Piero Gancia, foi um dos maiores nomes do automobilismo, trouxe a primeira concessionária Ferrari para o Brasil

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O empresário trouxe a primeira concessionária Ferrari para o Brasil

Piero Gancia posa para foto em 1963 - (Foto: Arquivo/Folhapress)

Piero Gancia posa para foto em 1963 – (Foto: Arquivo/Folhapress)

Piero Gancia, sagrou-se o primeiro campeão de automobilismo no Brasil

Piero Gancia (Turim, 30 de agosto de 1922 – São Paulo, 1º de novembro de 2010), empresário, foi um dos maiores nomes do automobilismo, ex-piloto e ex-presidente da CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo).

AUTOMOBILISMO

Como piloto, Piero Gancia foi o vencedor do campeonato brasileiro, disputado em 1966. Essa foi a primeira competição realizada no âmbito nacional no país.

Fora das pistas, Gancia articulou a volta para São Paulo do GP Brasil de F-1 em 1990 – a prova era disputada no Rio de Janeiro.

Ele também era membro de uma comissão da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e convenceu o Jean Marie Ballestre (então presidente da FIA) e a prefeitura de São Paulo a realizarem a prova na cidade.

Gancia quando competia, costumava trazer carros da Europa para o Brasil, o que ajudou a impulsionar o automobilismo no país.

Ex-piloto e ex-dono de equipe, Gancia foi um dos grandes dirigentes do país. À frente da CBA, levou o GP de Brasil para São Paulo depois que Interlagos foi reformado, deixando de ter 7.960m e passando para os atuais 4.309m.

Nascido em 30 de agosto de 1922 na cidade de Torino (Itália), o empresário foi piloto e um dos expoentes do automobilismo nacional, Piero Gancia se apaixonou pelo Brasil quando veio visitar o país a negócios, e para cá se mudou em junho de 1952, já casado com Lulla Gancia e com o primeiro de seus três filhos. Piero era o representante para a América Latina dos famosos vinhos e espumantes “Asti”, criado por seu bisavô, e um dos herdeiros do Vermouth Gancia.

Piero conta que sua paixão pela velocidade começou cedo, aos dez anos, quando seu pai o levou em 1932 a assistir uma corrida pela primeira vez, e tornou-se uma realidade no Brasil, mas na Itália já havia feito um curso de automobilismo em Monza com Piero Taruffi. Seu pai, que por sinal guiava muito mal, tinha medo, e da Itália pedia para ele não correr.

Muito se orgulha de ter vencido o lendário Chico Landi, um de seus ídolos. Foi o primeiro campeão brasileiro de automobilismo, quando esse Campeonato foi instituído em 1966 e composto de 3 provas: 1000 Km de Brasília, 500 Km de Interlagos e 1000 Km da Guanabara. Elegante, um porte de nobreza, educado, fino, inteligente, ganhou aqui, uma companheira nas pistas: sua própria esposa Lulla Gancia, pois ela também começou a correr. 

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Piero anos 60


No Brasil, e já dono de uma Alfa Giulietta, em 1961 conheceu um mecânico italiano que havia trabalhado com Fangio, Giuseppe Perego, através dele ficou conhecendo Emilio Zambello, também italiano, que já corria, e começou a frequentar a pista de Interlagos. E fazendo parceria com ninguém menos que Celso Lara Barbéris (1916-1963), um dos maiores “feras” da época, estreou nas “12 Horas de Interlagos” com sua Alfa Giulietta preparada pelo Perego, 5° Lugar na classificação geral.

A amizade com Zambello cresceu e ainda em 1962 formaram, junto com Perego, uma “scuderia”: a “Jolly-Gancia”, esse nome foi escolhido em homenagem à grande “scuderia/clube” italiano, e que se tornou uma das melhores equipes da década de sessenta e que contou, além dos dois “italian gentlemans”, com José Carlos Pace, Marivaldo Fernandes, Wilsinho Fittipaldi, Abílio Diniz e muitos outros. Em 1964, com a concessão de venda das Alfas importadas no Brasil, ele abriu uma loja/oficina, com Zambello e Perego, também batizada de Jolly e que durou até 1974 quando foi fechada, mas em 1971 Piero já havia parado de correr, após mais de 50 brilhantes participações em provas pelo Brasil inteiro.

Foi presidente da APVC (Associação Paulista de Volantes de Competição) de 1965 a 1966 e também da C.B.A. (Confederação Brasileira de Automobilismo) de 1987 a 1991. Sua administração foi sempre voltada à organização do esporte e não à política.

No final da década de oitenta, Piero ajudou a prefeitura de São Paulo a trazer o G.P. de F1 e na reforma do autódromo de Interlagos. Era também membro da Comissão de F1 da F.I.A. na França, e foi decisivo para a vinda da Fórmula 1 para São Paulo: foi Premiação na APVC/65 à Paris, convenceu Jean Marie Ballestre (então presidente da F.I.A.) que seria melhor a competição em São Paulo, pois o Rio de Janeiro não oferecia mais segurança para os pilotos e conforto para o público, e não tinha intenções de investir na melhoria das condições do autódromo.

De madrugada (no Brasil), ligou da França avisando à então Prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, emocionado, que estava tudo certo. Nessa empreitada contou com a colaboração de Thamas Rohonyl, representante de Bernie Eclestone no Brasil. Com isso, em dezembro de 1989, deu-se início a uma grande reforma no autódromo. Foram construídos novos: 23 boxes, sala de imprensa, torre de cronometragem, um centro médico e a pista foi diminuída para 4.325 m. Graças a Piero Gancia o Brasil e São Paulo fazem parte do calendário da Formula 1.

Piero foi o primeiro representante do grupo Ferrari no Brasil, conseguiu a autorização com o comendador Enzo Ferrari em pessoa. Entre os anos 1960 e1970, muito embora a importação fosse proibitiva devido à elevada alíquota de importação, ele trazia os esportivos para o país.

Por volta de 1970, em função da fusão da Martini com a Gancia na Itália, Piero passou a presidente da Martini-Rossi no Brasil, cargo que exerceu por 25 anos.

Piero Gancia faleceu em São Paulo, no Hospital Albert Einstein, em 1º de novembro de 2010, aos 88 anos, em decorrência do mal de Alzheimer.

(Fonte: http://www.correiodopovo.com.br – PITLANE – Postado em )

(Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/esporte/2010/11/823997- ESPORTE – DE SÃO PAULO – 01/11/2010)

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