craques a ter um filho com talento à altura do pai. Seu herdeiro, o meio-campista Ademir da Guia, brilhou na Academia do Palmeiras na década de 70. Domingos da Guia morreu no dia 18 de maio de 2000, aos 87 anos, de um derrame cerebral, Rio de Janeiro.
(Fonte: Veja, 24 de maio, 2000 – ANO 33 – N° 21 – Edição n° 1650 – LUPA – Pág; 127)

Grandes ídolos – Domingos da Guia
SÃO PAULO – A imagem de Domingos da Guia está associada ao Rio. Carioca de nascimento, ele começou no Bangu e passou por Vasco e Flamengo. Mas aquele que é considerado em todas as listas como um dos maiores se não o maior zagueiro brasileiro de todos os tempos, atuou pelo Corinthians na década de 1940, quando já era um senhor trintão.

Foi o suficiente para entrar no Hall dos grandes defensores do Parque São Jorge. Coisa de gênio. Aclamado como o mais clássico dos beques, Domingos era chamado de Divino Mestre. Ou como uma edição do Jornal da Tarde de 1979 sentenciou: “Domingos, o rei dos zagueiros, um homem que representou para os defensores o que Pelé representou para os atacantes.”

E o próprio Domingos, então com 67 anos, revelou ao jornal que não deveria ter sido zagueiro na carreira, mas um “center-half” (um médio-volante). “Eu era um estilista, um jogador como Fausto, um center-half. Fui colocado na posição errada. Eu era um center-half no terceiro time do Bangu, aí o Conceição se machucou, me lançaram como zagueiro e nunca mais saí.”

Isso aconteceu na virada da década de 1920 para os anos 30, quando ele estreou no Bangu, então um time da zona rural no Rio de Janeiro. E foi jogando pelo Bangu, aos 18 anos, que Domingos da Guia chegou à seleção brasileira, em 1931.

Depois do Bangu, transferiu-se para o Vasco, foi negociado para o Nacional, de Montevidéu, do Uruguai, voltou para o Vasco, jogou no Boca Juniors e no Flamengo. Só chegou ao Corinthians em 1944, quando tinha 32 anos. Ná época, a transferência do Flamengo para o Corinthians foi considerada milionária: 735 mil contos de réis.

Muitos anos depois, ele revelou que, além da grana, tinha um motivo “especial” para trocar a Gávea pelo Parque São Jorge. “O Flamengo era a minha casa. Mas tinha um problema para os meus 1,95 m. A maior cama na concentração tinha 1,80 m. Não dava para dormir confortavelmente. Exigi uma cama maior, e veja só, fui acusado de ser vaidoso. Querer dormir bem era encarado como sinal de vaidade”, contou Domingos ao jornal O Globo, numa reportagem de 1995.

Nos quase quatro anos de Corinthians, entre 1944 e 1948, com 116 jogos, o Divino Mestre, pai do ídolo palmeirense Ademir da Guia, não marcou um único gol com a camisa do Alvinegro nem conquistou título algum. Mas nem por isso deixou de jogar o fino da bola na Fazendinha.

Ironicamente, a técnica de Domingos da Guia deu origem à expressão “domingada”. Isso porque ele é considerado o primeiro beque brasileiro a sair driblando atacantes adversários dentro de sua área. Driblava e saía jogando, com a bola no chão. Quando outros zagueiros tentavam imitá-lo, sem sucesso, criou-se a expressão “domingada”, ou seja, uma falha grotesca do becão.

Se na carreira Domingos da Guia se vangloriava de ter sido campeão por clubes de três países (Nacional, Boca Juniors e Vasco), o maior zagueiro de todos os tempos nunca esqueceu do pênalti que ele cometeu na Copa do Mundo de 1938, diante da Itália. “Não tive paciência, levei um pontapé do italiano e revidei”, dizia sobre a derrota de 2 a 1 para Itália. “Perdemos o Mundial ali.”

Domingos morreu aos 87 anos, vítima de acidente vascular cerebral, no Rio de Janeiro, em 2000. Se não ficou rico com o futebol, teve uma vida bem melhor do que muitos outros jogadores de sua época. Dizia torcer para o Bangu, onde encerrou a carreira, mas também para o Flamengo.

Domingos da Guia analisou sua carreira de zagueiro da seguinte forma: “Meu orgulho é que em 20 anos de carreira marquei jogadores como Leônidas, Heleno, Friedenreich, e, em todo esse tempo, só perdi uma bola para o Tim, num Fla-Flu. Ele me roubou a bola, o Flu fez o gol e nos ganhou por 1 a 0.” Isso é que era zagueiro!

Texto publicado no “Jornal da Tarde” de 12/2/2010, em caderno especial
(Fonte: www.blogs.estadao.com.br/centenario-do-corinthians/grandes-idolos-domingos-da-guia – Por Milton Pazzi Jr. – 5/3/10)

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