Pela primeira vez, Copa do Mundo terá bola nova a partir das oitavas de final

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Pela 1ª vez, Copa do Mundo terá bola nova a partir das oitavas de final

 

Bola da copa Telstar Mechta (Foto: DIREITOS RESERVADOS)

 

Quando a Copa do Mundo começar, em 14 de junho, atletas de Rússia e Arábia Saudita vão correr atrás da Telstar 18. Criada pela Adidas para homenagear a bola do Mundial de 1970, ela é branca com formas pretas que lembra, quando em movimento, o emoji de bola de futebol que você tem no seu celular.

 

Quem acompanhar a abertura dos mata-matas na Rússia, a partir do dia 30 de junho, porém, verá outra bola em campo. No lugar dos detalhes em preto e cinza, entra o vermelho. É uma homenagem ao país (e à história) dos anfitriões do do Mundial.

 

Será a primeira vez que isso acontece em Copas do Mundo. A bola em questão se chama Mechta. É feita com os mesmos seis painéis geométricos da Telstar 18 que a Adidas desenvolveu nos últimos quatro anos, trocando apenas o cinza por tons de vermelho.

 

Uma Copa com duas bolas não é inédito. Em 2014, por exemplo, a versão da Brazuca para a final entre Alemanha e Argentina tinha cores diferentes. Em 2010, a final entre Espanha e Holanda foi disputada com a Jo’bulani, uma versão com cores diferentes da Jabulani. A diferença é que, enquanto suas antecessoras foram usadas apenas na decisão, a Mechta aparece em campo já nas oitavas de final.

 

A explicação para isso é comercial. A Telstar será usada nos 48 jogos da primeira fase. Será vista por milhões de espectadores por duas semanas. A Mechta será usada em apenas 16 jogos, mas justamente nos jogos mais importantes do torneio.

 

“Do ponto de vista dos negócios, faz muito mais sentido. A exposição apenas na final era grande, mas rápida. Agora, essa bola será muito mais mostrada”, admite Dean Lockes, vice-presidente de produtos da Adidas.

 

 

A Telstar de 1970. (Crédito: Júlio César Guimarães/UOL)

 

 

Quem gosta de uma história mais polêmica pode contar outra anedota – que não é, necessariamente, verdadeira em todos os seus aspectos. Em 1962, a Nasa lançou um satélite que permitiu, pela primeira vez, uma transmissão de televisão ao vivo entre EUA e Europa. Esse satélite se chamava Telstar e foi essa tecnologia que permitiu que a Copa do Mundo de 1970 fosse a primeira transmitida ao vivo pela TV em todo o planeta.

 

 

A bola daquela Copa do Mundo foi criada já pensando nessas transmissões, com gomos pretos que permitiam uma visualização melhor nas telas. Aliando isso à figura daquele satélite, uma esfera metálica com painéis mais escuros, a Adidas resolveu batizar sua bola de Telstar. Depois de 48 anos, aquele conceito foi renovado e criou-se uma nova bola, com o mesmo nome, para o Mundial de 2018.

 

 

Modelo do satélite Telstar. (Crédito: AFP)

 

 

Não que tenha havido polêmica, mas para evitar ciúmes de russos (e de quem viu problema em ter uma bola batizada em homenagem a um satélite norte-americano na Copa do Mundo da Rússia), uma bola com um nome local foi lançado.

 

E como prêmio para quem chegou até aqui nesse longo texto sobre algo tão trivial quanto uma bola: mechta (ou мечта) significa sonho em russo.

(Fonte: https://navitrine.blogosfera.uol.com.br/2018/05/29 – ESPORTE – Na Vitrine / Por Bruno Doro Do UOL, em Herzogenaurach (Alemanha) – 29/05/2018)

Repórter viajou a convite da Adidas.

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