Os primeiros investidores latino-americanos a integrar Lista Midas da Forbes

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Investidores do Nubank, Zoom e Coinbase são os primeiros latino-americanos a integrar Lista Midas da Forbes

 

Santi Subotovsky foi criado por sua família na Argentina e nunca pensou que se mudaria um dia para os EUA, muito menos que se tornaria um capitalista de risco. Seus pais não falavam inglês, e ele imaginou que seguiria os passos do pai, tornando-se um mecânico de automóveis. Três décadas depois, ele liderou um financiamento que deu ao mundo uma empresa que se tornou um nome comum, principalmente durante a pandemia, e ajudou a criar o movimento global de videoconferência, com uma única palavra: Zoom.

A jornada de Subotovsky em direção às empresas financeiras começou quando decidiu adentrar o horizonte empresarial logo após a morte de seu pai. Alguns anos depois de se formar em economia, viajou para o Vale do Silício com sua startup edtech, a AXG Tecnonexo. Sua ida até a Califórnia foi organizada pela entidade sem fins lucrativos Endeavor, que apoia empreendedores com potencial para promover mudanças econômicas em suas regiões.

 

Subotovsky não conseguia acreditar que empresários conseguiam levantar capital sem abrir mão de suas empresas, diz ele, ao descobrir que queria fazer parte daquele mundo.

Ele se mudou para os Estados Unidos com sua esposa em 2010 e começou a se candidatar a empregos em empresas de capital de risco, apenas para enfrentar uma triste realidade do setor. “Mesmo naquela época, algumas empresas diziam que (o investimento em risco) não era para latinos”, diz Subotovsky. “Foi bastante surpreendente para mim. Eu não sabia que meu DNA genético não me permitia atuar no setor. É por isso que continuei tentando provar que as pessoas estavam erradas.”

Subotovsky fez exatamente isso. Hoje, ele é sócio da Emergence Capital e se junta a Nicolás Szekasy, cofundador e sócio da Kaszek Ventures e Meyer Malka, sócio da Ribbit Capital, para se tornarem os três primeiro latino-americanos a integrar a Lista Midas da Forbes 2021.

 

Subotovsky liderou uma Série C de US$ 30 milhões para a empresa de videoconferência Zoom em 2015, quatro anos antes de sua listagem em Bolsa com uma avaliação de US$ 9,2 bilhões em abril de 2019 (no Brasil, a companhia é negociada na B3 pelo BDR Z1OM34). O Zoom ganhou os holofotes no ano passado quando as pessoas precisaram de uma plataforma de videoconferência para realizar reuniões profissionais e sociais.

A história de Szekasy é um pouco diferente. Sua carreira deu um boom quando liderou uma rodada seed de US$ 2 milhões do Nubank, em 2013. Hoje, a companhia vale cerca de US$ 24,6 bilhões. Já Malka liderou o investimento da plataforma de negociação de criptomoedas Coinbase, em uma rodada Série A de US$ 6,1 milhões em 2013 através da Ribbit Capital. A empresa foi avaliada pela última vez em US$ 7,7 bilhões e abre capital hoje (14) na Nasdaq. Malka quis comentar o assunto.

 

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Subotovsky e Szekasy entraram no mundo do capital de risco de maneiras diferentes. Szekasy era ex-diretor financeiro do Mercado Livre. Eles trouxeram uma nova visão e narrativa para os executivos, afirmando que o sucesso no venture capital é possível e é bom para os negócios.

 

“As minhas raízes argentinas me levaram a investir no Zoom”, informou Subotovsky. Embora o Zoom não tenha sido a primeira plataforma de videoconferência, ele investiu nela porque se convenceu de que era a primeira com uma mentalidade global. Ter investidores com experiências diferentes é vital para construir grandes negócios escaláveis, acrescenta Subotovsky. Ele defende que ao conversar com sua irmã na Argentina percebe que existem muitos pontos fracos em alguns sistemas e as empresas precisarão dominar esses desafios para realmente ter sucesso.

 

Assim como a posição de Subotovsky na Lista Midas 2021 mostra que o mercado de risco dos EUA é um lugar onde os investidores da América Latina podem prosperar, a entrada de Szekasy na lista demonstra o quanto o ecossistema de capital de risco latino-americano amadureceu, apontando para uma probabilidade de que a representação na lista continue crescendo nos próximos anos.

 

“Estávamos otimistas em 2011, mas agora estamos ainda mais otimistas em relação aos próximos 10 anos”, diz Szekasy. “É incrível ver a qualidade, a visão e as oportunidades que os empreendedores estão buscando.” A América Latina tem 16 unicórnios, com 15 deles alcançando uma avaliação de US$ 1 bilhão nos últimos três anos.

 

Somente o Brasil conta com 12 unicórnios, incluindo a Loft, atualmente avaliada em US$ 2,2 bilhões e a fintech Creditas, avaliada em US$ 1,75 bilhão, ambas localizadas em São Paulo com investidores da América Latina.

“Não acho que estamos onde deveríamos estar, mas sinto que estamos indo na direção certa”, diz Subotovsky. Ambos afirmam que sabem que não serão os últimos investidores latino-americanos a entrar na Lista Midas – teremos mais investidores latino-americanos na lista no próximo ano, brinca Szekasy, mesmo que seja apenas de sua própria empresa.

(Fonte: https://www.forbes.com.br/forbes-money/2021/04 – FORBES MONEY / por Rebecca Szkutak – 14 de abril de 2021)

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