Marcel Bigeard, general liderou as forças coloniais francesas nas guerras da Indochina e da Argélia

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General que liderou a França na guerra da Indochina

Marcel Bigeard (1916-2010), um dos mais condecorados soldados franceses da história

O general liderou as forças coloniais francesas nas guerras da Indochina e da Argélia

 

General Bigeard, sua esposa e um grupo de seus veteranos que o visitaram em março de 2010.

 

Marcel Bigeard (Toul, França, 14 de fevereiro de 1916 – Toul, França, 18 de junho de 2010), Tenente-General, foi um dos mais condecorados soldados franceses da história, general liderou as forças coloniais francesas nas guerras da Indochina e da Argélia.

Bigeard combateu ainda com a resistência contra o nazismo na Segunda Guerra e foi um dos militares mais condecorados do país.

Nascido em Toul, no nordeste da França, Bigeard trabalhava em um banco ao ser chamado para o serviço militar em 1939, sendo designado para o 79º Regimento de Infantaria de Fortaleza. Provando-se um excelente soldado, Bigeard foi rapidamente promovido, mas com a invasão do país pela Alemanha, ele foi capturado em junho de 1940. Após duas tentativas frustradas, Bigeard escapou do campo de prisioneiros em 11 de novembro de 1941, conseguindo chegar à África e se juntar à Forças Francesas Livres. Enviado para a Inglaterra para receber treinamento em operações especiais, ele saltou sobre a França em 1944 para liderar um departamento da Resistência Francesa na região de Ariège, na fronteira com a Espanha. Bigeard se mostrou um destemido líder em combate, e certa vez emboscou um numeroso grupamento alemão com apenas uns poucos homens, sendo condecorado pelos ingleses com a Distinguished Service Order.

Em outubro de 1945, Bigeard foi enviado à Indochina Francesa, sendo responsável por restaurar a influência do país na colônia, após a ocupação japonesa. Lá ele criou o 6º Batalhão Colonial de Paraquedistas, uma unidade reconhecida por sua capacidade física e ferocidade em combate. Ele fazia seus soldados correrem 25 km por vez, para mantê-los em forma; também exigia que se barbeassem diariamente, não importando as condições, e distribuía cebolas cruas ao invés da tradicional ração de vinho, pois dizia que “o vinho reduz a estamina“. Com o início da insurreição nacionalista do Viet Minh, os franceses começaram a perder terreno rapidamente, e em março de 1954 Bigeard e seus homens saltaram sobre a fortaleza de Dien Bien Phu para reforçar a guarnição local. Enfrentando forças numericamente superiores, ele liderou uma encarniçada resistência, inflingindo pesadas baixas ao inimigo. Contudo, a 7 de maio, a fortaleza se rendeu e Bigeard foi capturado junto com seus soldados. Ele recusou-se a esconder sua identidade, numa atitude típica de sua personalidade.

Repatriado seis meses depois, ele retornou ao serviço ativo, desta vez contra a crescente rebelião na Argélia. Durante o conflito, Bigeard comandou o 3º Regimento Colonial de Paraquedistas, participando de inúmeras operações, liderando sempre da frente. Bigeard desprezava os nobres “generais de meia-idade“, que preferiam liderar de seus QGs na retaguarda, o que angariou para ele muita antipatia por parte do Supremo Comando das Forças Armadas. A ação pela qual tornou-se famoso foi a Batalha de Argel, em 1957, na qual ele foi responsável por destruir a Frente de Libertação Nacional da Argélia (FLN), no centro da cidade. Suas forças foram bem-sucedidas em neutralizar a resistência argelina através de patrulhas e o uso do que ele chamou de “interrogatórios musculares“.

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Embora não fosse realmente um segredo, o uso de tortura pelos franceses durante a Guerra da Argélia é tido como um tabu na França. Embora admitisse que a prática existia – considerando-a “um mal necessário“, Bigeard sempre disse que nunca se envolveu pessoalmente. Ele justificou a tortura com base nos ataques com bombas perpetrados pela FLN contra civis franceses: “É fácil não fazer nada quando você vê mulheres e crianças com seus membros explodidos por bombas?” Apesar de negar seu envolvimento, uma argelina (ex-FLN) disse ao jornal Le Monde que foi torturada por três meses, e um dos mandantes era exatamente Marcel Bigeard. Outros depoimentos dizem que prisioneiros eram jogados no Mediterrâneo de helicópteros, e seus corpos eram conhecidos por “camarões de Bigeard”. O velho general permaneceu negando tais alegações pelo resto da vida, dizendo que eram “uma rede de mentiras, destruindo tudo o que ainda é decente na França“. Charles de Gaulle chamava-o de “O Heróico Bigeard”, e condecorou-o com a Grã-Cruz da Legião da Honra, o grau supremo da mais alta condecoração francesa.

Após a voltar da Argélia, Bigeard recebeu o comando de uma escola militar. Em 1967 foi nomeado comandante das forças francesas no Senegal e, entre 1975 e 1976, serviu como Secretário de Estado do Ministério da Defesa. Ele aposentou-se em 1976 com a patente de Tenente-General e uma imensa lista de condecorações, além de uma reputação mundialmente famosa. O historiador inglês Martin Windrowdescreveu-o como “um intuitivo mestre do terreno, que conseguia conduzir uma batalha por mapas e rádio como um maestro diante de uma orquestra“. Marcel Bigeard escreveu 16 livros, entre memórias e manuais de técnicas anti-insurgência. É dito que o General americano David Paetreus, comandante das forças dos EUA no Iraque entre 2007 e 2008, mantém uma foto autografada de Bigeard em sua mesa.

Marcel Bigeard faleceu em Toul, França, em 18 de junho de 2010, aos 94 anos, de causas naturais, informou hoje o Ministério da Defesa da França.

A morte ocorre no momento em que a França lembra o 70º aniversário do desafiador discurso pronunciado pelo general Charles de Gaulle, na rádio BBC, em que ele pediu ao povo francês que resistisse por todos os meios à ocupação nazista.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, que estava em Londres para participar da comemoração, expressou em uma declaração sua “profunda tristeza” pela morte de Bigeard, considerado por ele um “entusiasmado patriota”.

(Fonte: http://www.rafaelrequena.com.br/saladeguerra –

(Fonte: http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral – INTERNACIONAL – GERAL/ Por AE-AP, Agência Estado – 18 Junho 2010)

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