Jovem que cresceu em comunidades do Rio de Janeiro se torna o primeiro bailarino do Australian Ballet
Davi Ramos chegou ao posto máximo no balé australiano aos 25 anos. ‘Tenho muito orgulho de ser brasileiro, da minha história e de onde venho’, disse ele.
Davi Ramos se torna o primeiro bailarino brasileiro do Australian Ballet — (Crédito da Fotografia: cortesia Reprodução/TV Globo)
O carioca Davi Ramos, de 25 anos, conquistou o posto de primeiro bailarino do Australian Ballet. Cria das comunidades do Vidigal e do Santa Marta, na Zona Sul do Rio de Janeiro, ele faz história como o primeiro brasileiro e o primeiro homem negro a ocupar essa posição.
“Tenho muito orgulho de ser brasileiro, da minha história e de onde venho — do Santa Marta, do Vidigal. Isso é algo que não acontece todos os dias. Muitas pessoas não entendiam muito bem. Sofri bastante preconceito no Brasil; na escola, eu era o único negro. Mas isso nunca me afetou. Meu maior sonho era me tornar primeiro bailarino”, disse Davi.
A trajetória no balé começou, curiosamente, nas aulas de capoeira que frequentava com a mãe.
“Eu fazia capoeira. Minha mãe era muito boa, e eu apenas a acompanhava. Um dia, minha professora — que era amiga da minha mãe — me viu fazendo uma posição de balé e perguntou: ‘Davi, você gostaria de fazer balé?’”, contou.
Naquela época, o jovem gostava de futebol e vôlei. Mesmo assim, por curiosidade, aceitou experimentar uma semana de aulas de balé — o suficiente para se encontrar na arte.
“Virei para minha mãe e disse: ‘Me encontrei, quero ser um bailarino de verdade’”, relembrou.
Início
Um dos lugares onde desenvolveu seu talento foi o liceu de dança da professora Lorena Boaventura.
“O Davi estava todos os dias na porta da minha sala. Ele tinha 12 anos. Todo dia me perguntava: ‘Posso fazer sua aula?’ Eu dizia que ele era muito jovem e não sabia quase nada. Até que um dia deixei. Ele é muito inteligente e dedicado”, contou a bailarina.
Lorena destacou que a evolução de Davi foi extremamente rápida. Ele chegou à final do Youth America Grand Prix (YAGP), em Nova York, venceu uma competição do IBStage, escola de formação em dança clássica em Barcelona, e, com apenas dois anos de balé, participou do Prix de Lausanne, na Suíça.
“Foi um pouco assustador contar à família dele que, aos 15 anos, ele iria embora. Nossa relação, um pouco de professora e um pouco de mãe, começou ali, porque eu precisava ajudar a dar conta dessas decisões”, disse Lorena.
Sucesso
Davi entrou para o Australian Ballet em 2024 como solista. No mesmo ano, foi promovido a artista sênior e, em maio deste ano, alcançou o cargo de artista principal.
A promoção foi anunciada ao final de um espetáculo pelo diretor artístico da companhia, David Hallberg.
“Eu não estava preparado. Foi no palco. É uma tradição da companhia, e o David, meu diretor, não contou a ninguém — só ele sabia. Foi totalmente inesperado. Dá para ver minha reação naquele momento. Às vezes ele sobe ao palco para dizer algumas palavras, mas minha partner estava ao meu lado e segurou minha mão bem forte”, contou Davi.
Ainda jovem, o bailarino afirma que tem muitas experiências profissionais pela frente. Seu objetivo é abrir caminhos para outros jovens brasileiros no balé.
“Sonho em dançar em outras grandes companhias do mundo e inspirar outros bailarinos, uma nova geração de brasileiros”, finalizou.
(Direitos autorais reservados: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/05/16 – Globo Notícias/ RIODE JANEIRO/ NOTÍCIA/ Por Fernanda Rouvenat, GloboNews – 16/05/2026)

