O primeiro transplante de pênis, escroto e abdome inferior

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O primeiro transplante de pênis, escroto e abdome é um sucesso

 

EM VETERANO DE GUERRA

 

O primeiro transplante de pênis, escroto e abdome inferior, realizado em novembro de 2018, é um sucesso, de acordo com uma nota publicada pelos médicos responsáveis pelo procedimento, no periódico The New England Journal of Medicine, em 7 de novembro.

 

O homem tem ereções quase normais e capacidade de atingir o orgasmo. “Ele tem sensação normal no eixo e na ponta do pênis transplantado e pode localizar a sensação ao toque”, escreveram os autores. O paciente ainda urina em pé, sem esforço, frequência ou urgência, “com a urina descarregada em um fluxo forte”.

 

A nota ainda diz que o transplantado relata uma “autoimagem aprimorada e ‘se sente completo’ novamente e afirma que está muito satisfeito com o transplante e as implicações que ele traz para o futuro.”

 

Paciente perdeu parte inferior do corpo

 

O homem, que permanece anônimo, é um veterano de guerra. Ele estava em patrulha no Afeganistão quando pisou em um dispositivo explosivo escondido na estrada. A bomba fez com que o soldado amputasse ambas as pernas, perdesse parte substancial do tecido na parede abdominal inferior, o escroto e os testículos.

 

Segundo a nota, depois da cicatrização inicial, o paciente apresentava 1,5 cm de tecido peniano com uretra no final do eixo amputado. Mas o tecido escrotal estava ausente, assim como os testículos.

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O painel A mostra uma reconstrução tomográfica computadorizada pré-operatória da extensão da lesão; o B mostra o enxerto; o C mostra o enxerto antes do procedimento, juntamente com imagens clínicas dos dias 8, 15 e 340 do pós-operatório. (Imagem: Redett et al., NEJM, 2019)

 

A perda de tecido genital masculino pode ter efeitos devastadores na função sexual e reprodutiva, bem como no bem-estar psicossocial. Por esse motivo, os médicos da Johns Hopkins desenvolveram uma técnica cirúrgica para esse paciente.

 

Como as artérias da região peniana do homem eram insuficientes para apoiar um transplante tradicional, os especialistas usaram artérias inferiores e profundas do estômago para revascularizar as artérias penianas dorsais e o enxerto. Então, as artérias e as veias do doador jovem, que tinha idade parecida com a do veterano, foram ligadas às do receptor e os dois nervos dorsais do receptor foram coagulados aos do enxerto.

 

Até o momento, apenas quatro transplantes penianos bem-sucedidos foram relatados. Mas o caso desse homem é o primeiro a receber o transplante de pênis, escroto e parede abdominal inferior.

 

Um ano após o procedimento, o paciente relata que sua vida voltou ao normal. Ele retornou à escola em período integral e continua a viver de forma independente usando próteses nas pernas.

 

(Fonte: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2019/11/07 – VIVA BEM / NOTÍCIAS / Do VivaBem, em São Paulo – 07/11/2019)

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