Domingos Oliveira, se consagrou com filmes como ‘Todas as mulheres do mundo’ e ‘Barata Ribeiro, 716’ em quase seis décadas de carreira

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Artista se consagrou com filmes como ‘Todas as mulheres do mundo’ e ‘Barata Ribeiro, 716’.

 

Domingos Oliveira em Aplauso: Vestido de Noiva. (Studium/Globo)

 

 

Cineasta, dramaturgo e ator se consagrou com filmes como ‘Todas as mulheres do mundo’ e ‘Barata Ribeiro, 716’ em quase seis décadas de carreira

 

 

Domingos José Soares de Oliveira (Rio de Janeiro, 28 de setembro de 1936 – Leblon, Rio de Janeiro, 23 de março de 2019), ator, autor e diretor.

 

Ator, diretor, dramaturgo, cineasta, roteirista, poeta, chegou a fazer duas assistências de direção para Joaquim Pedro de Andrade (Manuel BandeiraO Poeta do Castelo e Couro de Gato). Seu primeiro longa veio em 1966, com Todas as Mulheres do Mundo, e depois mais de 20 peças e muitos filmes se sucederam. Por alguns anos, ele esteve à frente de programas no Canal Brasil, que gostava de chamar de jornalismo autoral. Alguns deles eram Todas as Mulheres do MundoTodos os Homens do Mundo e Swing (assinados com sua companheira, Priscilla Rozenbaum).

Seus filmes, além de comprovar a eloquência com que Oliveira encarava a vida e os amores, representam também dois momentos de sua carreira. De um lado, os primeiros trabalhos, Todas as Mulheres do Mundo e Edu Coração de Ouro. De outro, exemplos de sua retomada pessoal, depois de 20 anos sem filmar: Amores e Separações. Na verdade, ainda que um bom tempo separe uma dupla da outra, os quatro filmes mostram que nada mudou em meu cinema”, brincou ele, em conversa com o Estado. “Em todos, há revelações explícitas ou disfarçadas – na verdade, tentativas de me superar.”

A frase não é de efeito. Todas as Mulheres do Mundo, por exemplo, rodado em 1966, marcou a estreia de Oliveira como diretor: antes só fizera assistência a Joaquim Pedro de Andrade. E o filme nasceu de uma necessidade impossível de se corrigir o destino. Afinal, a história do encontro entre dois amigos, Edu e Paulo, representa o próprio relacionamento entre Oliveira e a atriz Leila Diniz, que atingiu o estrelato. “Já estávamos separados quando escrevi o roteiro. Na verdade, o filme era uma tentativa de reencontrá-la”, relembrou Oliveira que, na época, tinha outro projeto em mente. Seria um filme chamado D. Juan 66 e que reuniria duas histórias, Edu Coração de Ouro e Todas as Mulheres do Mundo.

“A segunda tomou a dianteira.” Todas as Mulheres do Mundo conquistou um enorme sucesso, faturando o triplo de seu investimento inicial – que, aliás, contou com a contribuição de atores e equipe técnica, todos fazendo empréstimos bancários para comprar cotas da produção. Trata-se de uma comédia de costumes sobre as aventuras de um rapaz (Paulo José) que paquera as belas mulheres das praias cariocas. Na contramão do cinema brasileiro de então, marcado por produções engajadas, o filme revelava uma nova forma de amar e, principalmente, uma nova mulher.

Domingos Oliveira ficou vários anos sem rever o filme, especialmente depois da trágica morte de Leila, em 1972, em um acidente de avião. O momento aconteceu depois de uma terapia em grupo, quando todos assistiram ao longa. “Foi aí que chorei a perda dela.” Edu Coração de Ouro foi lançado em 1968 e segue a mesma linha narrativa, contando as aventuras do personagem-título, um conquistador e gozador da vida, novamente interpretado por Paulo José. Inspirado em um amigo do diretor, Eduardo Prado, o filme foi um fracasso de público e só anos depois foi reconhecido pela crítica, que só então notou em Edu o retrato de uma geração perplexa com os rumos tomados pelo governo militar.

A estrutura é praticamente a mesma do longa anterior, com adoráveis congelamentos de imagem logo em seu início: Leila na praia, Paulo José no calçadão. O diretor continuou filmando até 1978, quando rodou Vida, Vida. As dificuldades de produção, porém, desencantaram-no a ponto de convencê-lo a debandar para outras artes, especialmente o teatro. Assim, ele encenou clássicos de Gogol, Molière, Ibsen, Arthur Miller e do seu “pai espiritual”, Dostoievski, a quem recorreu mais de uma vez nos diálogos de Amores, filme que marcou, em 1998, seu retorno ao cinema. A volta foi possibilitada especialmente pelo barateamento de custos graças aos avanços tecnológicos.

 

 

O cineasta, diretor de teatro, roteirista, dramaturgo e ator Domingos Oliveira, tinha uma vasta produção no cinema — são dele filmes como “Todas as mulheres do mundo” (1966), “Separações” (2002) e “Barata Ribeiro, 716” (2016).

 

Dono de mais de 120 obras ao longo da carreira no teatro, no cinema e na TV, ele lançou em 2016 a autobiografia “Vida minha” (Record), com muitas páginas dedicadas às mulheres que marcaram sua existência, mas também a lances emocionantes, como a descoberta do mal de Parkinson, que o acompanhava há mais de duas décadas.

— Tentei fazer pelos anos. Ficou chatíssimo. Pelas obras. Não ia. Foi quando eu dividi por mulheres que começou a ficar interessante(dos 14 capítulos, sete são para ex-mulheres e a filha, sendo dois para a atual companheira, Priscilla Rozembaum) . Sou o que as mulheres que eu amei fizeram de mim  — disse Domingos ao GLOBO à época do lançamento do livro.

 

O ator, autor e diretor Domingos Oliveira se consagrou com filmes como “Todas as mulheres do mundo” e “Barata Ribeiro, 716”, em quase 60 anos de carreira no teatro, na televisão e no cinema.

 

 

Formação em Engenharia

 

 

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Antes de acumular as funções de escritor, ator, dramaturgo e cineasta, Domingos se formou em Engenharia Elétrica, mas nunca trabalhou na área. O primeiro flerte com as artes aconteceu ainda na infância, aos 12 anos, quando ingressou no grupo de teatro da escola e interpretou um cardeal português na peça “A ceia dos cardeiais”, de Júlio Dantas.

 

 

Mais tarde, dois anos após concluir a faculdade de Engenharia, matriculou-se num curso de teatro com um diretor americano recém-chegado do Actor’s Studio, associação de atores profissionais, diretores de teatro e roteiristas em Nova York. Em seguida, em 1966, montou sua primeira peça de teatro, “Somos todos do jardim de infância”, em espetáculo encenado na varanda do apartamento onde morava. Sucesso de crítica, a montagem lançou a atriz Leila Diniz, com quem Domingos era casado na época — mais à frente, a trama seria adaptada para a TV, como parte do programa “Caso especial” (1972), da Globo.

Na emissora carioca, aliás, Domingos foi o segundo produtor a ser contratado (o primeiro foi Haroldo Costa). Em 1963, depois de trabalhar como redator da extinta revista “Manchete”, foi convidado por Abdon Torres para fazer a programação da Globo, que estrearia dois anos mais tarde.  Quinze dias antes da inauguração do canal, no entanto, Abdon Torres foi substituído por Mauro Salles na direção da emissora, e grande parte da programação até então desenvolvida não entrou no ar.

Mas Domingos permaneceu na Globo, à frente do programa “Show da Noite”, apresentado por Glaúcio Gil. Ele produzia e dirigia a atração transmitida ao vivo de segunda a sexta-feira, ao lado de Renato Consorte, Haroldo Costa, Oswaldo Waddington e Wilson Rocha. A carreira como roteirista na emissora foi marcada por trabalhos como os especiais e seriados “Romance na tarde” (1965), “Ciranda cirandinha” (1978) e “Amizade colorida” (1981).

 

Paralelamente à profissão na televisão, desenvolveu uma carreira promissora no teatro, com espetáculos de sucesso que acabaram adaptados para o cinema: “Todas as mulheres do mundo” (1966), com Leila Diniz e Paulo José, foi sua primeira produção que ganhou as telona. E uma série de prêmios, tornando-se obra-prima do diretor. Foram 12 troféus somente no Festival de Brasília. Outros textos seguiram o mesmo caminho dos palcos para a sétima arte, sempre roteirizados e dirigidos por ele: “Separações” (2002); e “Amores” (1998) — no teatro, a trama foi contemplada com o Prêmio Shell na categoria autor.

 

 

Trajetória

 

O  ator e diretor Domingos Oliveira nasceu no Rio de Janeiro em 28 de setembro de 1936. Entrou para a Globo em 1963, para fazer a programação da emissora que estrearia dois anos depois. Integrou a equipe de autores de séries de sucesso nos anos 1970.

 

Domingos Oliveira é formado em Engenharia Elétrica e acumula as profissões de dramaturgo, cineasta, escritor e ator. Começou sua carreira de ator ainda na escola, aos 12 anos, interpretando um cardeal português na peça A Ceia dos Cardeais, de Júlio Dantas.

 

Dois anos depois de terminar a faculdade de Engenharia, fez um curso de teatro com um diretor americano recém chegado do Actor’s Studio. Em seguida montou, na varanda de seu apartamento, sua primeira peça de teatro, chamada Somos Todos do Jardim de Infância. A peça foi um sucesso de crítica e lançou a atriz Leila Diniz, com quem Domingos era casado na época.

 

Ainda no início da década de 1960, Domingos Oliveira trabalhou como redator na revista Manchete. Em 1963, foi convidado por Abdon Torres para fazer a programação da Globo, que estrearia dois anos depois. Ele foi o segundo produtor contratado pela emissora; o primeiro foi Haroldo Costa. Quinze dias antes da inauguração, Abdon Torres foi substituído por Mauro Salles na direção da emissora, e grande parte da programação até então desenvolvida não entrou no ar.

 

Apesar da saída de Abdon Torres, Domingos Oliveira permaneceu na Globo trabalhando no Show da Noite, apresentado por Glaúcio Gil. Ele produzia e dirigia o programa, transmitido ao vivo de segunda a sexta-feira, ao lado de Renato Consorte, Haroldo Costa, Oswaldo Waddington e Wilson Rocha. Show da Noite saiu do ar em dezembro de 1965, quatro meses depois da morte do apresentador Gláucio Gil, ocorrida durante uma transmissão do programa.

 

 

DESTAQUES DE DOMINGOS OLIVEIRA NA GLOBO

 

 

1965-show-da-noite.jpg1965-romance-na-tarde.jpg1965-cidade-alerta.jpg1972-viva-mar_lia.jpg1978-ciranda-cirandinha.jpg1981-amizade-colorida.jpg1992-noivas-de-copa.jpg1993-contos-de-ver_o.jpg2006-jk.jpg

 

 

Apesar de doente na última década – sofria de Mal de Parkinson – e com dificuldades para andar, o artista nunca parou de produzir.

Festa de três dias, aos 80 anos

Quando completou 80 anos, em 2016, Domingos fez uma festa de três dias, com a trilha sonora de sua vida. O primeiro dia englobou músicas de 1936 a 1966; o segundo, de 1967 a 1996; e o terceiro, as últimas duas décadas. Com duas a três canções representativas de cada ano, a playlist chegava a quase 12 horas. Na pista, as músicas eram acompanhadas quase sempre de vídeos, entre filmes de sua autoria, imagens de arquivo, clipes antigos ou cenas históricas do Brasil.

— As piores partes da vida são o princípio e o fim. A mocidade e a velhice — disse ele, à época.  — Na mocidade você despende muita energia para encontrar o seu lugar no mundo e não tem tempo de aproveitar a vida. Na velhice, o corpo vai embora, e tampouco dá para aproveitar direito. O melhor é o meio. Você já entendeu mais ou menos as coisas, não faz xixi na cama, não tem tantas culpas, e a vida fica uma delícia.

Domingos Oliveira morreu em março de 2019, no Rio de Janeiro, aos 82 anos. O artista estava em sua casa, no Leblon, quando se sentiu mal e não resistiu.

(Fonte: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/03/23 – NOTÍCIA / Por G1 Rio – 23/03/2019)

(Fonte: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/03/24 – NOTÍCIA / Por Alba Valéria Mendonça, G1 Rio – 

(Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura – CULTURA / O Globo – 23/03/2019)

(Fonte: https://www.terra.com.br/diversao/cinema – DIVERSÃO / ENTRETENIMENTO / CINEMA / Por Julio Maria – 25 MAR 2019)

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