O primeiro protótipo brasileiro

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Cláudio Bonadei era um imigrante italiano. Trabalhava como mecânico na seção de
máquinas da Companhia Singer. Tinha chegado ao Brasil com 20 anos de idade em
1899, depois de interromper no último ano o curso de engenharia da Escola
Politécnica de Parma.
Em 1902, ele já estava casado e com dois filhos. Tinha planos ambiciosos para sua
vida, e a única maneira de vencer seria dando a volta por cima, igualando-se aos
grandes. Precisava possuir um automóvel.
Na cidade de São Paulo daquela época, não havia mais de 16 automóveis
licencidados pela Inspetoria de Veículos. O automóvel era realmente um objeto de
luxo que só podia ser adquirido pelos barões do café, pelos mais ricos industriais, ou
pelos profissionais liberais mais bem sucedidos. Um “hobby” caro. Um privilégio de
milionários.
Assim, nas horas de folga depois do trabalho, Bonadei resolveu construir um carro
na oficina nos fundos de sua casa. Quem não tem cão, caça com gato. Não tinha
recursos financeiros, mas era dotado de força de vontade e imaginação criadora.
Além disso, podia aplicar os conhecimentos técnicos que havia adquirido no curso
de engenharia em Parma. Portanto, mãos à obra. A primeira coisa que fez foi aplicar
algumas economias na compra de um motor e chassi usados. Em seguida, montou a
carroceria que ele mesmo construiu, peça por peça. Além dos paralamas, fez as
rodas com raios de bicicletas e todos os acessórios como a buzina e lanternas. No
estofamento usou cromo vermelho alemão.
Quando o automóvel ficou pronto depois de dois anos, foi pintado de vermelho. Aí
surgiu um problema: só então Cláudio se deu conta que não podia levá-lo à rua, pois
não passava pela porta da oficina. O recurso foi derrubar uma parede.
Afinal, o carro saiu e, no primeiro teste, percorreu a Avenida São João e, sob
aplausos da multidão, subiu a ladeira entre a Rua Libero Badaró e a Praça Antonio
Prado.
Aos domingos, Bonadei costumava levar sua mulher e filhos para passear e muito
orgulhoso, no volante do seu carro, podia saudar, de igual para igual, os grandes da
cidade, como Silvio Álvares Penteado no seu Rochet Schneider de 16 CV ou
Francisco da Cunha Bueno no seu Columbia de 24 CV. Bonadei havia conseguido
status.

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(Fonte: Adaptado da Revista Autos Antigos – Ano V, nº 22)

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