Antonio Guzmán, presidente da República Dominicana desde maio de 1978 à julho de 1982.

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Antonio Guzmán (La Veja, República Dominicana, 12 de fevereiro de 1911 – São Domingos, República Dominicana, 4 de julho de 1982), presidente da República Dominicana desde maio de 1978 à julho de 1982. Silvestre Antonio Guzmán Fernández, um rico fazendeiro, formado em Agronomia nos Estados Unidos entrou para a história como o presidente que tomou posse contra a vontade das Forças Armadas – a apuração de sua vitória eleitoral em 1978 foi suspensa pelo Exército e depois retomada por pressões americanas -, despolitizou os setores militares, restaurou as liberdades civis, anistiou todos os presos políticos, permitiu a volta dos exilados e a liberdade de imprensa. Ele também conseguiu fazer seu sucessor com relativa facilidade. Durante os quatro anos de seu mandato enfrentou pesadelos apenas na área econômica: além de dois tufões que obrigavam à reconstrução periódica do país e da febre suína que liquidou toda a criação nacional de dois milhões de porcos, os preções do açucar – principal exportação da República Dominicana – atingiram em junho de 1982 as piores cotações dos últimos três anos.

O governo, além disso, atravessou tumultuadas denúncias de corrupção – e essa talvez seja, além de alguns dissabores familiares não revelados, uma das razões para o gesto fatal: o próprio secretário do partido governista admitiu que Guzmán se suicidara por “vergonha patriótica” à corrupção. Seu sucessor, Salvador Jorge Blanco, prometeu investigar até o fim a “acintosa e reconhecida corrupção administrativa”. O que, se for feito, inevitavelmente atingirá a equipe e o prestígio de Guzmán.

Guzmán suicidou-se com um tiro de revólver no rosto, em seu gabinete no palácio do governo, dia 4 de julho de 1982, em São Domingos, República Dominicana. Morte de Guzmán frustra festa nacional – Um espetáculo inusitado estava preparado para o dia 16 de agosto de 1982 na República Dominicana. Nesse dia, quebrando uma tradição secular, o presidente Guzmán cumpriria todas as formalidades protocolares passando o poder ao seu sucessor eleito, Salvador Jorge Blanco. Uma fatalidade, no entanto, impediu que a República Dominicana assistisse pela primeira vez, desde os 138 anos de independência do país, a uma transição de poder sem golpes de Estado,eleições fraudulentas ou sem intervenção militar estrangeira. Na noite de sábado, dia 3 de julho, faltando 44 dias para o grande espetáculo, o principal ator, Antonio Guzmán de 71 anos, foi encontrado, baleado na face, num banheiro do palácio presidencial – sem que, até o final as autoridades dominicanas tenham conseguido explicar satisfatoriamente o acontecimento. A única testemunha presente, José María Hernández, genro do presidente morto, última pessoa a vê-lo com vida e o primeiro a anunciar a morte, não explicou o que o presidente fazia quase à meia-noite de um sábado num banheiro presidencial, com uma pistola que lhe fora presenteada pelo secretário geral das Forças Armadas. Nada mais natural, portanto, que ao longo da semana a tese do suicídio colidisse com a versão de que a arma do presidente disparara acidentalmente ao cair no chão do banheiro. Na prática, ao que se saiba, existem poucas razões para justificar o suicídio.

(Fonte: Veja, 14 de julho de 1982 – Edição n° 723 – DATAS – Pág; 102 – República Dominicana/Pág; 48)

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