Marília Pêra, atriz, cantora, bailarina, diretora, produtora e coreógrafa

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Um dos maiores nomes do teatro e da TV

A atriz Marília Pêra - (Foto: Camila Maia / O Globo)

A atriz Marília Pêra – (Foto: Camila Maia / O Globo)

Marília Pêra (Rio Comprido, no Rio de Janeiro, 22 de janeiro de 1943 – Rio de Janeiro, 5 de dezembro de 2015), atriz, cantora, bailarina, diretora, produtora e coreógrafa

Além de atuar, Marília era cantora, bailarina, diretora, produtora e coreógrafa. Ao longo de sua carreira, fez mais de 50 peças de teatro, 30 filmes e 40 novelas, programas de TV e minisséries, a última delas “Pé na Cova”, de Miguel Falabella, na Rede Globo.

Marília era uma das artistas mais completas do Brasil: além de interpretar, era cantora, bailarina, diretora, produtora e coreógrafa. Trabalhou em mais de 50 peças, quase 30 filmes e cerca de 40 novelas, minisséries e programas de televisão. Um dos últimos trabalhos da atriz foi sua participação na série “Pé na Cova’, da TV Globo, onde interpretava a personagem Darlene.

Marília Soares Pêra nasceu em 22 de janeiro de 1943, no bairro do Rio Comprido, no Rio de Janeiro. Sua primeira entrada em cena aconteceu quando ainda era bebê, fazendo figuração numa peça, informa seu perfil no Memória Globo. Aos quatro anos de idade, ela atuou com os pais no espetáculo “Medeia”. Sua irmã mais nova, Sandra Pêra, também é atriz e cantora.

Entre os 14 e os 21 anos, Marília atuou como bailarina em musicais. Quando tinha 18, viajou por Brasil e Portugal com a peça “Society em baby-doll”. Outro destaque foi “Como vencer na vida sem fazer força”, trabalhando ao lado de Procópio Ferreira, Moacyr Franco e Berta Loran.

Em 1965, Marília foi contratada pelo diretor Abdon Torres para integrar o elenco inicial da TV Globo. Nessa época, fez o papel principal das novelas “Rosinha do sobrado”, “Padre Tião” e “A moreninha”.

Após um período fora da TV Globo, no qual atuou em “Beto Rockfeller” (1968), da TV Tupi, ela foi convidada a voltar por Daniel Filho, em 1971 – viveu Shirley Sexy em “O cafona”, que a tornou ainda mais conhecida. Na sequência, vieram “Bandeira 2” (1971-72) e “Supermanoela” (1974). A partir daí, afastou-se das novelas por oito anos, até aparecer em “O campeão” (1982), exibida pela TV Bandeirantes.

Entre os trabalhos favoritos na TV, no entanto, Marília escolhia duas minisséries: “O primo Basílio” (1988), em que interpretou a vilã Juliana, e “Os Maias” (2001), em que interpretou Maria Monforte.  Na minissérie “JK”, fez a ex-primeira dama do Brasil Sarah Kubitschek.

Já na década de 1990, Marília atuou nas novelas “Lua cheia de amor” (1991) e “Meu bem querer” (1998). Outros trabalhos mais recentes foram em “Começar de novo” (2004); “Cobras & Lagartos” (2006), como a falida, mas ambiciosa, Milu; “Duas caras” (2007), como a alienada Gioconda.

Antes de “Pé na cova”, a amizade com Miguel Falabella já havia rendido papéis no seriado “A vida alheia” (2010), no filme “Polaroides urbanos” (2008) e na novela “Aquele beijo” (2011), todos escritos por ele.

Ao longo de uma carreira que durou praticamente toda sua vida, Marília Pêra destacou-se ainda no cinema. Estrelou filmes como “Pixote, a lei do mais fraco” (1980), “Bar Esperança” (1983), “Tieta do agreste” (1995) e “Central do Brasil” (1996) e “O viajante” (1998).

No teatro, ganhou duas vezes o Prêmio Molière: em 1974, por “Apareceu a Margarida”, e em 1984, por “Brincando em cima daquilo”. Como diretora, esteve por trás de uma das peças de maior sucesso do país, Após um período fora da TV Globo, no qual atuou em “Beto Rockfeller” (1968), da TV Tupi, ela foi convidada a voltar por Daniel Filho, em 1971 – viveu Shirley Sexy em “O cafona”, que a tornou ainda mais conhecida. Na sequência, vieram “Bandeira 2” (1971-72) e “Supermanoela” (1974). A partir daí, afastou-se das novelas por oito anos, até aparecer em “O campeão” (1982), exibida pela TV Bandeirantes.

O retorno às novelas da Globo aconteceu apenas em “Brega & Chique” (1987). Na pele de Rafaela, fez bastante sucesso por sua parceria com Marco Nanini. Anos depois, Marília diria que essa foi a novela que mais gostou de fazer. Ela voltaria a interpretar Rafaela no remake de “Ti-Ti-Ti” (2011), escrito por Maria Adelaide Amaral.

Além disso, nos palcos interpretou Carmen Miranda em diversas ocasiões – “O teu cabelo não nega” (1963), “A pequena notável” (1966), “A Tribute to Carmen Miranda” (1975), apresentada em Nova York, “A Pêra da Carmem” (1986 e 1995) e “Marília Pêra canta, no musical “A estrela Dalva” (1987); Maria Callas, na peça “Master Class” (1996) e a estilista “Coco Chanel”, na peça “Mademoiselle Chanel” (2004).

 

TRAJETÓRIA

Marília Marzullo Pêra, irmã da também atriz e ex-Frenética Sandra Pêra, foi um dos grandes nomes do teatro brasileiro nas últimas sete décadas. Seu pai, o português Manoel Pêra, era ator e tinha uma companhia teatral no Rio; a mãe, Dinorah Marzullo, era atriz. A avó, Antonia Marzullo, fez vários papéis no cinema. Nascida no Rio, em 22 de janeiro de 1943, estreou nos palcos com apenas 19 dias de vida, numa peça que precisava de um bebê.

Apesar da experiência familiar, enfrentou a resistência do pai não queria que ela seguisse a vida artística. Ela insistiu e entrou para o mundo da dança, onde foi atuante dos 14 aos 21 anos, quando participou dos populares espetáculos de revista. Após convencer o pai, conseguiu um papel em “De Cabral a JK”, de Max Nunes. Foi quando conheceu o ator Paulo Graça Mello, com quem se casou aos 16 anos.

 

Marília Pêra recebendo homenagem da Mocidade Alegre (Foto: Caio Kenji/G1)

Marília Pêra recebendo homenagem da Mocidade Alegre (Foto: Caio Kenji/G1)

 

Juntos, se apresentaram no Circo Tihany e, à noite, trabalhavam na boite Plaza, em Copacabana. Encenaram ainda várias peças, como espetáculos infantis do Teatro de Brinquedo. A essa altura, Marília dançava o clássico e o moderno, sabia piano, tinha bons estudos musicais, podia cantar uma partitura à primeira vista, interpretava do lírico à bossa nova e chegou a compor sambinhas com o marido, exímio violonista. Participou da era de ouro dos musicais. Ainda assim, continuava desconhecida.

Aos 18 anos, já era mãe (de Ricardo Graça Mello). Seu primeiro grande papel foi em “Como vencer na vida sem fazer força”, disputado com Elis Regina, em 1964. No ano seguinte, a TV Globo foi inaugurada, e Marília deu início à carreira em telenovelas. A primeira foi “Rosinha do sobrado” (1965), já como protagonista. Na sequência, vieram a primeira versão de “A Moreninha” e, na Tupi, “Beto Rockfeller” (1968).

Paralelamente, conseguia trabalhos cada vez mais sólidos no teatro: “Se correr o bicho pega”, de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar; “A ópera dos três vinténs”, de Bertolt Brecht e Kurt Weill; “A megera domada”, de Shakespeare; e “Roda viva”, de Chico Buarque, pela qual passou a ser perseguida pela Ditadura.

Em 1969, destacou-se como Mariazinha, uma solteirona virgem, em “Fala baixo senão eu grito”, de Leilah Assumpção, papel que lhe deu o primeiro de três prêmios Molière. O segundo foi com o monólogo “Apareceu a Margarida” (1973), de Roberto Athayde e o terceiro, com “Brincando em cima daquilo” (1984), de Dario Fo e Franca Rame. Logo depois, em 1986, dirigiu e coreografou Marco Nanini e Ney Latorraca em “O mistério de Irma Vap”, que ficou 11 anos em cartaz.

Marília colecionou personagens marcantes. Na TV, entre outros, a Shirley Sexy de “O cafona”, a taxista Noeli de “Bandeira 2” (ambas em 1971), a Rafaela de “Brega & chique” (1987) e a vilã Juliana, na minissérie “O primo Basílio” (1988).

No cinema, depois de uma estreia que não a agradou, em “O homem que comprou o mundo” (1968), de Eduardo Coutinho, persistiu na tela grande. Em 1980, recebeu o prêmio de melhor atriz da Associação dos Críticos de Cinema dos Estados Unidos, pela prostituta Sueli em “Pixote, a lei do mais fraco”, de Hector Babenco. “Isso me abriu as portas do mundo, mas não fui trabalhar nos EUA porque não dominava o inglês”, contava. Entre seus 24 filmes, estão “Bar Esperança, o último que fecha” (1983) de Hugo Carvana, e “Central do Brasil” (1998), de Walter Salles.

Mesmo fazendo TV e cinema, em nenhum momento abandonou os palcos. Foi Dalva de Oliveira, dirigiu uma peça sobre Maria Callas e atuou, cantou e dançou na pele de Carmen Miranda. Por sua atuação em “Mademoiselle Chanel” ganhou o Prêmio Faz Diferença 2006, do GLOBO, e o Shell. Em 2013, estrelou “Alô, Dolly!”.

Este ano, Marília foi homenageada pela escola de samba paulistana Mocidade Alegre. No ar no seriado “Pé na cova”, Marília recentemente participou de “Aquele beijo”, em 2011, sua última novela, e esta em “cartaz” no cinema. É ela quem faz a narração de “Chico – Artista brasileiro”, documentario de Miguel Faria Jr. que estreou em novembro.

A CARREIRA DE MARÍLIA PÊRA EM FOTOS

Marília Pêra, uma das mais premiadas atrizes do Brasil. Ela deixou no currículo mais de 40 peças de teatro, mais de 20 filmes e 20 novelas, além de coreografar e dirigir diversos espetáculos. Na imagem, a atriz no teatro Tereza Rachel, em 2010 (Foto: Leonardo Aversa / Agência O Globo)

Marília Pêra, uma das mais premiadas atrizes do Brasil. Ela deixou no currículo mais de 40 peças de teatro, mais de 20 filmes e 20 novelas, além de coreografar e dirigir diversos espetáculos. Na imagem, a atriz no teatro Tereza Rachel, em 2010 (Foto: Leonardo Aversa / Agência O Globo)

 

Em cena com Miguel Falabella no musical "Alô, Dolly", o último de sua carreira, apresentado em 2012. A atriz contracenou e foi dirigida pelo amigo diversas vezes (Foto: Divulgação)

Em cena com Miguel Falabella no musical “Alô, Dolly”, o último de sua carreira, apresentado em 2012. A atriz contracenou e foi dirigida pelo amigo diversas vezes (Foto: Divulgação)

 

Caracterizada como Geni, na peça "Toda nudez será castigada", com texto de Nelson Rodrigues e direção de Moacir Góes (1998) - (Foto: Divulgação)

Caracterizada como Geni, na peça “Toda nudez será castigada”, com texto de Nelson Rodrigues e direção de Moacir Góes (1998) – (Foto: Divulgação)

 

Entre 2004 e 2007, Marília interpretou no teatro, com texto de Maria Adelaide Amaral e direção de Jorge Takla, a estilista francesa Coco Chanel, na peça "Mademoiselle Chanel", encenada no Brasil, França e Portugal (Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo)

Entre 2004 e 2007, Marília interpretou no teatro, com texto de Maria Adelaide Amaral e direção de Jorge Takla, a estilista francesa Coco Chanel, na peça “Mademoiselle Chanel”, encenada no Brasil, França e Portugal (Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo)

 

Em 2008, Marília Pêra caracterizada como Florence Foster Jenkins, do musical "Gloriosa", dirigido por Charles Moeller e Cláudio Botelho (Foto: Robert Schwenck / Agência O Globo)

Em 2008, Marília Pêra caracterizada como Florence Foster Jenkins, do musical “Gloriosa”, dirigido por Charles Moeller e Cláudio Botelho (Foto: Robert Schwenck / Agência O Globo)

 

Em 1997, Marília atuou no premiadíssimo filme "Central do Brasil", de Walter Salles. No longa, que teve Fernanda Montenegro no elenco, ela interpretou a personagem Irene (Foto: Divulgação)

Em 1997, Marília atuou no premiadíssimo filme “Central do Brasil”, de Walter Salles. No longa, que teve Fernanda Montenegro no elenco, ela interpretou a personagem Irene (Foto: Divulgação)

 

Em cena com Sonia Braga na pele da personagem Perpétua, no filme "Tieta do Agreste", dirigido por Carlos Diegues, em 1995 (Foto: Divulgação)

Em cena com Sonia Braga na pele da personagem Perpétua, no filme “Tieta do Agreste”, dirigido por Carlos Diegues, em 1995 (Foto: Divulgação)

 

Em 1980, a atriz atuou em "Pixote, a lei do mais forte", filme de Hector Babenco, como Sueli (Foto: Reprodução)

Em 1980, a atriz atuou em “Pixote, a lei do mais forte”, filme de Hector Babenco, como Sueli (Foto: Reprodução)

 

Ao lado de Hugo Carvana, amigo pessoal e diretor do filme "Bar Esperança, sempre o último que fecha", que lhe rendeu diversos prêmios de melhor atriz (Foto: Reprodução)

Ao lado de Hugo Carvana, amigo pessoal e diretor do filme “Bar Esperança, sempre o último que fecha”, que lhe rendeu diversos prêmios de melhor atriz (Foto: Reprodução)

 

 

Imagem do documentário "Jogo de cena", dirigido por Eduardo Coutinho. Esta foi a última aparição de Marília no cinema, em 2007. O diretor foi a primeiro a trabalhar com ela num longa, em 1967, em "O homem que comprou o mundo" (Foto: Reprodução)

Imagem do documentário “Jogo de cena”, dirigido por Eduardo Coutinho. Esta foi a última aparição de Marília no cinema, em 2007. O diretor foi a primeiro a trabalhar com ela num longa, em 1967, em “O homem que comprou o mundo” (Foto: Reprodução)

 

Na TV, Marília estreou em 1965, na novela "Rosinha do Sobrado", da TV Globo. Na trama, ela interpretou a personagem-título (Foto: Memória Globo / TV GLobo)

Na TV, Marília estreou em 1965, na novela “Rosinha do Sobrado”, da TV Globo. Na trama, ela interpretou a personagem-título (Foto: Memória Globo / TV GLobo)

 

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Em 1969, na adaptação para a TV do romance "A moreninha", de Joaquim Manoel de Macedo. Em cena com Henriqueta Brieba e Gracindo Júnior (Foto: Memória Globo / TV Globo) Em 1969, na adaptação para a TV do romance “A moreninha”, de Joaquim Manoel de Macedo. Em cena com Henriqueta Brieba e Gracindo Júnior (Foto: Memória Globo / TV Globo)

 

Em 1987, Marília caracterizada como Rafaela, sua personagem na novela "Brega e Chique", onde contracenou com Gloria Menezes (Foto: TV Globo)

Em 1987, Marília caracterizada como Rafaela, sua personagem na novela “Brega e Chique”, onde contracenou com Gloria Menezes (Foto: TV Globo)

 

 

Em "O primo Basílio", de 1988 (Foto: Divulgação)

Em “O primo Basílio”, de 1988 (Foto: Divulgação)

 

Marília, Ana Paula Arósio e Fábio Assunção nos bastidores da série "Os maias", da TV Globo, em 2001 (Foto: Roberto Steinberger / Divulgação)

Marília, Ana Paula Arósio e Fábio Assunção nos bastidores da série “Os maias”, da TV Globo, em 2001 (Foto: Roberto Steinberger / Divulgação)

 

Marília Pêra e José Wilker foram os protagonistas da minissérie "JK", em 2005. Ele foi ex-presidente Juscelino Kubitschek; ela, a primeira-dama, Sarah (Foto: João Miguel Júnior / TV Globo)

Marília Pêra e José Wilker foram os protagonistas da minissérie “JK”, em 2005. Ele foi ex-presidente Juscelino Kubitschek; ela, a primeira-dama, Sarah (Foto: João Miguel Júnior / TV Globo)

 

 

Em 2010, Marília se diverte com os amigos e colegas de trabalho de "A vida alheia", o ator, diretor e escritor Miguel Falabella e a atriz Claudia Jimenez (Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo)

Em 2010, Marília se diverte com os amigos e colegas de trabalho de “A vida alheia”, o ator, diretor e escritor Miguel Falabella e a atriz Claudia Jimenez (Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo)

 

A última participação de Marília Pêra na TV foi na série "Pé na cova". Na imagem, o personagem de Miguel Falabella, o Ruço, e a de Marília, Darlene (Foto: Estevam Avellar / TV Globo)

A última participação de Marília Pêra na TV foi na série “Pé na cova”. Na imagem, o personagem de Miguel Falabella, o Ruço, e a de Marília, Darlene (Foto: Estevam Avellar / TV Globo)

 

Entre 2012 e 2014, Marília foi diretora da peça Callas, com Claudia Ohana e Cassio Reis (Foto: Divulgação)

Entre 2012 e 2014, Marília foi diretora da peça Callas, com Claudia Ohana e Cassio Reis (Foto: Divulgação)

 

No final de 2014, Marília frequentou a quadra da escola de samba de São Paulo Mocidade Alegre. O enredo da agremiação foi em homenagem à carreira da atriz (Foto: Divulgação)

No final de 2014, Marília frequentou a quadra da escola de samba de São Paulo Mocidade Alegre. O enredo da agremiação foi em homenagem à carreira da atriz (Foto: Divulgação)

 

 

Marília Pêra interpreta Carmen Miranda em ensaio para o Caderno ELA, em 2005 (Foto: Leonardo Aversa / O Globo)

Marília Pêra interpreta Carmen Miranda em ensaio para o Caderno ELA, em 2005 (Foto: Leonardo Aversa / O Globo)

 

No carnaval de 2010, Marília como Coco Chanel no desfile da escola de samba carioca Porto da Pedra (Foto: Marcelo Carnaval / Agência O Globo)

No carnaval de 2010, Marília como Coco Chanel no desfile da escola de samba carioca Porto da Pedra (Foto: Marcelo Carnaval / Agência O Globo)

 

Em ensaio para o Segundo Caderno, de O Globo, quando completou 70 anos (Foto: Leonardo Aversa / Agência O Globo)

Em ensaio para o Segundo Caderno, de O Globo, quando completou 70 anos (Foto: Leonardo Aversa / Agência O Globo)

 

 

Dama do teatro brasileiro

 

Lenise Pinheiro/Folhapress

Marília Pêra como Coco Chanel

Filha dos atores Manuel Pêra e Dinorah Marzullo, Marília Pêra pisou no palco de um teatro pela primeira vez aos quatro anos de idade, ao lado dos pais. Dos 14 aos 21 anos atuou como bailarina e participou de musicais e revistas, entre eles, uma versão de “My Fair Lady” protagonizado por Bibi Ferreira em 1962. Fez 28 filmes, entre novelas e minissérie foram 38, mas foi no teatro sua maior produção na carreira: aproximadamente 56 espetáculos, entre dramas, comédias e musicais.

 

Famosa por suas interpretações de personalidades como a soprano Maria Callas, a cantora Dalva de Oliveira e a estilista Coco Chanel no teatro, Marília se especializou no papel de Carmem Miranda, a quem interpretou cinco vezes.

A primeira foi em “O Teu Cabelo Não Nega” (1963), uma biografia de Lamartine Babo. Depois no espetáculo “A Pequena Notável” (1966); “A Tribute to Carmen Miranda”, no Lincoln Center, em Nova York (1975), dirigido por Nelson Motta (que também foi seu marido); “A Pêra da Carmem”, em 1986 e em 1995; e o musical “Marília Pêra canta Carmen Miranda” (2005), dirigido por Maurício Sherman.

Sua interpretação de “Mademoiselle Chanel” também foi muito elogiada pela crítica, inclusive a francesa. A atriz se apresentou em Paris de 24 de junho a 2 de julho de 2005 e, segundo reportagem do jornal “O Estado de S.Paulo”, foi aplaudida de pé pelos parisienses em todas suas apresentações, em português com legenda em francês.

Seus dotes de cantora também eram notáveis fora do teatro musical. Em 1964, Marília derrotou ninguém menos que Elis Regina em um teste para o musical “Como Vencer na Vida sem Fazer Força”. “Minha voz não era melhor do que a da Elis, mas eu tinha experiência. No mundo, nunca vi ninguém cantando como ela.”

TV e cinema

Marília Pêra estreou na TV em 1965, na novela “A Moreninha”. No entanto, seu primeiro grande sucesso na teledramaturgia foi “Beto Rockefeller” (1968), em que contracenou com o ator Luís Gustavo. Seus papeis de maior destaque depois disso foram nas comédias do horário das 19h.

O primeiro deles foi Rafaela Alvaray, em “Brega & Chique”, trama de Cassiano Gabus Mendes que foi ao ar em 1987. No folhetim, Marília interpretava uma perua que, após a morte do marido, tem de abdicar do luxo e viver em um subúrbio vendendo marmitas.

Três anos depois, de volta ao horário das 19h como protagonista de “Lua Cheia de Amor”, no papel de Genu, uma feirante que batalha para dar aos filhos todas as oportunidades que não teve, mas que sofre com o desprezo deles, já que também é bastante simplória. Em 2006, volta em “Cobras & Lagartos”, de João Emanoel Carneiro, no papel de Milu, uma trambiqueira.

O mais recente trabalho de Marília na TV foi como a perua Darlene, a ex-mulher de Ruço (Miguel Falabella) no seriado “Pé Na Cova”. A parceria com o ator e diretor começou em 2010, com a série “A Vida Alheia”, em que Marília interpretava Catarina Faissol, a implacável dona de uma revista de celebridades homônima. Um ano depois, ela interpretou a vilã Maruschka, na novela “Aquele Beijo”, também escrita por Falabella. Em 2013, os dois contracenaram no musical “Alô, Dolly”, que foi um grande sucesso de público.

Embora tenha tido uma carreira bastante prolífica no cinema nacional (fez cerca de 30 filmes), seus trabalhos mais marcantes foram “Tieta do Agreste”, em que interpretava a amargurada Perpétua; “Central do Brasil”, que foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 1998; e o aclamado “Pixote: a Lei do Mais Fraco”, do diretor Hector Babenco.

Fora do palco Marília Pêra se casou pela primeira vez aos 17 anos, com o primeiro homem a beijá-la, o músico Paulo da Graça Mello, morto num acidente de carro em 1969. Da união, nasceu o também ator Ricardo Graça Mello, com quem Marília contracenou em “Pé na Cova”. Mais tarde, foi casada com o ator Paulo Villaça, parceiro em “Fala Baixo Senão Eu Grito”, e com Nelson Motta, com quem teve as filhas Esperança e Nina.

Nos anos 1960, chegou a ser presa durante a apresentação da peça “Roda Viva” (1968), de Chico Buarque, e obrigada a correr nua por um corredor polonês. Considerada comunista, foi presa uma segunda vez quando policias invadiram sua residência, assustando a todos, inclusive o filho de sete anos, que dormia. Em 1989, no entanto, declarou na TV seu apoio ao então candidato Fernando Collor de Melo.

Sobre a morte, em entrevista ao jornal “O Globo”, em dezembro de 2012, falou sobre como a perda de seus amigos a deixava impressionada. “A morte… Uma coisa tem me abalado muitíssimo no último mês. (…) Essa coisa louca que foi morrer Marcos Paulo e Alcione Araújo. Vou para o cemitério, vejo meus amigos naqueles caixões, depois vou para “Pé na Cova”, em que eu e Miguel somos donos de uma funerária. Havia cenas com caixões, os figurantes deitados, e a gente ali, com aquele texto iconoclasta falando dos mortos. É uma consciência da presença da morte, muita tristeza por causa dos amigos, mas com muito bom humor por causa do Miguel. Uma loucura. Mas é interessante.”

LINHA DO TEMPO

 

 

Linha do Tempo

Linha do Tempo

Marília Pêra morreu em 5 de dezembro de 2015, no Rio de Janeiro, aos 72 anos. A atriz, que lutava contra um câncer de pulmão havia 2 anos, morreu em casa, ao lado da família.

(Fonte: http://tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2015/12/05 – TV E FAMOSOS – Do UOL, em São Paulo – 05/12/2015)

(Fonte: http://g1.globo.com/pop-arte/fotos/2015/12 – POP & ARTE – 05/12/2015)

(Fonte: http://oglobo.globo.com/cultura/revista-da-tv -18228331#ixzz3tU9Kc2Iw – CULTURA – TV – POR O GLOBO – 05/12/2015)

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