Abdelaziz Bouteflika, ex-presidente da Argélia, lutou na guerra pela independência da Argélia do domínio francês

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Abdelaziz Bouteflika, ex-presidente da Argélia e ícone pop anti-colonialismo

Veterano da guerra pela independência, político comandou país por 20 anos e virou fantoche militar

 

 

Abdelaziz Bouteflika (Oujda, 2 de março de 1937 – 17 de setembro de 2021), ex-presidente da Argélia. Abdelaziz presidiu a Argélia por duas décadas, entre 1999 e 2019, e só renunciou após uma onda de protestos contra uma quinta candidatura do argelino.

 

Nascido em 2 de março de 1937, Bouteflika governou a Argélia por 20 anos consecutivos. Foi eleito pela 1ª vez em 1999 e reeleito nas 3 votações seguintes (2004, 2009 e 2014). Deixou o cargo alegando motivos de saúde dias antes do término de seu 4º mandato, em abril de 2019.

 

Em março do mesmo ano, o então presidente chegou a oficializar sua candidatura para concorrer ao 5º mandato. No entanto, Bouteflika anunciou a desistência uma semana depois de entregar a documentação necessária para disputar o pleito. A decisão foi uma resposta às manifestações populares contrárias a sua participação na disputa.

 

Abdelaziz Bouteflika lutou na guerra pela independência da Argélia do domínio francês. O conflito durou de 1954 a 1962. O veterano também participou das negociações pela paz no país 3 décadas depois, na guerra civil dos anos 90.

 

O ex-presidente foi um dos líderes da Revolução Argelina, nas décadas de 50 e 60. Quando o país tornou-se independente da França, Abdelaziz passou a servir como Ministro das Relações Exteriores entre 1963 e 1979.

Conhecido no país como “Boutef”, o ex-presidente ajudou a trazer a paz à Argélia após mais de 10 anos de guerra civil na década de 1990. No entanto, enfrentou críticas de grupos de direitos humanos e opositores que o acusaram de autoritarismo e repressão.

 

Bouteflika sobreviveu à Primavera Árabe, que depôs outros governos do Norte da África entre 2010 e 2011. Mas outro movimento popular pôs fim ao seu governo anos depois.

 

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Em 1999, assumiu a presidência da Argélia após vencer as eleições com 74% dos votos. Bouteflika conduziu o país durante diversos momentos de tensões políticas, como na guerra civil de 2002 a 2005 e no período de estado de emergência em 2011. O presidente sofreu um acidente vascular cerebral em 2013, e após isso se ausentou do poder diversas vezes para cuidar da saúde. Quando isso ocorria, o grupo Le Pouvoir (o poder), formado por militares e empresários, assumia o poder.

Em 2019, após dois meses de protestos contra a candidatura de Abdelaziz à reeleição, o presidente renunciou ao cargo.

Onipresente por décadas na vida política argelina, o ex-governante tornou-se quase invisível desde que sofreu um AVC, em 2013, pelo qual passou três meses em recuperação.

– Obcecado pelo poder –

Apesar de seu papel preponderante na vida da Argélia, a TV oficial limitou-se a anunciar a morte do ex-governante sem interromper sua programação regular. Da mesma forma, autoridades não fizeram comentários nas primeiras horas após a morte de Bouteflika, embora as redes sociais estivessem cheias de publicações sobre o desaparecimento do homem que governou a Argélia de 1999 a 2019.

 

“Abdelaziz Bouteflika morreu deixando para trás um país destruído”, escreveu a internauta Sabrina Debabcha em sua página no Facebook.

 

Após o acidente vascular cerebral, que o deixou afásico e em cadeira de rodas, Bouteflika se tornou um alvo constante de boatos relacionados à sua morte e passou a aparecer ocasionalmente em público para negar as versões.

 

“Durante toda a vida, Abdelaziz Bouteflika foi motivado por duas obsessões: conquistar o poder e mantê-lo a qualquer preço”, disse à AFP o jornalista Farid Alilat, autor do livro “Bouteflika, a História Secreta”. “Ele queria conquistar o quinto mandato, apesar de estar doente”, assinalou.

Eleito pela primeira vez em 1999, Bouteflika foi reeleito em 2004, 2009 e 2014, sempre com mais de 80% dos votos. Mas sua tentativa de vencer a quinta eleição com a saúde debilitada esgotou a paciência dos argelinos, que saíram para protestar em massa contra seus planos de ser reeleito, forçando a sua renúncia.

Abdelaziz Bouteflika faleceu aos 84 anos em 17 de setembro de 2021.

(Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/mundo/2021/09 – MUNDO / ARGÉLIA / por Pedro Grigori – 17/09/2021)
(Fonte: https://istoe.com.br – EDIÇÃO Nº 2696 – MUNDO / por AFP – 17/09/21)

(Fonte: https://www.poder360.com.br/internacional – INTERNACIONAL /
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