Nathanael West, autor de “O Dia do Gafanhoto” (1939), época em que Hollywood ainda era o oásis com que todos sonhavam em meio à Grande Depressão

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Nathanael West (17 de outubro de 1903 – 22 de dezembro de 1940), escritor americano, pseudônimo de Nathan Wallenstein Weinstein

West ficou conhecido pela autoria de “O Dia do Gafanhoto” lançado em 1939, época em que Hollywood ainda era o oásis com que todos sonhavam em meio à Grande Depressão – daí o livro ter sido completo fiasco.

Em meados da desiludida década de 70, quando a versão cinematográfica de O Dia do Gafanhoto (The Day off the Locust), 1975, Paramount – estreou, romance homônimo de West, a história já fazia mais sentido para a plateia: na Los Angeles dos anos 30, fracassados e desesperados de todo tipo acorrem para o brilho do cinema, atrás de uma oportunidade milagrosa, como mariposas para uma lâmpada. E não terão destino melhor do que elas.

O inglês John Schlesinger (1926-2003) dirige o filme com um olha impiedoso e um quê de histeria, que fazem de Hollywood uma espécie de cidade de pesadelo.

Cartaz de "O Dia do Gafanhoto" longa de 1975 - (Foto: Divulgação)

Cartaz de “O Dia do Gafanhoto” longa de 1975 – (Foto: Divulgação)

Em termos de enredo, o romance é simples: Tod Hackett, um pintor com formação em Yale e pretensões artísticas, vai trabalha em Hollywood, desenhando figurinos e cenários para filmes banais. Ali, envolve-se com Faye Greener, uma “starlet” inescrupulosa de 17 anos. Filha de um palhaço fracassado, Faye é amada e sustentada por um grandalhão tão generoso quanto submisso, de nome Homer Simpson.

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Vários viram em Faye uma Lolita antes de Lolita de Nabokov, que só viria à luz 16 anos depois, mas não será essa a razão pela qual a obra costuma ser considerada a melhor já escrita sobre Hollywood. Seu encanto reside em dois aspectos dependentes do domínio estilístico de West.

Primeiro, as comparações metafóricas que pontuam a obra, de modo tão sistemático, com humor e imaginação surreal. Uma cena ideada por Tod para um quadro que vinha pintando sob o título de “O Incêndio de Los Angeles” finalmente ocorre, mas não no quadro e sim na vida real.

O acabamento da tela não vem na forma da pintura, mas do movimento espantoso da multidão que vai de um estado de histeria coletiva, à espera do surgimento de alguma celebridade na porta de uma avant-première, aos espasmos e convulsões de um linchamento.

(Fonte: Veja, 15 de setembro de 2004 – ANO 37 – N° 37 – Edição 1871 – Veja Recomenda/ Por Julio Cesar de Barros – Pág: 140/141)

(Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2015/11/1711970- ILUSTRADA – ALCIR PÉCORA – 28/11/2015)

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