José Cutrale Júnior, megaempresário do setor de citricultura, fundou uma das maiores exportadoras mundiais de suco de laranja, a Cutrale

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José Cutrale, o patriarca da laranja

CONDOMÍNIO EM FORMA DE CORAÇÃO Alguns diretores da Cutrale vivem neste condomínio em forma de coração, em um terreno cercado de laranjais em Araraquara, no interior de São Paulo

CONDOMÍNIO EM FORMA DE CORAÇÃO
Alguns diretores da Cutrale vivem neste condomínio
em forma de coração, em um terreno cercado de laranjais
em Araraquara, no interior de São Paulo

José Cutrale Júnior (Araraquara, 1926 – Araraquara, 29 de dezembro de 2004), megaempresário do setor de citricultura, o “rei da laranja”, fundou uma das maiores exportadoras mundiais de suco de laranja, a Cutrale.

Famoso por ser um negociador implacável com clientes e fornecedores, o empresário tornou-se respeitado mundialmente no ramo da citricultura por ter transformado a Sucocítrico Cutrale na maior fabricante mundial de suco de laranja. 

José Cutrale Júnior, foi exemplo típico de empresário que, apesar da falta de estudos, conseguiu conquistar o mundo. Largou a escola e começou a trabalhar com o pai ainda adolescente. Nos anos 50, comprou a primeira fazenda do grupo e, em 1967, fundou a Cutrale.

Cutrale Júnior tirou vantagem de uma geada que destruiu laranjais na Flórida para crescer mundialmente. Ele se associou à Coca-Cola para a produção do suco Minute Maid e, quando os EUA adotaram medidas antidumping contra a Cutrale, transferiu parte da produção para lá.

Filho de um imigrante italiano, Cutrale Jr. começou a carreira trabalhando na banca de frutas de seu pai, no Mercado Municipal de São Paulo. Na década de 60, fundou a Cutrale e iniciou suas incursões no exterior. Teve muito sucesso na virada dos anos 60 para os 70, quando geadas devastaram as plantações da Flórida e o preço da laranja disparou. A Cutrale capitalizou-se e acelerou o ritmo de investimentos. 

José Cutrale, o patriarca da laranja (Foto: Divulgação)

José Cutrale, o patriarca da laranja (Foto: Divulgação)

Cutrale Júnior morreu em dezembro de 2004, no município paulista de Araraquara, aos 78 anos, deixando a empresa, já uma gigante, nas mãos do filho, José Luís Cutrale, hoje o brasileiro é considerado o “rei da laranja” no mundo.

Atualmente, o gigantesco porte de suas operações dificulta avaliações a respeito do patrimônio da família e da empresa. A Cutrale responde por mais de 30% das exportações brasileiras de concentrado de laranja. Conta com cinco fábricas no estado de São Paulo (Colina, Araraquara, Itápolis, Conchal e Uchôa), além de fazendas no Brasil e na Flórida, navios e terminais portuários. A morte de Cutrale Jr. não deverá comprometer o ritmo dos negócios. Há tempos, seu filho José Luiz Cutrale comanda a empresa. Apesar de afastado do dia-a-dia dos negócios, Cutrale Jr. ainda era influente na estratégia.

José Luiz Cutrale (Foto: www.msnegocios.com.br/Divulgação)

José Luiz Cutrale (Foto: www.msnegocios.com.br/Divulgação)

Expansão

A expansão da empresa no Brasil e no exterior não ocorreu sem controvérsias. Nos Estados Unidos, a Cutrale foi alvo de queixas trabalhistas sobre salários e demissões. No Brasil, já sofreu condenações por supostos atos de discriminação e foi flagrada em condições irregulares de trabalho. À época, a empresa negou as suspeitas.

No Brasil, a empresa manteve boas relações com diferentes governo. O nome da Cutrale costuma figurar entre os de doadores de verbas para campanhas eleitorais – em 2010, a empresa doou para os comitês de Dilma Rousseff, do PT, e de José Serra, do PSDB.

José Luís Cutrale foi nomeado para integrar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), órgão consultivo que reunia governo e sociedade civil, no governo Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Em 2009, a Cutrale virou notícia quando o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) destruiu plantações de laranja de uma de suas fazendas. O então presidente Lula chamou a ação de “vandalismo”.

(Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2014/08/13 – NOTICIAS/ Por Luiza Bandeira – Da BBC Brasil em Londres – 13/08/2014)

(Fonte: Veja, 5 de janeiro de 2005 – ANO 38 – Nº 1 – Edição 1886 – DATAS – Pág: 83)

(Fonte: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias -m0075526 – NEGÓCIOS – 30/12/2004)

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