DOUGLAS COOPER; HISTORIADOR DE ARTE E COLECIONADOR
Douglas Cooper (nasceu em Londres em 20 de fevereiro de 1911 — faleceu em 1º de abril de 1984 em Londres), foi internacionalmente conhecido como colecionador, crítico e historiador de arte moderna, e como organizador de importantes exposições na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos.
Ao receber sua primeira fortuna aos 21 anos, em 1932, o Sr. Cooper começou imediatamente a reunir uma coleção exemplar de pintura cubista. Ele se concentrou no período entre 1907 e 1914, tal como representado na obra de quatro figuras importantes do movimento: Pablo Picasso, Georges Braque, Juan Gris e Fernand Léger.
Numa época em que os preços se mantinham mais ou menos estáveis desde o fim da Primeira Guerra Mundial, ele dedicou-se à sua ambição de forma sistemática e conseguiu adquirir obras excepcionais dos quatro artistas. Também iniciou um estudo aprofundado do tema.
Após a Segunda Guerra Mundial, ele não só começou a publicar suas descobertas, como também a utilizá-las como base para grandes exposições retrospectivas, nas quais atuou como curador convidado. Em 1954, seu catálogo da Coleção Samuel Courtauld de pinturas modernas em Londres estabeleceu um alto padrão de rigor e exatidão no estudo de grandes obras de arte moderna.
Em colaboração com o Arts Council da Grã-Bretanha, o Sr. Cooper organizou posteriormente exposições retrospectivas de Braque, Claude Monet e Paul Gauguin, que foram apresentadas em Londres e Edimburgo. Em 1970, organizou uma exposição intitulada “A Época Cubista”, que foi exibida tanto no Metropolitan Museum of Art quanto no Art Institute of Chicago.
Esta foi seguida, em 1977, por “Braque: Os Grandes Anos”, também no Art Institute of Chicago. Ainda em 1977, publicou um monumental catálogo raisonné das pinturas de Gris, e em 1983 sua visão do Cubismo foi redefinida em “O Cubismo Essencial”, uma exposição na Tate Gallery, em Londres, que atraiu um público muito grande. O Museu do Prado era um de seus favoritos.
Em seus últimos anos, quando era cortejado por muitos museus que esperavam um dia herdar sua coleção, ele se aproximou do Museu do Prado, em Madri, e pouco antes de morrer disse a amigos que esperava que seu acervo de obras de Picasso e Gris acabasse lá.
Douglas Cooper nasceu em Londres em 20 de fevereiro de 1911. Era filho de Arthur Hamilton Cooper e de Mabel Alice Smith-Mariott. Era bisneto de Sir Daniel Cooper, um barão que foi o primeiro Presidente da Assembleia Legislativa de Nova Gales do Sul. Mais relevante para o futuro colecionador de pintura cubista, Sir Daniel era proprietário de toda a Woollahra Point, uma área considerável de Sydney, na Austrália.
Ele estudou na Repton School, no Trinity College da Universidade de Cambridge e em universidades na França e na Alemanha. No início da Segunda Guerra Mundial, o Sr. Cooper tornou-se motorista de ambulância do Exército Francês na França, uma experiência que ele relatou com entusiasmo característico em um livro chamado “The Road to Bordeaux” (A Estrada para Bordéus). Ao retornar à Inglaterra, ele ingressou na Força Aérea Real, servindo posteriormente como interrogador de prisioneiros alemães no Cairo.
Em 1957-58, o Sr. Cooper foi Professor de Arte na Cátedra Slade da Universidade de Oxford. Ele escreveu vários livros, entre eles “Graham Sutherland” em 1961 e “Picasso: Teatro” em 1968. Graham Sutherland (1903 – 1980) foi um dos poucos pintores a escapar do desprezo generalizado que o Sr. Cooper nutria pela arte e pelos artistas britânicos, mas mesmo ele acabou caindo em desgraça com o tempo.
O Sr. Cooper era frequentemente criticado pelo que seus detratores chamavam de brutalidade com que se comportava em controvérsias — sobretudo nas resenhas de livros anônimas que, durante anos, consumiram grande parte do seu tempo. Ele frequentemente se envolvia em desavenças com o establishment artístico britânico.
Ele deixa um filho adotivo, William McCarty Cooper.
(Direitos autorais reservados: https://www.nytimes.com/1984/04/05/archives – New York Times/ Arquivos/ Arquivos do The New York Times/ Por John Russell – 5 de abril de 1984)
Uma versão deste artigo foi publicada na edição impressa de 5 de abril de 1984 , Seção D , Página 30 da edição nacional, com o título: DOUGLAS COOPER; HISTORIADOR DE ARTE E COLECIONADOR.
© 2007 The New York Times Company

