O PRIMEIRO CHIP GAUCHO

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O dia 26 de março marcou a apresentação oficial do primeiro
chip gaúcho, desenvolvido a partir da inteligência
local, por meio da parceira do Ceitec com a empresa Altus.
A data é emblemática, sobretudo por assinalar o ingresso
do RS em um novo patamar tecnológico alcançado na produção
desses componentes indispensáveis à vida moderna,
considerando o advento da TV digital. Mas esse é também,
talvez, um marco ainda mais significativo por atestar uma
visão estratégica que o Estado assumiu há cerca de sete
anos, quando era governado por Olívio Dutra.
Mas isso só foi possível graças à união do poder público
estadual e municipal, da iniciativa privada e de entidades
de pesquisas e acadêmicas que vislumbraram corretamente
o futuro estratégico que se deveria buscar para incluir o
RS na rota do desenvolvimento. Construído em Porto Alegre,
na Lomba do Pinheiro, pelo governo federal, por meio
do Ministério de C&T, numa parceria com a Motorola à época,
o centro de pesquisa e desenvolvimento de projetos de
circuito integrado e prototipagem será, ao mesmo tempo, a
primeira fábrica de semicondutores na América Latina para
pequenos lotes de chips. Consolidado a partir da forte relação
entre os setores do conhecimento, empreendedores e
governo, que foi precondição importante para seu êxito, o
Ceitec transformou-se num projeto de Estado, reconhecido
à época institucionalmente pelo governo FHC e assumido
pelo presidente Lula, que viabilizou material e financeiramente
sua construção, bem como adotou o Centro como
elemento vertebrador da nova política industrial brasileira.
Convém lembrar que, à época, quando era disputado
por gaúchos e paulistas, veio para o RS porque tínhamos
um projeto mais totalizante, enquanto os paulistas o vislumbravam
como um programa de pesquisa. Sinalizamos
uma visão que incorporava a pesquisa, o desenvolvimento
e a inovação, mas propunha também um alcance empresarial.
Isso conferiu ao investimento um caráter estratégico
que pode guardar similitude, do ponto de vista do futuro,
ao que foi o Pólo Petroquímico para os gaúchos nos anos
70. Cada um no seu tempo: se à época produzir matéria prima
para a indústria de polímeros (plásticos) embalava
um grande sonho dos gaúchos, hoje, inserir o país na microeletrônica
– setor mais dinâmico da economia mundial –
é ressignificar do ponto vista industrial o RS. E por natural
decorrência impulsiona o próprio Brasil para ingressar no
especialíssimo círculo global da produção de chips.
(Fonte: CP – ANO 112 – Nº178 – segunda-feira, 26 de março de 2007- OPINIÃO – Adão Villaverde deputado estadual – Pág; 4)

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