O PRIMEIRO JEEP WILLYS

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Famosos no Brasil como Jeep 42, os 4×4 produzidos pela Willys e Ford na primeira metade dos anos 40 têm diferenças tão pequenas que muitas vezes só os aficionados percebem. Saiba algumas delas
Em 18 de novembro de 1941, o primeiro Jeep Willys saiu da linha de montagem. Antes da produção em massa, foram fabricados os Bantam BRC 40, os Ford GP e os Willys MA. Em fevereiro do ano seguinte, a montadora autorizou a Ford a também produzir o Jeep, devido ao aumento da procura dos 4×4 pelo Exército Norte Americano, durante a Segunda Geurra Mundial. A Ford iniciou a produção com números de série iniciais de quatro dígitos, chegando aos seis dígitos no fim da produção, em julho de 1945.
Os Jeeps produzidos para o Exército recebiam uma espécie de Registro Geral (RG). Como os tanques e aviões de guerra, tinham um número pintado no capô. Os veículos dessa época são genericamente chamados de “42” no Brasil, pelo simples fato do País ter começado a receber material militar dos EUA neste ano. Agora responda: você sabe realmente identificar um Jeep “42”?
O primeiro Jeep Willys saiu da fábrica com a famosa “grade de grelha” (Slatt Grill), cuja produção foi de 25.809 unidades. Alguns registros apontam o recebimento de 50 Jeep Ford GP no Brasil em fins de 1941. Eles sumiram sem deixar vestígios. Raros Willys “Slatt Grill” também vieram, não se sabe ao certo quantos. Muitos “42” chegaram depois da guerra, comprados dos EUA juntamente com muitos equipamentos militaresobsoletos no fim dos anos 40, início dos 50.
Vale lembrar que nem todo “42” foi fabricado em 1942. No site do CVMARJ (Clube de Veículos Militares Antigos do Rio de Janeiro), www.cvmarj.com.br, há muitas dicas e detalhes que identificam os anos de produção dos Jeep. Particularidades como a própria grade de grelha (até março de 1942), a “nova” grade prensada (que foi inventada pela Ford), diferenças na carroceria dos Ford e Willys ou mudanças no painel determinam quais são os modelos. Uma minúcia importante são os suportes da carroceria, que ficam atrás da parede de fogo. Eles caracterizam tanto o fabricante como a época em que o carro foi produzido. Até 1942, o botão do farol era de puxar, o volante era todo de baquelita preta e o capô tinha um defletor de ar na parte interna. Alguns dos primeiros Willys usavam chave para dar a partida, até ser substituída pela partida no pé.
Os primeiros Jeep – muito raros – tinham o nome do fabricante (Willys ou Ford) estampado na traseira. Esse assunto é muito extenso e motivo de conversas e polêmicas entre os entusiastas, pois há inúmeros detalhes nos veículos. O site www.classicjeep.com.br dá excelentes dicas sobre o assunto.
A partir de dezembro de 1943, os Jeep Ford e Willys passaram a ter a mesma carroceria, chamada de composite, fabricada pela Auburn Central Corporation. Apesar disso, os Ford eram diferenciados dos Willys não só pelos parafusos marcados com a letra “f”, mas por inúmeros outros detalhes que seriam assunto para uma outra matéria específica. Importante é saber que, se seu Jeep tem os suportes de carroceria com cinco furos, ele é um raro Willys “puro”, ou standard, fabricado unicamente pela Willys no início da produção. Se esse suporte tiver apenas três furos, ele pode ser um Ford ou um Willys composite, de acordo com as características encontradas no resto do Jeep ou números de série. Se for Willys, ele foi fabricado a partir de dezembro de 1943. Se for Ford, talvez tenha sido produzido de fevereiro de 1942 em diante, novamente de acordo com o número de série. Isso é assunto para um livro!
Na tabela de números de série dos Willys é possível ter idéia dos anos de produção, de acordo com os números de série correspondentes. Os dos Willys estão ao lado esquerdo do chassi, numa pequena placa, logo atrás do pára-choques. Até junho de 1944, essa placa era alongada, onde se lê apenas “MB” e o número de série com seis dígitos. Depois veio uma placa quadrada, escrito em letras vermelhas “Jeep Scout Car, Willys Overland Motors Inc, Toledo, Ohio” e o número de série.
Caso não encontre o número ou ele tenha sido alterado, ainda é possível achar o da carroceria, que fica no suporte do lado de dentro da parede de fogo, do lado do motorista, com cinco ou seis dígitos impressos na face externa do suporte, voltada para o motor. Esta identificação teoricamente pode dar o suposto número de série do Jeep, ao se somar 100 mil (!), com uma margem de erro de 4 mil, para Jeep produzidos antes de 1944 (às vezes, essa marcação some depois de uma funilaria “caprichada”). Essa “conta” corresponde ao número de chassis que “casa” com o número de carrocerias fabricadas, sendo válida apenas para os Willys, já que os números de série da Ford eram totalmente distintos (os primeiros Ford GPW fabricados não tinham esse número de carroceria). Claro que é uma aproximação, sem muita garantia de se obter o número de série exato. A idéia é chegar ao mês e ano de fabricação (date of delivery) coerente com as características do Jeep – que vinham na placa da tampa do porta luvas, dando um “atestado de origem”, caso o número original tenha sido alterado por alguma razão (procedimento usado para muitos Jeep leiloados pelo exército em lotes, sucata, etc).

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