Harry Elmer Barnes, historiador controverso.
Harry Elmer Barnes (nasceu em 15 de junho de 1889, Auburn, Nova York — faleceu em 25 de agosto de 1968, em Malibu, Califórnia), foi historiador, sociólogo, penologista e jornalista controverso das décadas de 1920 e 30.
Tinha opiniões fortes
O Dr. Barnes provocou debates acalorados com sua afirmação de que os Aliados haviam iniciado a Primeira Guerra Mundial, seus ataques à religião ortodoxa, sua oposição à entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial e seus planos revolucionários para a penologia.
Seu livro de 1926, “Gênese da Primeira Guerra Mundial”, argumentava que as ambições territoriais de Raymond Poincaré, o presidente francês, e de Alekxander Izvolsky, o embaixador soviético em Paris, foram a causa da Primeira Guerra Mundial.
O Dr. Barnes buscava destruir o que considerava o mito da culpa exclusiva da Alemanha por ter desencadeado o conflito. O livro gerou enorme controvérsia, assim como seu discurso de 1928 como vice-presidente da Associação Americana para o Avanço da Ciência, intitulado “Ciência versus Religião”.
Ele disse: “O que precisamos, se é que precisamos de uma noção de Deus, é de uma concepção de Deus que o Dr. Harry Emerson Fosdick (1878 — 1969) poderia elaborar à luz das descobertas e concepções astrofísicas de Shapley e Michelsen e do estudo de átomos e elétrons por Bohr, Planck e Robert Andrews Millikan (1868 — 1953). É de pouco valor tentar incutir uma visão de Deus tão irremediavelmente inadequada e ultrapassada como aquela que foi lenta e dolorosamente desenvolvida pelos povos hebreus semibárbaros nos dias em que um tipo rudimentar de perspectiva geocêntrica e antropomórfica reinava supremo e incontestado.”
Dezenas de ministros, rabinos e padres, incluindo o Cardeal Patrick Hayes, do púlpito da Catedral de São Patrício, denunciaram o Dr. Barnes, embora alguns clérigos e outras pessoas tenham afirmado que tanto o Dr. Barnes quanto seus detratores estavam desatualizados.
Por muitos anos, a partir da década de 1920, o Dr. Barnes defendeu a substituição do sistema de júri por painéis de especialistas em direito, biologia, psicologia, sociologia e economia para determinar a culpa, com sentenças penais indeterminadas em instituições de tratamento. Ele realizou pesquisas sobre os sistemas penais da Pensilvânia e de Nova Jersey e fez recomendações para aprimorá-los.
O Dr. Barnes apoiou o New Deal do presidente Franklin D. Roosevelt como a última alternativa da América ao fascismo ou ao comunismo, mas se opôs à entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, argumentando que o país deveria dedicar suas energias a impedir a ascensão de ditadores internos.
Ele escreveu: “Perversamente, insisto na prática antiquada de colocar os interesses americanos acima dos da Grã-Bretanha, Alemanha, Indochina ou Patagônia.”
Apesar disso, ele participou ativamente do esforço de guerra após a entrada dos Estados Unidos no conflito. Em 1943-44, foi historiador e consultor do Departamento de Indústrias Prisionais do Conselho de Produção de Guerra e, em 1945-46, consultor da Smaller War Plants Corporation. Continuou trabalhando para o governo por um tempo após a guerra, escrevendo o “Manual de Projeto e Construção Correcional para o Departamento Federal de Prisões”.
Entre os outros livros do Dr. Barnes, destacam-se “A História da Punição” (1930); “Política Mundial na Civilização Moderna” (1930); “História da Civilização Ocidental” (1935); “Uma História Econômica do Mundo Ocidental” (1937); “Uma História Intelectual e Cultural do Mundo Ocidental” (1937); “Sociologia Histórica: Sua Origem e Desenvolvimento” (1948) e “Guerra Perpétua por Paz Perpétua” (1953).
Vários críticos concordaram com Ernest Sutherland Bates (1879 – 1939), biógrafo e educador, quando disse sobre o Dr. Barnes: “Há algo quase assustador em sua voraz assimilação de fatos. Ninguém poderia realmente ter um conhecimento tão enciclopédico; deve haver algum truque nisso.”
O Dr. Barnes foi o centro de muitas disputas nas faculdades onde lecionou. Em 1941, ele foi dispensado de seu cargo de professor de verão no Eastern Washington College of Education. O reitor da faculdade, Dr. Ralph Tieje, explicou que havia tomado conhecimento de que “durante seus primeiros anos, o Dr. Barnes esteve associado a certos movimentos comumente chamados de radicais”.
O historiador nasceu em uma fazenda perto de Auburn, Nova York, onde seu pai era funcionário do presídio estadual. Formou-se na Universidade de Syracuse como o melhor aluno de sua turma em 1913, depois fez pesquisa em sociologia em Harvard e recebeu o título de doutor pela Universidade Columbia em 1918.
Entre seus cargos acadêmicos, foi professor de sociologia histórica no Smith College, de 1923 a 1929. Durante parte desse período, também foi professor de economia e sociologia no Amherst College.
Lecionou em muitas outras instituições, incluindo o Teachers College da Universidade Columbia. Trabalhou no departamento editorial dos jornais Scripps-Howard de 1929 a 1940.
Fotografias de jornais da época mostram um jovem bonito, de olhar límpido e cabelos escuros penteados para trás. Mais tarde, os cabelos ficaram grisalhos e o Dr. Barnes passou a usar óculos, mas manteve-se esguio para sua altura de quase 1,83 m.
Um livro de homenagens de alunos e colegas intitulado “O Cruzado Erudito”, nome dado ao Dr. Barnes pelo historiador Carl L. Becker (1873 – 1945), foi publicado no outono.
O primeiro casamento do Dr. Barnes, com Grace Stone, terminou em divórcio em 1935.
Harry E. Barnes faleceu no domingo 25 de agosto de 1968, em sua casa em Malibu. Ele tinha 79 anos.
Ele deixa a viúva, Jane Hutchison Newman; um filho do primeiro casamento, o Dr. Robert Henry Barnes, de San Antonio, Texas; uma enteada, Henry Tilford Jr., de Shelbyville, Tennessee; um irmão, Seymour Barnes, de Auburn; e dois netos.
(Direitos autorais reservados: https://www.nytimes.com/1968/08/28/archives – New York Times/ ARQUIVOS/ Arquivos do The New York Times/ Especial para o The New York Times — MALIBU, Califórnia, 27 de agosto — 28 de agosto de 1968)

