Yvette Lundy, figura histórica da Resistência francesa e antiga prisioneira dos campos de concentração nazista

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Yvette Lundy, integrante da resistência francesa ao nazismo

Professora se uniu à rede de resistência que produzia documentos falsos para os judeus ou para prisioneiros de guerra foragidos.

Entre 1940 e 1944, teve um papel fundamental na Resistência francesa. Passou o último ano da guerra presa em vários campos de concentração.

 

 

Yvette Lundy (Oger, Blancs-Coteaux, França, 22 de abril de 1916 – Epernay, nordeste da França, 3 de novembro de 2019), figura importante da resistência aos nazistas na França, deportada ao campo de Ravensbrück.

 

Durante vários anos esta professora foi uma peça fundamental da rede Possum, um esforço conjunto franco-belga para salvar pilotos aliados que se despenhavam na França ocupada. A maioria escondia-se na quinta do seu irmão Georges, que acabaria por ser deportado e morrer em 1945.

 

Yvette, então com 28 anos, foi detida pela Gestapo em junho de 1944 enquanto dava uma aula. Passou por vários campos até ser levada para Ravensbrück, reservado para mulheres e crianças, onde perdeu o nome e passou a ser identificada pelo número 47360, recorda a AFP.

 

“Mesmo agora, há um momento do dia que penso no campo … geralmente à noite, antes dormir”, declarou em 2017.

 

Yvette Lundy, a mais jovem de sete irmãos, era professora em Gionges, localidade vinícola da região de Champagne. Se uniu à rede de resistência que produzia documentos falsos para os judeus ou para prisioneiros de guerra foragidos.

Em 19 de junho de 1944, a Gestapo a prendeu quando dava aula. Após um período em uma prisão francesa e depois de passar pelo campo de Neue Bremm, perto de Saarbrücken, sudoeste da Alemanha, foi deportada a Ravensbrück.

Ao entrar no campo nazista ao norte de Berlim, Lundy declarou que sentiu como se “uma camada de chumbo” caísse sobre seus ombros, ao observar a falta de humanidade com que tratavam as prisioneiras, obrigadas a se despir na frente da SS.

“O corpo está nu e o cérebro de repente vira um trapo: somos como um buraco, um buraco repleto de vazio. E se olharmos ao nosso redor, mais vazio ainda”, recordou Lundy.

Ela contou que sua constituição robusta e seu caráter a ajudaram a sobreviver no que chamou de “buraco do inferno”.

Lundy foi transferida para Weimar. Libertada pelo exército russo em 21 de abril de 1945, retornou para a França.

A partir de 1959 começou a contar sua experiência em colégios franceses e alemãs. Interrompeu a missão em 2017, mas ainda recebia visitas de jovens no asilo em que morava.

 

Yvette demorou a falar das suas memórias na Resistência e nos campos de concentração. Preferiu calar-se durante vários anos, perante a descrença de alguns familiares em relação ao que relatava, considerando-a “desorientada”. Foi só a partir de 1959 que começou a falar publicamente sobre aqueles tempos, sobretudo junto de estudantes franceses e também alemães, com o objectivo de contribuir para a compreensão dos horrores perpetrados pela Alemanha nazi, mas também para apoiar a reconciliação.

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Lamentando a sua morte, o presidente da Câmara de Épernay, Franck Leroy, disse que Yvette Lundy é “um exemplo”. “Ela tinha também um olhar sobre a guerra e sobretudo sobre a reconciliação franco-alemã, que ela considerava extremamente importante”, afirmou.

 

Yvette Lundy faleceu em 3 de novembro de 2019, aos 103 anos na cidade de Epernay, nordeste da França.

(Fonte: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/11/04 – MUNDO / NOTÍCIA – Por France Presse – 

(Fonte: https://www.publico.pt/2019/11/04/mundo/noticia – MUNDO / NOTÍCIA – EUROPA / PÚBLICO – 4 de Novembro de 2019)

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