Richard Rush, diretor de cinema que dirigiu ‘The Stunt Man’, ícone de Tarantino e Kubrick
O cineasta novaiorquino, autor do clássico ‘O Substituto’ era admirado por figurões como Stanley Kubrick e François Truffaut
Ele foi indicado ao Oscar pelo filme, sobre acrobacias cinematográficas, percepção e realidade. Seus filmes anteriores eram voltados para o público adolescente.
Richard Rush (nasceu em 15 de abril de 1929, em Halifax, Canadá – faleceu em 8 de abril de 2021, em Los Angeles, Califórnia), foi diretor norte-americano da obra-prima que ele assinou, em 1980, o raro O substituto (The stuntman). O criador do longa que foi reconhecido pelo Oscar com indicações para melhor diretor, roteiro adaptado e ator (Peter O´Toole).
“O melhor que qualquer pessoa faria”: com a frase nada modesta, o diretor validava o próprio resultado da obra-prima.
O Sr. Rush, que fez filmes sobre jovens rebeldes na década de 1960, com estrelas emergentes como Jack Nicholson, mas que alcançou seu maior sucesso em 1980 com “O Dublê”, um thriller peculiar e desafiador que ganhou status cult, não fez muitos filmes; o último de seus doze longas-metragens, o thriller erótico “A Cor da Noite”, foi lançado em 1994. Mas ele deixou sua marca com os atores que escalou e com uma certa destemor em suas escolhas cinematográficas.
Diretor de filmes com estrelas do calibre de Barbra Hershey, Elliott Gould, James Caan e Alan Arkin, Richard Rush impactou cineastas como Quentin Tarantino e Stanley Kubrick. Criado por pais formatados na contracultura, Rush nasceu em Nova York, mas teve formação profissional em Los Angeles.
Um dos trabalhos foi o de produzir filmetes publicitários na Guerra da Coreia. No cinema, antes do estouro com O Substituto (adquirido pela 20th Century Fox), Rush se dedicou a fitas de motociclismo e a westerns sanguinários.
Jack Nicholson, por exemplo, tomou parte de Too soon to love (1960), bem antes de Easy rider (1969), que já tratava dos feitos de integrantes da Hells Angels. O universo hippie ainda foi explorado por Richard Rush, em Psycho-Out (1968) e Os sete selvagens (1968).
Autor do roteiro de Air America, estrelado por Mel Gibson e Robert Downey Jr., Rush esteve à frente do retalhado, pela distribuidora, A Cor da Noite (1994), fita de pendor erótico com Jane March e Bruce Wills. Mas a consagração foi mesmo com O substituto, para cujo roteiro comprou os direitos nos anos de 1970 e levou uma década para desenvolver.
Saído da literatura de Paul Brodeur (1931 – 2023), o longa O substituto deposita todas as fichas na figura de Eli Cross (O´Toole), endeusado diretor de cinema que anda de helicóptero. Um desavisado fugitivo da justiça cai justo no set de filmagens, e passa a ser perseguido pelo maniático profissional do cinema.
Aclamada por quem conhece os bastidores das produções de cinema, a fita criou problemas de classificação, diante da originalidade. Ação, comédia, thriller ou sátira? “Não conseguiram achar o envólucro de hambúrger para ela”, gabou-se, certa vez, Richard Rush.
Richard Rush morreu em 8 de abril em sua casa em Los Angeles. Ele tinha 91 anos.
Herdeira, ao lado do filho Anthony, a viúva Claude se limitou a informar que a morte se deu pelo agravamento de uma série de limitações físicas e de saúde.
Sua esposa, Claude Rush, disse que a causa foi um acúmulo de problemas de saúde, incluindo insuficiência cardíaca e renal. Ele passou por um transplante de coração há 18 anos.
(Direitos autorais reservados: https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2021/04 – Correio Braziliense/ Diversão e Arte/ por Ricardo Daehn – 14/04/2021)
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(Direitos autorais reservados: https://www.nytimes.com/2021/04/19/movies – New York Times/ FILMES/ Neil Genzlinger – 19 de abril de 2021)
Neil Genzlinger é redator do Obituaries Desk. Anteriormente, foi crítico de televisão, cinema e teatro.
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