Maria Velho da Costa, escritora que revolucionou a ficção portuguesa, uma das autoras das Novas Cartas Portuguesas
Co-autora, juntamente com Maria Teresa Horta e Maria Isabel Barreno, das Novas Cartas Portuguesas, obra que lhes valeu um mediático processo judicial antes do 25 de Abril, foi uma das maiores renovadoras da prosa em português do século XX.
Maria Velho da Costa (nasceu a 26 de junho de 1938, em Lisboa – faleceu em 23 de maio de 2020, em Lisboa), escritora portuguesa, foi Prêmio Camões em 2002.
Considerada uma das vozes renovadoras da literatura portuguesa desde a década de 1960, Maria Velho da Costa é autora de conto, teatro, mas sobretudo do romance com obras como “Maina Mendes” (1969), “Casas Pardas” (1977) e “Myra” (2008).
Maria Velho da Costa foi ainda uma das coautoras, juntamente com Maria Teresa Horta e Maria Isabel Barreno, de “Novas Cartas Portuguesas” (1972), uma obra literária que denunciava a repressão e a censura do regime do Estado Novo, que exaltava a condição feminina e a liberdade de valores para as mulheres, e que valeu às três autoras um processo judicial, suspenso depois da revolução de 25 de Abril de 1974.
Em 1997, recebeu o Prêmio Vergílio Ferreira pelo conjunto da obra literária, com o romance “Lúcialima” (1983) recebeu o Prêmio D. Diniz, e o romance “Missa in albis” (1988) foi Prêmio PEN de Novelística.
Com a coletânea “Dores” (1994) recebeu o Grande Prêmio de Conto Camilo Castelo Branco da Associação Portuguesa de Escritores (APE) e o Prêmio da Associação Portuguesa de Críticos Literários.
Em 2000, a APE atribuiu-lhe o Grande Prêmio de Teatro por “Madame”, e o Grande Prêmio de Romance, por “Irene ou o contrato social”.
O último romance que publicou, “Myra” (2008), valeu-lhe o Prêmio PEN Clube de Novelística, o Prêmio Máxima de Literatura, o Prêmio Literário Correntes d’Escritas e o Grande Prémio de Literatura dst.
Em 2002 foi laureada com o Prêmio Camões, em 2003, foi feita Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e, em 2011, Grande-Oficial da Ordem da Liberdade.
Em 2013 recebeu o Prêmio Vida Literária, da APE, afirmando, no discurso de aceitação, que a literatura não é só “uma arte, um ofício”, mas também “a palavra no tempo, na história, no apelo do entusiasmo do que pode ser lido ou ouvido, a busca da beleza ou da exatidão ou da graça do sentir”.
“Os regimes totalitários sabem que a palavra e o seu cume de fulgor, a literatura e a poesia, são um perigo. Por isso queimam, ignoram e analfabetizam, o que vem dar à mesma atrofia do espírito, mais pobreza na pobreza”, afirmou na altura.
A par da escrita, Maria Velho da Costa desempenhou várias funções oficiais na área da Cultura: Foi adjunta do secretário de Estado da Cultura em 1979 (o escritor Helder Macedo) e adida cultural em Cabo Verde (1988-1991), tendo também pertencido à Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses.
Licenciada em Filologia Germânica, pela Universidade de Lisboa, foi ainda leitora no King’s College, em Londres, e autora de argumentos ou diálogos para cinema, trabalhando com nomes como João César Monteiro, Margarida Gil e Alberto Seixas Santos.
Maria Velho da Costa morreu no sábado, dia 23 de maio de 2020, aos 81 anos, em Lisboa, cidade onde nasceu a 26 de junho de 1938.
(Créditos autorais reservados: https://www.instituto-camoes.pt/sobre/comunicacao/noticias – Instituto Camões/ COMUNICAÇÃO/ NOTÍCIAS – 24 maio 2020)
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