Ulay, artista performático alemão, ex-companheiro da sérvia Marina Abramovic

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Ulay, ex-companheiro de Marina Abramovic e parceiro em famosos trabalhos dos anos 1970

 

Marina Abramovic e Ulay na obra “Relation in time”, em 1977 (Foto: DIREITOS RESERVADOS / Divulgação)

 

Alemão chegou a processar a artista em 2015, mas depois os dois voltaram a a ser amigos e fizeram filme sobre o tempo que passaram juntos

Ulay, que viveu relação simbiótica com Marina Abramovic, fotógrafo fez de seu relacionamento com a artista uma performance

Ulay (Solingen, Alemanha, 30 de novembro de 1943 – Ljubljana, na Eslovênia, 2 de março de 2020), artista performático alemão, ex-companheiro da sérvia Marina Abramovic. O artista, que começou a carreira em Amsterdã (Holanda) no fim dos anos 1960, ficou conhecido como o grande parceiro de Marina Abramovich em performances memoráveis, intensas e, até, perigosas.
Ulay começou a carreira no fim dos anos 1960, em Amsterdã. Antes e depois da parceria com Abramovic, ele baseou sua prática na fotografia, encarada como instrumento de investigação e transformação da identidade.
A dupla se conheceu em Amsterdã, em 1976. Por 12 anos, eles estiveram entre os artistas mais famosos e pioneiros do mundo. Os dois encerraram a parceria com uma performance conjunta. Eles decidiram percorrer a Muralha da China. Cada um começou o trajeto de um lado e se encontraram no meio do caminho.
Ulay é conhecido por seus trabalhos com a sérvia Marina Abramovic nas décadas de 1970 e 1980. Ao longo de 14 obras, os dois realizaram performances na qual se desafiavam para se tornarem uma só entidade artística.
Nascido Frank Uwe Laysiepen, ele e sua então parceira, a artista sérvia Marina Abramovic, tornaram-se famosos por 14 “trabalhos de relacionamento”. Concebidos ao longo de uma década em que a dupla morava em uma van Citroën, a maioria das obras envolvia proezas de perigo e resistência, com o objetivo de aniquilar cada um de seus egos e se tornar uma entidade artística única.
Eles se conheceram em Amsterdam em 1976 e, no ano seguinte, na obra “Light / Dark”, se ajoelharam um de frente para o outro e deram-se tapas no rosto com crescente ferocidade. Três anos depois, no trabalho “Rest energy”, Ulay apontou um flecha para o coração de Abramovic — um leve movimento de um dedo poderia tê-la matado (em 2017, a performance inspirou um filme, “Pendular”, de Julia Murat). Em uma série de apresentações chamada “Nightsea Crossing”, os dois se sentaram em cadeiras em frente um do outro por sete horas por dia.
O casal marcou o fim de seu relacionamento com a obra “The lovers”, em 1988, na qual começou a andar de pontos extremos da muralha da China (Ulay do deserto de Gobi e Marina do Mar Amarelo) e, ao se encontrarem, se despediram sem falar nada. A performance marcou época. “Toda vez que eu chegava a uma vila, a população inteira vinha me olhar”, disse Abramovic ao “Art Newspaper”.

 

Após o rompimento, Ulay voltou à fotografia. Antes de conhecer Abramovic, ele havia feito alguns dos trabalhos fotográficos mais subversivos da época — “S’he” (1973), “WT” (1974) e “Sex-Stretcher” (1974), todos experiências com identidade de gênero.

 

Ulay ficou conhecido também por seu trabalho com a Polaroid após se mudar para a Holanda no começo dos anos 1970.

Em 2010, após décadas sem se falarem, ele surpreendeu Abramovic sentando-se a sua frente durante sua peça de performance “The artist is present” no MoMA em Nova York, na qual a sérvia passou 700 horas sem falar ao longo de vários dias. Sentados em silêncio, eles apertaram as mãos e choraram.

No ano seguinte, Ulay foi diagnosticado com linfoma. Em 2013, lançou o documentário “Project Cancer”, no qual discutia seu tratamento, vida e trabalho. Após uma quimioterapia, o câncer de Ulay entrou em remissão, mas ele continuou a fumar.

 

O artista processou Abramovic em 2015, alegando que ela lhe devia dinheiro e não havia creditado totalmente sua participação em suas obras, vindo a ganhar dela 250 mil euros mais os custos do processo. Depois disso, no entanto, os dois se tornaram amigos novamente, participando de um filme em 2017, “A história de Marina Abramovic e Ulay”. “Tudo o que havia de desagradável no passado, nós deixamos de lado”, disse Ulay no filme. “É uma história bonita, na verdade.”

 

Em 2019, a galeria londrina Richard Saltoun apresentou uma retrospectiva dos trabalhos de Ulay, que foi inaugurada com uma nova performance intitulada “Performing light” (2019). O fotograma em tamanho real mostrou o corpo de Ulay deitado em posição fetal e cercado por mãos que se estendiam para ele.
Ulay faleceu em Ljubljana, na Eslovênia, em 2 de março de 2020, aos 76 anos. Ele sofria de câncer linfático.
No Instagram, Marina Abramovic escreveu: “É com muita tristeza que soube da morte de meu amigo e ex-parceiro Ulay hoje. Ele era um artista e um ser humano excepcional, que fará muita falta. Neste dia, é reconfortante saber que sua arte e seu legado viverão para sempre.”

 

No Facebook, a galeria Richard Saltoun deixou a sua despedida: “Estamos profundamente tristes com a notícia de que Ulay faleceu aos 76 anos. Ulay era o espírito mais livre — um pioneiro e provocador com uma obra radical e historicamente única, operando no cruzamento da fotografia e das abordagens conceituais da performance e arte corporal. Sua morte deixa uma lacuna momentânea no mundo — lacuna esta que não será tão facilmente preenchida. Manteremos sua família, amigos e colegas próximos aos nossos corações durante esse período.”

(Fonte: Zero Hora – ANO 56 – N° 19.650 – 5 DE MARÇO de 2020 – TRIBUTO / MEMÓRIA – Pág: 31)
(Fonte: https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2020/03/02 – POP & ARTE / Por G1 – 02/03/2020)
(Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura – CULTURA / Por O Globo – 02/03/2020)
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