Victor Cunha Rego, ex-embaixador português, líder revolucionário e ex-editor dos jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo

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Victor Cunha Rego, ex-embaixador português, líder revolucionário e ex-editor dos jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo

 

Victor Cunha Rego (Foto: Ag. JN/Portugal)

 

Jornalista português foi, no exílio, editorialista e um dos editores da Folha

 

Victor José Costa da Cunha Rego (Oeiras, Oeiras e São Julião da Barra, 30 de agosto de 1933 – Lisboa, 11 de janeiro de 2000), jornalista, ensaísta, diplomata e dirigente socialista português.

 

Ele fez parte de uma geração de intelectuais de erudição política e literária que se destacou, a partir da queda da ditadura portuguesa, em 1974, por múltiplas atividades no setor público e na mídia.

 

 

Colunista no jornal lisboeta Diário de Notícias, Cunha Rego teve sua carreira intensamente ligada à imprensa nacional durante os 18 anos em que morou no Brasil.

 

Em 1956, revoltado com a censura imposta pelo ditador António de Oliveira Salazar, mudou-se para São Paulo, onde foi editor dos jornais O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e do extinto Última Hora.

 

Exilado no Brasil aos 25 anos, Cunha Rego foi, entre 1969 e 1973, responsável pela seção de assuntos internacionais e editorialista da Folha. Anteriormente, também como jornalista, trabalhou nos jornais “O Estado de S. Paulo” e “Última Hora”.

 

 

Cativado pela cultura brasileira, escreveu o roteiro para o filme Meninos do Tietê, de 1962, mas jamais se desligou do país natal e mandava reportagens para os jornais portugueses criticando o regime salazarista.

 

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Com a Revolução dos Cravos, que democratizou Portugal a partir de 1974, Cunha Rego retornou para fundar o Partido Socialista e tornar-se secretário-adjunto de Estado. Três anos mais tarde, assumiu a embaixada de Portugal na Espanha e, em 1980, a direção da RTP, a televisão pública do país.

 

Em Portugal, dirigiu as redações dos jornais “Diário de Notícias” (1975-1976) e “A Tarde” (1981-1982) e a do “Semanário” (1983-1982), veículo do qual foi o criador. Tornou-se colunista do “Diário de Notícias” em 1992, função interrompida no ano passado em razão da doença.

 

Em 1999, quando soube que tinha câncer no pulmão, abandonou as crônicas e dedicou-se exclusivamente ao livro “Os Dias de Amanhã”, lançado em novembro de 1999.

 

Uma coletânea de suas crônicas foi recentemente publicada em Lisboa pela editora Contexto, sob o título “Os Dias de Amanhã”. Em estilo conciso e elegante, o autor faz a crítica do conformismo político e cultural em um mundo que, segundo ele, tende, com a globalização, ao hedonismo e à mediocridade de valores.

 

Cunha Rego pertenceu na juventude a organizações extremistas de oposição ao salazarismo, como o Diretório Revolucionário Ibérico de Libertação. Foi em seguida militante da Resistência Republicana e Socialista, tendo sido um dos fundadores da Ação Socialista Portuguesa. Tornou-se um dos principais colaboradores de Mário Soares -depois primeiro-ministro e presidente da República- desde a criação, em 1973, do Partido Socialista.

 

Com o fim do período em que, após a chamada Revolução dos Cravos, o poder esteve na prática em mãos de oficiais marxistas do MFA (Movimento das Forças Armadas), Cunha Rego é nomeado por Soares secretário de Estado Adjunto (1976-1977) e em seguida embaixador de Portugal na Espanha (1977-1980). Foi também, em 1980, presidente da RTP (Rádio e Televisão Portuguesa).

 

Incursionou esporadicamente pelo cinema, com o argumento de “Meninos do Tietê”, rodado no Brasil em 1962, e com o roteiro de “Francisco Sá Carneiro”, produzido pela RTP em 1981.

 

Cunha Rego faleceu em 11 de janeiro de 2000, vitimado por câncer, em um hospital de Lisboa, aos 66 anos.

Seus amigos guardam dele a lembrança do porte aristocrático, enérgico em suas posições e afável no trato pessoal.

(Fonte: https://www.terra.com.br/istoegente/25/tributo – Edição 25 / TRIBUTO – 24 de janeiro de 2000)

(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano – FOLHA DE S.PAULO / COTIDIANO / MÍDIA / da Reportagem Local – São Paulo, 12 de Janeiro de 2000)

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