III – OS ROMANCISTAS ROMÂNTICOS

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1. JOAQUIM MANUEL DE MACEDO (1820-1882)
Vida: Nasceu em Itaboraí (RJ), filho de uma família de posses. Jovem ainda, formou-se em Medicina, a qual não praticaria, seduzido pela carreira literária, pelo magistério (foi preceptor dos filhos da princesa Isabel e professor de História no colégio Pedro II) e pela política (tornou-se deputado pelo Partido Liberal em várias legislaturas), além de fazer constantes incursões pelo jornalismo. Foi o primeiro escritor brasileiro a conhecer grande popularidade, deixando uma obra bastante vasta de mais de quarenta títulos. Morreu no Rio de Janeiro.
Obras principais: A moreninha (1844); O moço loiro (1845); Memórias do sobrinho de meu tio(1867); A luneta mágica (1869)
A importância de Joaquim Manuel de Macedo resulta de uma percepção do próprio escritor: o público leitor nacional, centralizado na capital federal e devorador de folhetins europeus, estava disposto a aceitar um romance adaptado a cenários brasileiros, desde que a conservado o modelo de enredo das narrativas inglesas e francesas.

2. JOSÉ DE ALENCAR (1829-1877)
Vida: Filho de tradicional família da elite cearense, José Martiniano de Alencar nasceu em Mecejana, no interior do Ceará. Seu pai, homem culto, liberal extremado, participou de várias revoluções, como a chefiada por Frei Caneca, em 1817, e a Confederação do Equador, em 1824, exercendo também cargos políticos importantes, como o de senador do Império. O menino viveu, portanto, em um ambiente familiar intelectualizado e favorável à formação cultural. Tinha nove anos quando se mudou com os pais para a Corte (Rio de Janeiro), onde fez seus estudos primários, seguindo depois para São Paulo com o objetivo de concluir o secundário e matricular-se em Direito, curso no qual se formou em 1851, com vinte e dois anos de idade.
De volta à Corte, trabalhou como advogado e jornalista. Em 1856, sob pseudônimo de Ig, teceu duras críticas ao poema Confederação dos tamoios, de Gonçalves de Magalhães, que, por seu turno, foi defendido pelo próprio Imperador, também sob pseudônimo. No mesmo ano, Alencar publicou seu romance de estréia, Cinco minutos. Em 1857, lançou no jornal O Diário do Rio de Janeiro, sob a forma de capítulos, o folhetim O guarani, que teve uma repercussão jamais conhecida por qualquer outro escritor até então no país. Com trinta e cinco anos, casou-se com a sobrinha do Almirante Cochrane, herói da Independência. O casal teve quatro filhos.
Obras principais:
Romances urbanos: Cinco minutos (1856); A viuvinha (1857); Lucíola (1862); Diva (1864); A pata da gazela (1870); Sonhos d’ouro (1872); Senhora (1875); Encarnação (1877).
Romances regionalistas ou sertanistas: O gaúcho (1870); O tronco do ipê (1871); Til (1872); O sertanejo (1875);
Romances históricos: As minas de prata (1862); Alfarrábios (1873); A guerra dos mascates (1873)
Romances indianistas: O guarani (1857); Iracema (1865); Ubirajara (1874)
Estas categorias comprovam a amplitude geográfica, histórica e social do projeto literário de José de Alencar. Sua ambição era desmedida: cogitou fazer aqui o que Balzac fizera na França, ou seja, um painel gigantesco dos múltiplos aspectos da realidade nacional. Quis construir o romance brasileiro, a partir de um projeto que abrangesse a totalidade da nação, tanto na sua diversidade física-geográfica quanto em seus aspectos sócio-culturais; tanto em suas origens históricas gloriosas quanto nos mitos dos heróis fundadores da nacionalidade.

A IMPORTÂNCIA DE JOSÉ DE ALENCAR
As estruturas do folhetim, o predomínio da ação sobre os caracteres, o nacionalismo ufanista e a visão idealizada da existência – que compõem a obra de Alencar – não fascinam mais os leitores. Sob este ângulo, seus romances pertencem a outra época, desgastaram-se com o passar do tempo e oferecem dificuldades de leitura, sobretudo aos jovens. Não obstante, por várias razões, o autor cearense continua tendo uma importância histórica extraordinária:
· Consolidou o romance brasileiro ao escrever movido por um sentimento de missão patriótica (durante toda a sua carreira, parece que nada mais quis senão descobrir a essência da nacionalidade.)

· Discutiu incessantemente a questão da autonomia de nossa literatura, procurando eliminar as influências portuguesas sobre a mesma (ainda que às vezes caísse em padrões franceses e ingleses).

· Preocupou-se em construir um painel, o mais abrangente possível, da realidade brasileira. Seu esforço de totalização fracassou, é verdade. Contudo, a idéia de um romance, ou de um conjunto de romances, capazes de representar a nação (ou o povo) ainda encontraria eco nos escritores do século XX, como Mário de Andrade, Antônio Callado e João Ubaldo Ribeiro, entre outros.

· Foi o primeiro ficcionista a perceber a vastidão e a diversidade do país, intuindo algumas especificidades regionais e abrindo um filão (a narrativa de temática rural) que continua presente na ficção contemporânea.

· Nos momentos mais felizes (Iracema, Senhora e Lucíola), alcançou a análise psicológica, quase à maneira realista, além de mostrar o peso da sociedade nas relações pessoais.

· Problematizou a questão da língua brasileira e ele próprio criou uma linguagem literária original, muitas vezes de grande densidade poética.

· Em muitos de seus romances demonstrou um esforço estético, uma “vontade de forma”, uma capacidade de elaboração artística que não encontramos em nenhum outro prosador do período.
Por todos estes motivos, José de Alencar pode ser considerado o fundador do romance

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