O primeiro brasileiro da história indicado duas vezes ao Oscar

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Carlos Saldanha diz que ‘O Touro Ferdinando’ combina com diversidade do Oscar e comenta chances na premiação

Concorrendo a melhor animação, diretor é primeiro brasileiro da história indicado duas vezes.

 

Carlos Saldanha na estreia de ‘O Touro Ferdinando’ (Foto: Divulgação)

 

 

O Brasil pode ter ficado de fora mais uma vez da corrida pelo Oscar de melhor filme estrangeiro em 2018, mas a indicação de “O touro Ferdinando”, do diretor Carlos Saldanha, mantém o país com o sonho de levar uma estatueta este ano.

 

Para ele, uma mudança recente no perfil da organização que organiza a premiação favoreceu produções com temas como aqueles abordados pela animação.

“O que a Academia vem tentando fazer é ter uma inclusão maior de pessoas de outros lugares, de mulheres”, afirma por telefone ao G1 o cineasta de 53 anos, membro da instituição desde 2004.

Após concorrer como melhor curta de animação no mesmo ano por “Aventura Perdida de Scrat”, ele se tornou o primeiro brasileiro na história com duas indicações.

“Estão expandindo a diversidade das pessoas, não só racial, mas também de outros países. É um movimento muito positivo para criar uma organização mais dinâmica e mais diversa.”

Tudo começou com um esforço da ex-presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, Cheryl Boone Isaacs, em aumentar a diversidade dos membros da instituição.

Após críticas por seguintes ausências de negros entre indicados, a executiva realizou grandes convocações para ampliar seu perfil, antigamente constituído de homens americanos brancos de idade avançada.

 

 

Cena da animação dirigida por Carlos Saldanha, ‘O touro Ferdinando’, indicada ao Oscar (Foto: Divulgação)

 

 

Me chame pelo seu Ferdinando

 

O protagonista da animação, um animal que prefere cheirar flores a enfrentar touradas, é símbolo da comunidade LGBT desde o lançamento do livro infantil de Munro Leaf (1905-1976), “Ferdinando, o Touro”, em 1936.

Saldanha não se preocupou exatamente com sexualidade ao realizar o filme, mas acredita que os temas que o filme aborda, como inclusão e tolerância, estão mais relevantes.

“É uma questão não só do grupo LGBT, mas no geral”, explica. “No caso do ‘Ferdinando’, com certeza ele aborda todas essas questões importantes para esses grupos, as minorias, os gays, todos eles. Gostei da temática da história porque é muito ampla. Afeta a todos.”

“Não é uma bandeira única. É uma bandeira geral nesse momento que a gente vive, de falta de tolerância e de falta de autoconhecimento e autovalorização.”

Ele lembra do indicado a melhor filme, “Me chame pelo seu nome”, sobre o romance entre um jovem e um homem um pouco mais velho.

“Mesmo esse filme tendo uma temática gay, na verdade fala sobre amor. Esse é o ponto forte. Não foi o fato de ser um ‘filme gay’. Isso já tiveram vários. É o fato de ser um filme que foi feito contando uma história de um amor que não tem barreiras.”

 

 

Cena de ‘Rio 2’, de Carlos Saldanha (Foto: Divulgação)

 

 

 

Torcida e Cidade Maravilhosa

 

No próximo domingo (4), ele estará mais uma vez na premiação acreditando na chance de levar uma estatueta, mesmo que reconheça que “Viva: A vida é uma festa”, da Pixar/Disney, é favorita.

“É sempre bom ter o reconhecimento, mas é tranquilo. A gente faz o filme esperando fazer apenas um bom filme, que as pessoas gostem. E quando saem as premiações é como se se fosse um presente, então a gente aproveita o momento”, conta.

“Agora, se vai ganhar, se não vai ganhar, aí é outra etapa, né. Ganhando ou não eu to bem feliz com esse prestígio.”

Nascido no Rio de Janeiro, diretor das duas animações “Rio” e de um segmento do filme/homenagem “Rio, eu te amo”, Saldanha até mora nos Estados Unidos. O que não quer dizer que ele não acompanha o que está acontecendo em sua cidade-natal.

“O Rio de Janeiro é uma cidade complexa, uma cidade com vários problemas e as coisas no momento não estão tão boas como estavam antigamente, mas acho os problemas têm que aflorar para você buscar soluções”, diz o diretor.

“A gente torce para que as decisões sejam bem feitas e bem executadas para que haja uma evolução. E já tiveram boas evoluções, né? O governador está preso. O que é bom. Porque roubou. Então são mudanças que são dolorosas, mas que são necessárias.”

(Fonte: https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/oscar/2018/noticia – POP & ARTE – CINEMA – OSCAR – NOTÍCIA / Por Cesar Soto, G1 – )

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