Vidiadhar Naipaul, escreveu mais de 30 livros, e se tornou um símbolo do desenraizamento moderno, foi laureado com o prêmio Nobel de Literatura

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Vencedor do prêmio Nobel de Literatura

 

O britânico Vidiadhar Surajprasad Naipaul recebe o Prêmio Nobel de Literatura do rei Carlos XVI Gustavo da Suécia em Estocolmo, em 10 de dezembro de 2001 – (AFP/Arquivos)

 

Entre as obras de maior destaque do escritor estão ‘Uma Casa para o Sr. Biswas'(1961), ‘A Curva do Rio’ (1979)

O escritor V.S. Naipaul na cerimônia em que recebeu o prêmio Nobel de Literatura, em Estocolmo, na Suécia, em 10 de dezembro de 2001 (Foto: Reuters/Chris Helgren/File Photo)

Sir Vidiadhar Surajprasad Naipaul (Trinidad e Tobago, 17 de agosto de 1932 – Londres, 11 de agosto de 2018), escritor britânico, autor de mais de 30 livros, laureado com o prêmio Nobel de Literatura em 2001.

O escritor britânico nascido em Trinidad e Tobago V.S. Naipaul, premiado com o Nobel de Literatura em 2001, escreveu mais de 30 livros, boa parte deles sobre os traumas das mudanças pós-coloniais, e passou muito tempo viajando e se tornou um símbolo do desenraizamento moderno.

Nascido na zona rural em Trinidad e Tobago, estudou Literatura inglesa na Universidade de Oxford, antes de se estabelecer na Inglaterra.

 

Quando criança, sir Vidia costumava ouvir seu pai ler Shakespeare e Dickens para ele. O escritor foi criado como hindu e frequentou o Queen’s Royal College.

 

Ele se mudou para a Grã-Bretanha e se matriculou na Universidade de Oxford em 1950, depois de ganhar uma bolsa do governo que permitia a entrada em qualquer universidade da Commonwealth que escolhesse. Com informações da Folhapress.

 

Ao conceder-lhe o Nobel, a Academia Sueca afirmou que V.S. Naipaul tinha sido premiado por “ter misturado narração perspectiva e observação incorruptível em suas obras, que nos condenam a ver a presença da história esquecida”.

Muitas de suas obras estudam os traumas das mudanças pós-coloniais.

 

 

Um de seus principais romances, “Uma casa para o Sr. Biswas”, trata sobre a árdua tarefa dos migrantes indianos no Caribe para se integrarem à sociedade e conservar suas raízes ao mesmo tempo.

Entre as obras de maior destaque do escritor nascido em Trinidad e Tobago estão “Uma Casa para o Sr. Biswas” (1961), “A Curva do Rio” (1979) e “O Enigma da Chegada” (1987).

 

 

Foi um dos primeiros galardoados com o Booker Prize, o principal prêmio literário do Reino Unido, em 1971, por “Num Estado Livre”.

 

 

Durante toda sua carreira, se expressou com franqueza e sem rodeios e chegou a comparar o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair com um pirata à frente de uma revolução socialista.

 

 

Falou mal das mulheres romancistas, descreveu os países pós-coloniais como sociedades pela metade e afirmou que o Islã escraviza e tenta acabar com outras culturas.

Escritor faz crítica aberta ao fundamentalismo islâmico
Nobel da guerra vai para V.S. Naipaul
O escritor de ascendência indiana Vidiadhar Surajprasad Naipaul, 69, ganhou em 11 de outubro, o Prêmio Nobel de Literatura de 2001, concedido em Estocolmo no valor de US$ 1 milhão.
Segundo a declaração da Academia Sueca, o prêmio foi entregue ao autor por sua obra ter “unido uma narrativa perceptiva e uma incorruptível busca, em trabalhos que nos impulsionam a vislumbrar a presença de histórias ocultas”.
O escritor foi descrito pela academia como “um circunavegador literário, que só se sente em casa em si mesmo, em sua inimitável voz”.
Em 2000, o Nobel foi concedido ao chinês exilado Gao Xingjian, num gesto considerado como claramente político pelos críticos no sentido de denunciar o regime de Pequim. Em 2001, a academia chegou a considerar o cancelamento da premiação devido aos ataques norte-americanos ao Afeganistão.
A obra de V.S. Naipaul faz crítica aberta ao fundamentalismo islâmico em livros como “Entre Fiéis” (81), um relato colhido no Irã, Paquistão, Malásia e Indonésia, países que visitou entre 79 e 80, e “Além da Fé” (98). Segundo o porta-voz da Academia Sueca, Horace Engdahl, “o que Naipaul realmente critica na cultura islâmica é o traço comum a todas as culturas de conquistadores, que tende a oprimir todas as culturas precedentes”.
“Não creio que teremos protestos no mundo islâmico”, disse Engdahl à Associated Press. “Se eles se dedicarem a ler esses livros, verão que se trata de uma visão bem mais nuançada do Islã.”
Tido como um dos maiores prosadores vivos em língua inglesa e um autor polêmico, Naipaul recentemente protagonizou mais uma controvérsia na Inglaterra ao afirmar que o efeito do islamismo no mundo era “calamitoso”, comparando a fé muçulmana ao colonialismo. Durante uma leitura de seus livros em Londres, o autor disse que o islamismo “escravizou e tentou eliminar outras culturas”. “Para se converter, você tem que destruir seu passado e sua história”, afirmou.
Nascido em Trinidad e Tobago em 1932, descendente de uma família do norte da Índia, V.S. Naipaul viveu no Caribe até os 18 anos, quando se mudou para a Inglaterra a fim de estudar na Universidade de Oxford. Ao tomar conhecimento da premiação, ontem, o escritor disse que se trata de “um elogio inesperado”. “É uma grande homenagem à Inglaterra, o meu país, e à Índia, país de meus antepassados”, declarou Naipaul, que desde 1990 ostenta o título de “sir”, concedido pela realeza britânica, e que ganhou o Booker Prize em 1971.
Outros nomes cotados para o Nobel de 2001 eram os do poeta francês Yves Bonnefoy (1923-2016), dos escritores americanos Norman Mailer e Joyce Carol Oates e do sul-africano John Michael Coetzee.
Considerado por si mesmo como um autor cosmopolita e sem raízes, Naipaul é uma espécie de paradigma do autor pós-colonial e da escrita no exílio, com identidade mista entre a Europa e as culturas em desenvolvimento.
“A maioria de nós conhece nossos pais e avós, mas nossas origens são mais distantes, remontamos ao infinito: todos remontamos até a origem da raça em nosso sangue, nossos ossos, nosso cérebro. Arrastamos a memória de milhares de seres”, escreveu Naipaul, em “Um Caminho no Mundo”, livro de forte teor autobiográfico.
Com exceção de um curto período em que atuou como correspondente da BBC para o Caribe, desde os 26 anos Naipaul se dedicou integralmente à literatura, sempre viajando pelo mundo, prática que considera primordial para sua literatura.
Brasil
Naipaul tem oito livros publicados no Brasil, cinco deles esgotados. A Companhia das Letras, editora responsável pela publicação de sua obra no país, diz que, após a premiação, pretende relançar os não disponíveis.
Seus títulos atualmente no mercado são “Entre Fiéis” (81), “Além da Fé” (98) e “Índia” (77). Os títulos esgotados são “O Enigma da Chegada” (87), “Um Caminho no Mundo” (94), “Os Mímicos” (67), “Guerrilheiros” (75) e sua obra mais conhecida, “Uma Casa para o Senhor Biswas” (61), com a qual se tornou conhecido para os leitores de língua inglesa.
Além de ter escrito mais de 25 títulos, entre ficção e não ficção, V.S. Naipaul foi retratado por Paul Theroux em “Sir Vidia’s Shadow: A Friendship across Five Continents”. O livro, um relato da amizade entre os dois escritores que se conheceram na África na década de 1960, é um acerto de contas das desavenças entre os dois.
FRASES
 
“O islamismo escravizou e tentou eliminar outras culturas. Para se converter, você tem que destruir seu passado e sua história.”
V.S. NAIPAULescritor
“É uma grande homenagem à Inglaterra, o meu país, e à Índia, país de meus antepassados.”
V.S. NAIPAULescritor
“Não creio que teremos protestos no mundo islâmico. Se eles se dedicarem a ler esses livros, eles verão que se tratam de uma visão bem mais nuançada do Islã.”
HORACE ENGDAHL, porta-voz da Academia Sueca
“[Naipaul é] um circunavegador literário, que só se sente em casa em si mesmo, em sua inimitável voz.”
trecho da declaração oficial da Academia
Vidiadhar Naipaul faleceu aos 85 anos, em 11 de agosto de 2018, em sua casa, em Londres.

“Foi um gigante em tudo o que conquistou e morreu rodeado por aqueles que amava, tendo vivido uma vida cheia de uma criatividade maravilhosa e esforço”, declarou sua esposa, Lady Naipaul, em um comunicado.

“V.S. Naipaul se sente cômodo somente em seu interior, no seio de sua expressão inimitável”, afirmou a Academia.

(Fonte: https://www.terra.com.br/diversao – DIVERSÃO / ENTRETENIMENTO – 11 AGO 2018)
(Fonte: https://istoe.com.br – EDIÇÃO Nº 2538 – CULTURA / Por AFP – 11/08/18)
(Fonte: https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2018/08/11 – POP & ARTE / NOTÍCIA / Por France Presse – 11/08/2018)
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada / FOLHA DE S.PAULO / ILUSTRADA / LITERATURA / Com agências internacionais – DA REPORTAGEM LOCAL – São Paulo, 12 de outubro de 2001)
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