Raimundo Rodrigues Pereira, foi um dos nomes mais importantes da história da imprensa brasileira, foi uma figura central na resistência democrática durante a ditadura militar no país

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Raimundo Rodrigues Pereira, jornalista que liderou resistência democrática.

Um dos nomes mais importantes da história da imprensa brasileira, Raimundo foi uma figura central na resistência democrática durante o período da ditadura militar no país.

Foto: Reprodução/Memorial da Resistência / Estadão conteúdo

Jornalista era referência na resistência democrática durante a ditadura militar, com a fundação do jornal Movimento; ele também já atuou no ‘Estadão’

Raimundo Rodrigues Pereira, fundador do jornal Movimento e símbolo do jornalismo de resistência no Brasil (Foto: Brasil 247)

 

 

Raimundo Rodrigues Pereira (nasceu em Exu, Pernambuco, em 8 de setembro de 1940 – faleceu no Rio de Janeiro, em 2 de maio de 2026), foi um dos nomes mais importantes da história da imprensa brasileira, Raimundo foi uma figura central na resistência democrática durante a ditadura militar no país.

Raimundo Pereira foi um dos principais jornalistas da chamada resistência democrática à ditadura militar. Nunca foi filiado a nenhum partido ou movimento de esquerda, mas sempre foi identificado com esse campo ideológico.

Começou a carreira ainda nos anos 1960, na revista Realidade e depois no jornal O Estado de S. Paulo.

Pernambucano de Exu, Raimundo construiu uma trajetória marcada pela defesa de um jornalismo crítico e independente, voltado, segundo suas próprias palavras, à “elevação do padrão material e cultural do povo”.

Ao longo da carreira, ele passou por veículos de grande prestígio, como a revista Realidade e o jornal O Estado de S. Paulo, onde se destacou pela qualidade das reportagens e pela profundidade das análises. Foi, no entanto, na chamada imprensa alternativa que consolidou seu papel histórico.

Em 1964, foi expulso do (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), onde estudava engenharia, e preso. A perseguição aconteceu por causa dos textos publicados no jornal O Suplemento, produzido por estudantes do ITA. Pereira foi preso inicialmente no DOPS de São Paulo, onde ficou por uma semana, e depois transferido para a Base Aérea do Guarujá, onde ficou por mais dois meses, segundo sua biografia publicada pelo Memorial da Resistência, de São Paulo.

Nos anos 1970, Raimundo Pereira trabalhou na chamada imprensa alternativa, que se opunha à ditadura, mas não defendia o enfrentamento direto, armado. Em 1972, começou a trabalhar no Opinião e, em 1975, fundou o jornal Movimento.

O Movimento era o que Pereira chamava de “jornal sem patrões”. A gestão da publicação era inteiramente feita por jornalistas, sem empresários no comando. O jornal ficou famoso pela cobertura das greves do ABC Paulista em 1979, lideradas pelo então líder sindical Lula, e pelas reportagens sobre movimentos populares e problemas urbanos de São Paulo.

O jornal também consolidou Pereira como uma das principais vozes da imprensa brasileira na oposição à ditadura. A publicação foi uma das principais denunciantes dos arbítrios da ditadura e “na construção de uma narrativa crítica em defesa da democracia”, segundo a ABI.

Por meio do jornal, Raimundo Pereira defendeu a anistia ampla, geral e irrestrita para todos os opositores do regime militar, mesmo os acusados de terrorismo e os que participaram da resistência armada.

No final, saiu parcialmente derrotado, porque a anistia aprovada em 1979 também perdoou os crimes cometidos pelos militares enquanto estavam no controle do Estado.

Depois da queda do regime, passou a defender a convocação de uma assembleia constituinte “livre e soberana”. Ou seja, queria que a assembleia constituinte fosse elaborada por pessoas eleitas exclusivamente para produzir uma nova constituição, em oposição aos que defendiam que o Congresso acumulasse as funções parlamentares normais com as de assembleia constituinte.

A constituinte “livre e soberana” era a pauta da esquerda da época, capitaneada pelo PT. Mas, em 1987, foi convocada a Assembleia Constituinte composta pelos deputados e senadores eleitos nas eleições diretas do ano anterior, conforme defendiam as lideranças empresariais e os partidos de direita.

Luta pela democracia 

Durante a ditadura militar no Brasil, período marcado por censura e repressão, integrou uma geração de jornalistas que enfrentou o autoritarismo com informação, análise crítica e defesa da democracia.

Fundado em 1975, o jornal Movimento tornou-se um dos principais símbolos dessa resistência. Sob a liderança de Raimundo, o veículo ganhou destaque ao denunciar abusos do regime e ao construir uma narrativa crítica em defesa das liberdades democráticas. Mais do que um jornal, o Movimento funcionou como espaço de articulação política e social, reunindo vozes silenciadas pela repressão.

A atuação do periódico ocorreu sob forte pressão. O jornal enfrentava censura prévia, cortes frequentes e dificuldades financeiras. Em diversas edições, espaços em branco evidenciavam a interferência do regime e a limitação à liberdade de imprensa. Ainda assim, Raimundo manteve uma linha editorial firme, apostando no jornalismo como instrumento de transformação social.

Já sob a democracia, Raimundo Pereira criou o jornal Retratos do Brasil, em 1988. O objetivo era reunir reportagens extensas e análises estruturais sobre os principais problemas do país.

Em tempos mais recentes, Pereira passou a se dedicar à Editora Manifesto. Por meio dela, publicou livros sobre grandes escândalos políticos da época, como a Operação Satiagraha, o Mensalão e o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Em todos os trabalhos, apresentava uma visão alternativa e crítica ao que foi publicado pelos grandes veículos nacionais.

Em uma fase posterior da carreira, criou o projeto “Retrato do Brasil”, voltado à interpretação da realidade nacional, reunindo reportagens aprofundadas e análises estruturais sobre o país.

Raimundo deixa um legado que se confunde com a própria história da resistência democrática no Brasil. O jornal Movimento permanece como símbolo de um período em que exercer o jornalismo exigia coragem e compromisso com a informação.

Raimundo Rodrigues Pereira morreu na manhã do sábado (2), no Rio de Janeiro, aos 85 anos. O corpo do jornalista foi cremado no domingo (3), no Cemitério da Penitência, no Caju.

Homenagem do Brasil 247

O jornalista Leonardo Attuch, fundador do Brasil 247, também destacou a importância pessoal e profissional de Raimundo, com quem conviveu em vários períodos, inclusive durante o período de criação do 247.

Raimundo foi um grande amigo, parceiro e colunista do Brasil 247, e uma inspiração para o nosso projeto editorial”.

Legado de resistência
Raimundo se destacou pela qualidade de reportagens e pela profundidade de suas análises e usou a fórmula para a imprensa alternativa. O jornal Movimento teve mais de 300 edições semanais, mas, por conta da repressão, o jornal sofria censura e passava por dificuldades financeiras. Segundo a ABI, em várias edições os espaços em branco denunciavam a violência do regime contra a liberdade de imprensa.

Marcelo Auler, conselheiro da associação, falou sobre o legado deixado pelo jornalista: “Raimundo Rodrigues Pereira foi um guerreiro e empreendedor da informação, do jornalismo, mas acima de tudo da Democracia, com ‘D’ maiúsculo. É uma grande perda para todos os jornalistas, mas também para o Brasil democrático”.

(Direitos autorais reservados: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/05/02 – Globo Notícias/ RIO DE JANEIRO/ NOTÍCIA/ Por g1 Rio – 02/05/2026)

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