Elia Kazan, fundou com Robert Whitehead, o primeiro grupo de teatro de repertório no Lincoln Center

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Diretor fundamental para uma geração de atores de Hollywood defendeu delação como “fidelidade a si mesmo”

Realizações e polêmica perpetuam Kazan

 

 

Elia Kazan

Elia Kazan

 

 

Elia Kazan (Istambul, Turquia, 7 de setembro de 1909 – Manhattan, Nova York, 28 de setembro de 2003), ele foi o melhor diretor de atores de cinema e teatro norte-americanos na história, tendo descoberto Marlon Brando, James Dean, Warren Beatty e redefinido a arte da interpretação cinematográfica. 

 

Cineasta turco radicado desde a infância nos Estados Unidos, ele assinou clássicos como Sindicato dos LadrõesUma Rua Chamada Pecado e O Último Magnata.

 

As realizações no teatro e no cinema de Elia Kazan, ajudaram a definir a experiência norte-americana, para mais de uma geração.

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Foi um dos fundadores, e por muito tempo diretor, do Actors Studio; fundou também, com Robert Whitehead, o primeiro grupo de teatro de repertório no Lincoln Center; participou do famoso Group Theater, nos anos 30; era o diretor predileto de toda uma geração de novos dramaturgos norte-americanos, incluindo os dois mais importantes, Tennessee Williams e Arthur Miller; e, na velhice, se tornou um romancista de sucesso.

Recebeu dois prêmios Tony como diretor e, em Hollywood, sete dos filmes de Kazan conquistaram um total de 20 Oscars. Ele recebeu o Oscar de direção por “A Luz é Para Todos”, um manifesto anti-semita de 1947, e por “Sindicato de Ladrões”, em 1954.

Kazan também recebeu um Oscar honorário pelas realizações de sua carreira, em 1999, quando Martin Scorsese e Robert De Niro o elogiaram copiosamente, e De Niro o classificou como “o mestre de uma nova fé comportamental e psicológica no trabalho do ator”. O prêmio gerou controvérsias porque, em 1952, Kazan atraiu a ira de muitos de seus amigos e colegas ao admitir, perante o Comitê de Atividades Antiamericanas, que fora membro do Partido Comunista entre 1934 e 1936, e por ter revelado os nomes de oito outros membros do partido.

O Group Theater, no qual participava nos anos 30, continha uma célula comunista secreta, da qual Kazan fez parte por quase dois anos. Mas quando o Partido Comunista norte-americano ordenou que a célula tomasse o controle do grupo, Kazan se recusou. Em uma reunião especial, foi denunciado como “capataz” bajulando os patrões, e foi instruído a se retratar e a se submeter à autoridade do partido. Em lugar de fazê-lo, ele abandonou os comunistas e escreveu mais tarde que essa experiência lhe ensinara “tudo que eu precisava saber sobre o Partido Comunista dos EUA e sua maneira de operar”.

Dezessete anos mais tarde, quando chamado a depor diante do Comitê de Atividades Anti-Americanas da Câmara, Kazan inicialmente se recusou a acusar seus colegas. Mas os magnatas de Hollywood o aconselharam a mudar de idéia, para não destruir sua carreira. A decisão que tomou lhe custou muitos amigos. Anos mais tarde, Kazan expressou dúvidas. “Agi de maneira correta”, escreveu. “Mas agi certo?”

Kazan declarou igualmente que o grande sucesso de “Sindicato de Ladrões” pôs fim ao seu medo de que sua carreira corresse perigo. “De repente, ninguém mais se incomodava com minha posição política, ou que eu fosse controverso, ou difícil. Depois de “Sindicato”, eu podia fazer o que quisesse. Hollywood é assim”.

Questionado sobre os motivos de sua denúncia de colegas, ele mencionou “um raciocínio capcioso que silenciou muitos liberais”, que expôs assim: “Você pode odiar os comunistas, mas não deve atacá-los, porque dessa maneira estaria atacando o direito de manter opiniões impopulares. O ato “horrível e imoral” que eu pratiquei foi motivado por minha fidelidade a mim mesmo”.

Elia Kazan morreu em Manhattan, em 28 de setembro de 2003, aos 94 anos.

(Fonte: https://www.terra.com.br/istoegente/218/aconteceu – Edição 218 – ACONTECEU – TRIBUTO / por Dirceu Alves Jr. – 06/10/2003)

(Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada – FOLHA DE S.PAULO – ILUSTRADA – MEMÓRIA – DO “NEW YORK TIMES” – 30 de setembro de 2003)

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