Sir Norman Angell; ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1933.
Autor de “A Grande Ilusão”; fez campanha por 50 anos contra as guerras de conquista.
Especial para o The New York Times.
O jornalista e escritor britânico Norman Angell é a única pessoa a ter recebido o Prêmio Nobel da Paz pela publicação de um livro. (1933 – Nobel Peace Prize)
Sir Norman Angell (nasceu em 26 de dezembro de 1872, em Holbeach, Reino Unido – faleceu em 7 de outubro de 1967, em Croydon, Reino Unido), por mais de 50 anos um dos principais defensores da paz e vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 1933.
A Futilidade da Guerra
Em 1909, Ralph Norman Angell Lane, filho de um magistrado de uma pequena cidade britânica e de um ex-vaqueiro, garimpeiro e jornalista relativamente obscuro, publicou uma obra que, inicialmente, permaneceria esquecida, mas que depois o catapultaria para a notoriedade, a denúncia, a fama, o respeito e uma carreira de toda a vida a serviço da paz.
Publicado inicialmente como um panfleto intitulado “A Ilusão Óptica da Europa” e posteriormente ampliado e republicado como “A Grande Ilusão”, o volume vendeu mais de um milhão de exemplares em pelo menos 25 idiomas e apresentou o tema essencial de Sir Norman: a futilidade da guerra.
Por meio de mais de 40 livros e inúmeras palestras, ele tentou derrubar a crença na inevitabilidade do conflito. Para tanto, argumentou que a conquista era vã, não trazendo ganho econômico nem para a vítima nem para o vencido. O comércio, insistia ele, não podia ser conquistado pela força das armas e, mesmo que pudesse, a vitória não compensaria o custo.
À medida que a circulação de “A Grande Ilusão” crescia, também crescia a controvérsia em torno da obra. O autor, que adotou o pseudônimo Norman Angell para o trabalho, viu-se denunciado como antipatriótico. Mas, após a Primeira Guerra Mundial, quando o público pôde olhar para trás e perceber — como ele próprio havia apontado — as dificuldades de cobrar dos vencidos os custos da guerra, o respeito por suas ideias se espalhou e ele foi aclamado como um defensor da segurança coletiva.
Não sou pacifista.
Sir Norman fez questão de corrigir a impressão de que era um pacifista absoluto, observando que insistia repetidamente que a guerra muitas vezes trazia benefícios na defesa dos direitos nacionais e das instituições livres. A conquista era o que ele combatia. Em 1939, afirmou não ter dúvidas de que era correto lutar contra os alemães.
Sir Norman, era mais um realista intelectual, que dizia a dura verdade e mantinha viva a fé na razão, do que um visionário idealista. “O julgamento”, disse ele certa vez a um grupo de estudantes da Universidade Columbia, “provavelmente estará errado, a menos que seja sustentado pela dolorosa tarefa de ouvir a pessoa insuportável que tem a impudência de discordar de você, de dar total peso às evidências que podem derrubar sua teoria favorita e que podem mostrar que aqueles que você considera detestáveis estão parcialmente certos.”
Embora tivesse defendido a neutralidade britânica antes da Primeira Guerra Mundial, Sir Norman desviou sua atenção da oposição à guerra para se concentrar na formulação de termos de paz viáveis assim que os combates começaram. Nesse trabalho, ele se associou a Ramsay MacDonald (1866 – 1937), que viria a se tornar o primeiro Primeiro-Ministro trabalhista.
Ingressou no Partido Trabalhista.
Entre 1918 e 1919, Sir Norman passou grande parte do seu tempo em Paris, local da conferência de paz, e a sua angústia com os termos do acordo e a rejeição da Liga das Nações pelos Estados Unidos levaram-no a filiar-se ao Partido Trabalhista no seu regresso a Inglaterra.
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