Mário Peixoto, cineasta e escritor brasileiro, dono de uma única obra, o filme Limite

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Mario Breves Peixoto (Bruxelas, 25 de março de 1908 — Rio de Janeiro, 3 de fevereiro de 1992), cineasta e escritor brasileiro, dono de uma única obra, o filme Limite. Rodado no início dos anos 30 em Mangaratiba, no Rio de Janeiro, com roteiro, direção e montagem de Peixoto, Limite, assim como seu autor, entrou para a história do cinema brasileiro como uma de suas maiores lendas. Com ambições filosóficas de traduzir em imagens o naufrágio da existência humana, Limite foi considerado uma obra de gênio, que poucos viram ou conseguiram entender. Sua cadência fúnebre, com composições rígidas e enquadramentos estáticos, atraiu a atenção de críticos da década de 30, que o classificaram como a melhor contribuição brasileira para o vanguardismo internacional da época.

O comportamento arredio do cineasta contribuiu para as controvérsias sobre Limite. Uma das mais famosas histórias sobre o filme dizia que, depois de assisti-lo em Londres, em 1931, o cineasta russo Sergei Eisenstein escreveu um artigo no qual se derramava em elogios. Peixoto disse em 1990 que ele próprio havia forjado o texto. A idade e o local de nascimento do cineasta também são duvidosos: acredita-se que tenha nascido em Bruxelas, em 1908, mas há quem diga que nasceu no Rio de Janeiro, em 1918. Mario Peixoto nunca dirigiu um segundo filme: acreditava que não repetiria a perfeição de Limite. Trocou o cinema pela literatura –O Inútil de Cada Um, seu único livro, publicado em 1984, reúne, segundo o autor, as ideias de Limite.

Mario Peixoto morreu dia 2 de fevereiro de 1992, de câncer, no Rio de Janeiro.

(Fonte: Veja, 12 de fevereiro, 1992 -– ANO 25 – Nº 7 – Edição 1221 –- Datas – Pág; 72)

 

 

Único filme de Mário Peixoto, ‘Limite’ grava o nome do cineasta na história

Maior contribuição nacional à ‘avant-garde’, longa estreou no cinema Capitólio, na Cinelândia, no Rio dos anos 30, e teve pancadaria.

 

Ao morrer em 2 de fevereiro de 1992, aos 84 anos, de insuficiência cardíaca, Mário Peixoto havia feito apenas um filme. Não precisou de mais do que isso para gravar seu nome na história do cinema brasileiro e mundial. “Limite”, rodado em 1930, em Mangaratiba, Estado do Rio, foi a maior contribuição nacional à avant-garde que experimentava os limites da sétima arte, sobretudo na Europa.

 

Nascido na Bélgica, Peixoto veio para o Brasil aos 5 anos. Aos 9, foi estudar na Europa, onde travou contato não só com as vanguardas cinematográficas, mas com o expressionismo alemão e o cinema de montagem soviético, além da literatura de Virginia Woolf e da música de Erik Satie. Aos 20 anos, de volta ao Brasil, Peixoto se juntou ao Chaplin Club. Era um cineclube que pretendia se dedicar ao “estudo do cinema como uma arte”. “Limite” surgiu assim.

 

No filme, estavam o fotógrafo Edgar Brasil, o assistente de produção Rui Costa e os atores Raul Schnoor, D.G. Pedrera, Olga Breno, Taciana Rei e Carmen Santos. O resultado foi um filme mudo, tão cativante que gerou uma mitologia e muitas controvérsias. Para Saulo Pereira de Mello, que restaurou “Limite”, a estreia no cinema Capitólio, na Cinelândia, no Rio, se deu em 17 de maio de 1931. Peixoto, porém, dizia ter filmado entre 1932 e 1933. Mas ninguém discorda que a estreia terminou em pancadaria. Desgostoso, Peixoto enviou a única cópia para Londres.

 

Por lá, o filme ficou seis meses em cartaz num cinema em Marble Arch, seguindo para igual temporada nos Champs Elysées, em Paris. O cineasta soviético Serguei Eisenstein escreveu: “Esse rapaz formou-se com um cérebro de câmera; seu registro é um globo ocular – sua estrutura de trabalho, definitivamente ritmo”. Mas depois todos souberam que a frase era mesmo de Mário, o autor da crítica.

 

Mito. Em Mangaratiba, na Costa Verde do Rio, o filme mudo 'Limite', de Mário Peixoto, com fotografia de Edgar Brasil: Taciana Rei (mulher nº 2) olha o mar após Raul morrer (Foto: Divulgação)

Mito. Em Mangaratiba, na Costa Verde do Rio, o filme mudo ‘Limite’, de Mário Peixoto, com fotografia de Edgar Brasil: Taciana Rei (mulher nº 2) olha o mar após Raul morrer (Foto: Divulgação)

 

(Fonte: http://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos  – FATOS HISTÓRICOS – CULTURA – Publicado: 21/11/13 – 01/02/17)

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