Orlando Senna, referência do Cinema Novo, diretor de ‘Iracema – Uma transa amazônica’ e ex-secretário do Audiovisual
Baiano diretor de “Iracema – Uma Transa Amazônica”, teve trajetória marcante no cinema brasileiro e ocupou cargos importantes na política cultural do país.
Cineasta baiano atuou como subsecretário de Audiovisual da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, no governo Benedita da Silva
Orlando Senna (nasceu em 1940, em Afrânio Peixoto, distrito de Lençóis, na Chapada Diamantina — faleceu em 9 de junho de 2026), cineasta, escritor, roteirista e gestor cultural baiano e um dos mais importantes pensadores do audiovisual no país.
Sua trajetória foi marcada pelo compromisso com a democratização da cultura, pela defesa do cinema nacional e pela valorização das identidades e narrativas brasileiras, sendo um dos nomes fundamentais do Cinema Novo.
O cineasta, gestor cultural e realizador baiano Orlando Senna dedicou sua vida à arte, à cultura, à liberdade e à construção de um mundo mais humano e sensível.
Ao longo de décadas, Orlando Senna participou de mais de 30 produções e contribuiu de forma decisiva para o fortalecimento das políticas públicas do setor e para a formação de novas gerações de cineastas.
Nome de destaque do cinema brasileiro, Orlando Senna ganhou reconhecimento nacional e internacional ao codirigir, ao lado de Jorge Bodanzky, o filme “Iracema – Uma Transa Amazônica” (1975), considerado um clássico e uma das obras mais importantes do audiovisual no país. O longa, que mistura ficção e documentário, retrata a realidade da região amazônica durante a construção da Transamazônica e chegou a sofrer censura durante o regime militar.
Baiano de Afrânio Peixoto, Orlando Senna dirigiu ao lado de Jorge Bodansky o clássico do cinema nacional “Iracema – Uma transa amazônica” (1975). O longa acompanha um caminhoneiro (Paulo César Peréio) que trafega pela Transamazônica, a grande rodovia do Brasil que atravessa a floresta amazônica, conhece uma prostituta (Edna de Cássia) e aos poucos percebe os problemas daquela região.
Senna estreou no cinema como assistente de Roberto Pires em “Tocaia no asfalto” (1962). Ainda na Bahia, dirigiu seus primeiros curtas e peças de teatro. Ele atuou na Escola de Teatro de Salvador e no Centro Popular de Cultura até se mudar para o Rio de Janeiro no final dos anos 1960.
A estreia em longas metragens acontece com “A construção da morte” (1969), mas seria com “Iracema”, misto de ficção e documentário que foi perseguido pelo governo militar, que o cineasta escreveu seu nome no audiovisual nacional. Nos anos seguintes, dirigiu “Gitirana” (1976) e “Diamante bruto” (1977), além de escrever roteiros para renomados cineastas, como Hector Babenco (“O rei da noite”, de 1975), Geraldo Sarno (“Coronel Delmiro Gouveia”, de 1977) e Ruy Guerra (“Ópera do malandro”, de 1985).
Nascido em 1940, em Afrânio Peixoto, distrito de Lençóis, na Chapada Diamantina, Senna construiu uma trajetória marcante no cinema e na cultura brasileira. Ele foi um dos nomes ligados ao movimento do Cinema Novo e conviveu com importantes figuras da cultura, como Jorge Amado, Gabriel García Márquez, Glauber Rocha, Chico Buarque, Hector Babenco, Geraldo Sarno e Ruy Guerra.
Carreira
Orlando Senna iniciou a carreira no audiovisual como assistente de direção de Roberto Pires no filme “Tocaia no Asfalto” (1962). Ainda na Bahia, dirigiu curtas-metragens e peças de teatro, com atuação na Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia e no Centro Popular de Cultura.
No fim dos anos 1960, se mudou para o Rio de Janeiro, onde dirigiu seu primeiro longa-metragem, “A Construção da Morte” (1969). Além da produção cinematográfica, também teve atuação internacional, passando uma temporada em Cuba nos anos 1990, onde foi professor e diretor da Escola Internacional de Cinema e TV de San Antonio de los Baños.
Em 1987, Senna codirigiu com o cubano Santiago Alvarez o documentário “BrasCuba”. Ele intensificaria sua relação com o país nos anos seguintes ao trabalhar como professor e diretor da Escola Internacional de Cinema e TV de San Antonio de Los Baños.
Ao longo da carreira, também ocupou cargos públicos importantes. Foi subsecretário do Audiovisual da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro durante o governo de Benedita da Silva, além de ter atuado como consultor de roteiro em diferentes projetos, como o documentário “Glauber, o filme – Labirinto do Brasil” (2004), de Silvio Tendler.
Em 2003, assumiu a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e, em 2007, passou a dirigir a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), onde participou da criação da TV Brasil. Ele deixou o cargo em 2008.
Além dos trabalhos como diretor, Senna foi importante nome nas políticas públicas para o audiovisual no Brasil. Em 2002, foi subsecretário de Audiovisual da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, no governo Benedita da Silva.
No ano seguinte, assumiu a função de secretário do Audiovisual no Ministério da Cultura comandando por Gilberto Gil no primeiro mandato do presidente Lula. Entre 2007 e 2008, foi diretor geral da Empresa Brasil de Comunicação, coordenando o desenvolvimento da TV Brasil.
Com uma trajetória marcada pela produção artística e pela atuação na gestão pública, Orlando Senna deixa uma contribuição importante para o desenvolvimento do cinema e da cultura no Brasil.
Orlando Senna foi casado com a atriz e documentarista Conceição Senna, falecida em 2020.
No último domingo (7), Senna acompanhou sessão de cinema no CCBB/RJ, onde tirou uma foto ao lado do amigo Antônio Pitanga.
Orlando Senna morreu na tarde da terça-feira (9), aos 86 anos. A informação foi confirmada por uma sobrinha do diretor, Indra Rocha, por meio das redes sociais.
“É com imensa tristeza que comunico o falecimento do meu querido tio, Orlando Senna. Um homem que dedicou sua vida à arte, à cultura, à liberdade e à construção de um mundo mais humano e sensível. Um homem que com sua imensa generosidade, abriu portas para mim e para tantas outras pessoas, sempre incentivando, acolhendo e criando conexões com nossos sonhos. Quem teve a oportunidade de conhecê-lo sabe da sua doçura, do seu humor, da sua inventividade e da forma positiva com que enxergava a vida e as pessoas”, destacou post de Rocha.
Em nota, a Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) lamentou a morte do cineasta e destacou que sua atuação foi marcada pelo compromisso com a democratização da cultura, pela defesa do cinema nacional e pela valorização das narrativas brasileiras.
Leia nota da Nota da Funceb:
“Hoje nos despedimos de Orlando Senna, cineasta, escritor, gestor cultural baiano e um dos mais importantes pensadores do audiovisual no país. Seu legado permanece vivo em suas obras, em seu pensamento e na inspiração que deixa para a cultura do Brasil. Por meio da Diretoria do Audiovisual, a Fundação Cultural do Estado da Bahia manifesta profundo pesar por sua partida e solidariza-se com familiares, amigos, colegas e admiradores neste momento de despedida.”
(Direitos autorais reservados: https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2026/06/09 – O Globo/ CULTURA/ NOTÍCIA/ Por O GLOBO — Rio de Janeiro — 09/06/2026)
(Direitos autorais reservados: https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2026/06/09 — Globo Notícias/ BAHIA/ NOTÍCIA/ Por g1 BA —

