Dr. Taha Hussein; escritor e educador egípcio.
Dr. Taha Hussein (nasceu em 15 de novembro de 1889, em Maghagha, Egito – faleceu em 28 de outubro de 1973, no Cairo, Egito), escritor egípcio cujos livros se tornaram clássicos da literatura árabe moderna, recebeu o prêmio de direitos humanos das Nações Unidas.
As Nações Unidas lhe homenagearam em 27 de outubro, por seus serviços na área da educação. Entre os outros agraciados com o prêmio de direitos humanos estava o ex-secretário-geral U Thant.
Recebeu as mais altas honras.
O Dr. Hussein foi um dos grandes homens de letras do mundo árabe.
Embora cego desde os 3 anos de idade, ele ascendeu na carreira acadêmica até receber as mais altas honrarias. A Sorbonne, em Paris, concedeu-lhe o título de Doutor em Filosofia em 1918. O Trinity College da Universidade de Oxford concedeu-lhe o título de Doutor Honoris Causa em Literatura em 1951.
Em seu país natal, o Dr. Hussein ocupou uma série de cargos acadêmicos e foi Ministro da Educação do Egito de 1950 a 1952. Mais de 40 obras foram escritas por ele, incluindo romances, ensaios críticos, livros de história, filosofia e educação.
Embora tenha se aposentado da vida pública após a revolução de Nasser em 1952, ele foi agraciado com o Prêmio Estatal de Mérito em 1958 e permaneceu como um dos editores do jornal estatal Al Goumhouria.
Como escritor, o Dr. Hussein talvez seja mais conhecido por uma série de volumes autobiográficos, começando com “O Fluxo dos Dias”. Depois de relatar a história de sua infância em uma aldeia do Alto Egito e de como ficou cego após uma doença, ele deu um relato notavelmente vívido de sua saída de casa para estudar na mesquita e faculdade muçulmana milenar do Cairo.
Como acadêmico e professor, o Dr. Hussein foi um cruzado e revolucionário. Ele lutou pela educação gratuita para todas as crianças, muito antes de o presidente Gamal Abdel Nasser torná-la um princípio do “socialismo árabe”.
Apoiado por culturas mistas
O Dr. Hussein também acreditava que a cultura oriental, por mais rica que fosse em si mesma, precisava ser misturada com a do Ocidente para que os árabes, como povo, pudessem conquistar e manter o lugar que lhes era de direito no mundo.
Quando retornou para lecionar na Universidade Egípcia (atual Universidade do Cairo), após receber seu diploma da Sorbonne, o Dr. Hussein ministrou cursos de história clássica grega e romana, assuntos com os quais seus alunos eram quase totalmente desconhecidos. Por que, ele questionava, seus compatriotas, tão ávidos por afirmar suas liberdades, “deveriam permanecer dependentes dos povos da Europa para tudo o que alimenta o intelecto e os sentimentos na ciência, filosofia, literatura e artes?”
A combinação de história, ciência e filosofia europeias com o pensamento árabe era quase inédita naquela época. O Dr. Hussein enfrentou oposição e foi duramente atacado tanto em círculos acadêmicos quanto oficiais. Mas, eventualmente, seus argumentos e ensinamentos surtiram efeito.
Seus pontos de vista prevaleceram: que a Europa e a América não poderiam ser compreendidas adequadamente a não ser pela exploração das fontes da cultura europeia, e que os princípios críticos ocidentais e os métodos liberais de estudo poderiam ser aplicados com sucesso nos países árabes.
Para aproximar a literatura europeia do Egito e de outras terras árabes, o Dr. Hussein tornou-se um prolífico tradutor. Ele dominava o francês, o inglês e o alemão, e traduziu dezenas de obras desses idiomas para o árabe. Talvez sua maior conquista nos últimos anos tenha sido a supervisão da tradução para o árabe de todas as obras de Shakespeare.
Curiosidade intelectual
O Dr. Hussein nasceu em 1889 em Maghagha, no Alto Egito. Sua curiosidade intelectual não foi derrotada pela cegueira precoce. Seus pais foram convencidos a enviá-lo para Al-Azhar, onde, por séculos, estudantes cegos se tornaram estudiosos e professores do Islã. Em sua autobiografia, o Dr. Hussein relatou como a “iluminação” do conhecimento lhe deu uma nova “visão”.
Após deixar Al-Azhar, ingressou na Universidade Egípcia para estudos superiores e seculares, sendo posteriormente enviado à Sorbonne. Ao longo da década de 1920, lecionou história, literatura, filosofia e educação na Universidade do Cairo. Em 1930, tornou-se decano da Faculdade de Belas Artes.
O Dr. Hussein recebeu a maior parte do crédito pela fundação da Universidade de Alexandria, da qual se tornou o primeiro reitor em 1943.
Ele havia escrito “O Futuro da Cultura”, um plano abrangente para a educação no Egito, o que o levou a ser nomeado Ministro da Educação em 1950. Como Ministro, trabalhou para tornar a educação acessível a todas as crianças do Egito. Segundo ele, essa era a única maneira de proporcionar igualdade de oportunidades para todos os egípcios.
No final da década de cinquenta e desde então, a República Árabe Unida, por meio de seu Ministério das Relações Exteriores, indicou repetidamente o Dr. Hussein ao Prêmio Nobel de Literatura.
Dr. Taha Hussein morreu em 28 de outubro de 1973, um dia após receber o prêmio de direitos humanos das Nações Unidas. Ele tinha 84 anos.
O Dr. Hussein vinha apresentando problemas de saúde.
As Nações Unidas homenagearam o Dr. Hussein por seus serviços na área da educação. Entre os outros agraciados com o prêmio de direitos humanos estava o ex-secretário-geral U Thant.
O Dr. Hussein casou-se com uma francesa, Suzanne Bresseau, e tiveram um filho e uma filha.
(Direitos autorais reservados: https://www.nytimes.com/1973/10/29/archives – New York Times/ ARQUIVOS/ Arquivos do The New York Times — CAIRO, 28 de outubro (AP) — 29 de outubro de 1973)
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