Dora Alencar de Vasconcellos, cônsul-adjunta (1952/58) e geral (1958/64) do Brasil em Nova York.

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Dora Alencar de Vasconcellos (Rio de Janeiro, 1910 – Port-of-Spain, 25 de abril de 1973), poeta e embaixadora (desde 1970) representante do Brasil junto à República de Trinidad-Tobago, que entrou para o Itamaraty em 1938.

Cônsul-adjunta (1952/58) e geral (1958/64) do Brasil em Nova York. Embaixadora no Canadá de 1966 a 1969. “Dora deixou três livros publicados: O Grande Caminho do Branco (1963), Palavra Sem Eco (1952) e Surdina do Contemplado (1958)”. A diplomata Dora Alencar morreu dia 25 de abril de 1973, de enfarte, aos 62 anos, em Port-of-Spain, sendo sepultada com honras de estado no Brasil.
(Fonte: Veja, 2 de maio de 1973 – Edição n.° 243 – DATAS – Pág; 13)

Desde muito jovem teve pendor para os estudos, literatura e línguas, o que a levou a optar pela carreira diplomática, na qual ingressou na década de 1930, tendo sido cônsul, sucessivamente em Montevidéu, Nova York e Paris.

Em 1940, participou da Reunião de Ministros das Relações Exteriores da OEA, em Havana. Em 1951, participou do I Congresso da União Latina, cujos anais elaborou. Em 1952, secretariou a 8ª Assembleia da Comissão Interamericana das Mulheres, no Rio de Janeiro. Participou da 13ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.

Foi secretária-tesoureira da Sociedade de Cônsules Estrangeiros e co-fundador do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de Nova York. Durante os anos em que viveu em Nova York, participou regularmente de programas de análise política, na rádio e na televisão.

Começou a escrever poesia, já na adolescência, mas só por volta dos 40 anos decidiu assumir-se como poeta. Estreia em livro em 1952, com Palavra Sem Eco, ao qual se seguem outros. Todos com boa repercussão crítica.

Em sua primeira permanência nos Estados Unidos em 1952, Dora iniciou uma estreita amizade com Heitor Villa-Lobos (1887-1959), realizando várias parcerias com o compositor brasileiro. Dora escreveu inspiradas letras românticas, em perfeito acordo com o espírito e a natureza da música do genial compositor.

Dora criou letras para as belas canções da suíte Floresta do Amazonas (1958), feita sob encomenda para a trilha sonora do filme de mesmo nome, baseado na novela de William Henry Hudson, “Green Mansions”. O filme, uma produção da Metro Goldwyn Mayer, foi estrelado por Audrey Hepburn e Anthony Perkins, sendo dirigido por Mel Ferrer.

As letras de Dora foram transcritas do catálogo da gravação do CD, da Emi Classics, Floresta do Amazonas, com Villa-Lobos regendo a Symphony of the Air & Chorus, sendo as canções interpretadas pela inesquecível soprano brasileira Bidu Sayão.

(Fonte: Dicionário crítico de escritoras brasileiras: 1711-2001 – Por Nelly Novaes Coelho – www.revistaphonoarte.com)

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