Pela primeira vez o excesso de energia leva ONS a exigir o plano para gestão de excedentes de energia do sistema nacional

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Excesso de energia leva ONS a exigir pela primeira vez corte de produção até de pequenas usinas

Com demanda em baixa e excedente de produção em painéis solares, operador do sistema elétrico brasileiro adota medidas inéditas no domingo

 

O  Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que acionou, pela primeira vez, o plano para gestão de excedentes de energia do sistema nacional, que foi aplicado no domingo (7).

Isso ocorre por conta da forte produção de energia solar em telhados de residências e empresas e pelo consumo baixo ocasionado pelas temperaturas amenas, pelo fato de ser um domingo, quando há muito menos demanda da indústria e do comércio, e pelo feriado prolongado.

Em dias de forte irradiação solar e temperaturas amenas, quando a carga é reduzida e a contribuição da micro e minigeração distribuída (como é chamada a geração de energia em telhados) alcança patamares elevados, o sistema elétrico pode ser submetido a situações de demanda líquida muito baixa.

Essa demanda mais baixa coincide com uma grande quantidade de geração que o sistema não consegue controlar (como a energia renovável) e com baixa capacidade de inércia, de controle de frequência e de controle de tensão — que são fundamentais para manter a segurança do sistema.

Desse modo, essas situações podem afetar a capacidade de o ONS manter a operação segura. Uma data considerada emblemática desse cenário foi o Dia dos Pais do em 2025, quando o sistema passou perto de um colapso momentâneo. Foi uma situação causada por um excesso de geração de energia por painéis solares e a falta de controle que o operador do sistema tem sobre esses aparelhos.

Para amanhã, o ONS solicitou a redução dos recursos da geração centralizada, que são as grandes usinas e que estão sob sua responsabilidade, como grandes hidrelétricas.

Esgotada essa providência, foi necessário colocar em prática o Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição, aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica.

O ONS acionou as distribuidoras para que reduzissem a geração sob sua área de concessão, uma vez que o operador não possui controle sobre essas fontes. Com isso, serão cortadas usinas de pequeno porte, conectadas diretamente à rede de distribuição e que não são controladas pelo operador. Em geral, Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), usinas a biomassa e usinas eólicas e solares de menor porte.

O operador disse em nota que seguirá acompanhando e coordenando ações no sistema, fazendo a gestão dos recursos disponíveis, de acordo com a demanda da sociedade em comunicação direta com os agentes do setor. “Segue também atento à nova realidade eletroenergética e trabalhando para garantir a segurança e a eficiência do sistema, de acordo com os procedimentos de rede vigentes”.

Também em nota, a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) afirmou que as empresas de energia elétrica estão preparadas para executar o plano. As 12 distribuidoras que executarão os cortes são:

  • CPFL Paulista
  • Cemig (Cemig D)
  • Energisa MT
  • Copel (Copel D)
  • Neoenergia Elektro (Elektro)
  • Celesc
  • Equatorial GO
  • Energisa MS
  • Neoenergia Coelba (Coelba)
  • RGE
  • EDP Espírito Santo (EDP ES)
  • Neoenergia Pernambuco (Neoenergia PE)

Esse grupo foi priorizado por concentrar cerca de 80% de toda a potência instalada das usinas pequenas, inseridas o plano.

“Do ponto de vista operacional, a Abradee ressalta a necessidade de maior detalhamento dos procedimentos, permitindo que os eventuais cortes sejam feitos pelos geradores de acordo com critérios claros, robustos e definidos. A ausência desses pontos, na visão da Associação, pode trazer insegurança jurídica para todo o setor elétrico”, afirma a associação.

A entidade diz ainda que o desafio de operar o sistema em momentos de baixo consumo, em especial nos jogos do Brasil na Copa do Mundo e nos demais feriados civis e religiosos do ano, o segmento de distribuição entende que os problemas decorrentes do excesso de geração renovável já são uma realidade, sendo urgente e necessário o aprofundamento de políticas públicas que possam reorganizar o sistema e solucionar os gargalos existentes para evitar apagões.

(Direitos autorais reservados: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/06/06 — O Globo/ ECONOMIA/ NOTÍCIA/ Por Manoel Ventura — Brasília — 06/06/2026)

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