Criou a primeira escola de Economia do país

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Influenciou toda uma geração ao criar a primeira escola de Economia do país

Eugênio Gudin (Foto: acervo.oglobo.globo.com/Reprodução)

Eugênio Gudin (Foto: acervo.oglobo.globo.com/Reprodução)

O pai da economia brasileira

Eugênio Gudin Filho (Rio de Janeiro, 12 de julho de 1886 – Rio de Janeiro, 24 de outubro de 1986), engenheiro, economista, professor, empresário, ex-ministro de Estado e jornalista carioca. Um homem nascido no Império dois anos antes da Abolição da Escravatura que ultrapassou o umbral dos 100 anos, celebrados em julho de 1986 -, marcou o fim de um dos mais articulados e legendários pensadores do Brasil. Patriarca dos economistas brasileiros e grande totem do pensamento conservador no país, uma existência secular em que, como poucos, teve o privilégio de viver e ser protagonista de todos os períodos da História brasileira do século XX.

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A folha corrida das realizações deixadas por Gudin é extensa, mesmo para quem viveu 100 anos inteiros. Como engenheiro, construiu pontes, canalizações e barragens no Rio de Janeiro e no Nordeste. Foi, porém, seu talento como economista, descoberto apenas na maturidade, que fez Gudin deixar sua marca pessoal imprimida na vida do país. Intransigente adversário da presença do Estado na economia e crítico feroz da inflação e dos desperdícios, Gudin influenciaria com suas ideias toda uma geração ao criar a primeira escola de Economia do país, a Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas, no Rio de Janeiro, em 1938. Graças a seu incentivo às pesquisas, o Brasil passou a contar, pela primeira vez, com dados indispensáveis ao controle de qualquer economia moderna – índices de preços, balanço de pagamentos e das contas nacionais.

A oportunidade de colocar na prática suas ideias surgiu em 1954, ao assumir o comando do Ministério da Fazenda no governo-tampão de Café Filho. Onze anos antes, ele lançara o livro Princípios de Economia Monetária, uma espécie de cartilha para notáveis como os ex-ministros Mário Henrique Simonsen, seu primo, Roberto Campos e Octávio Gouvêia de Bulhões. A experiência no ministério só durou sete meses. As fortes resistências à dura receita prescrita por Gudin para disciplinar a economia brasileira, à base de cortes no orçamento e nos subsídios, levaram-no à renúncia. Polêmico, Gudin não tinha receio de defender teses impopulares. Ele foi uma das poucas vozes na década de 50 a se levantar contra a criação da Petrobrás, fiel a sua filosofia contra a interferência do governo na economia. Foi também um ferino criador de frases de efeito. Sobre Getúlio Vargas, alvo das inúmeras farpas que lançou aos principais dirigentes do país nas últimas décadas, Gudin disparou: “Ele tinha horror ao raciocínio”.

O pai da economia brasileira morreu no dia 24 de outubro de 1986, aos 100 anos, no Rio de Janeiro.

(Fonte: Veja, 29 de outubro de 1986 -– Edição 947 -– Datas -– Pág; 130 – Memória/Para a História –- Pág; 119)

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