Guto Graça Mello, foi produtor e diretor musical, mais conhecido como Guto Graça Mello, era um dos grandes nomes da produção musical brasileira, produziu mais de 500 discos, entre eles muitos sucessos da MPB, como discos de Rita Lee, Roberto Carlos, Maria Bethânia e o primeiro disco da Xuxa

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Guto Graça Mello: produtor e diretor musical

Criou a trilha sonora do Fantástico e outras músicas que marcaram a TV Globo

Um dos principais nomes da música na televisão brasileira produziu trilhas de novelas marcantes da Globo e é autor de sucessos como o tema do ‘Fantástico’. Também produziu mais de 500 discos da MPB.

 

 

Augusto César Graça Mello (nasceu no Rio de Janeiro em 29 de abril de 1948 — faleceu em 5 de maio de 2026, no Rio de Janeiro), foi produtor e diretor musical, artista era mais conhecido como Guto Graça Mello, era um dos grandes nomes da produção musical. brasileira.

Graça Mello foi um dos grandes nomes da música na televisão brasileira, responsável por transformar trilhas sonoras de novelas em verdadeiros fenômenos de público e mercado — entre elas, a icônica trilha do programa Fantástico, na TV Globo.

A composição original de “Fantástico” é de 1973, e também teve Boni como letrista. Em 2023, nos 50 anos da canção, a cantora Anitta foi convidada para gravar uma versão especial do tema.

Carreira na TV

Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Graça Mello produziu mais de 500 discos, entre eles muitos sucessos da MPB, como discos de Rita Lee, Roberto Carlos, Maria Bethânia e o primeiro disco da Xuxa.

Além disso, Guto Graça é autor de diversos sucessos que embalaram as produções da Globo. Na década de 1970, escreveu as trilhas de novelas como ‘Gabriela’, ‘Saramandaia’, ‘Sinal de Alerta’, ‘Pai Herói’ e dos seriados ‘Ciranda Cirandinha’ e ‘Malu Mulher’. Para “Gabriela”, encomendou a abertura a Dorival Caymmi e apostou em “Alegre Menina”, musicada por Djavan a partir de um poema de Jorge Amado.

Um dos momentos mais marcantes da carreira foi a produção da trilha sonora de Pecado Capital (1975). Inicialmente feita por Nelson Motta, a trilha foi rejeitada por não combinar com o contexto da novela, ambientada no subúrbio carioca. Chamado às pressas pela Globo poucos dias antes da estreia, Graça Mello assumiu o trabalho e precisou criar toda a trilha em apenas três dias.

Guto Graça Mello deixou a Globo e a Som Livre em 1989, mas seguiu atuando na música, produzindo discos, trilhas e jingles. Nos últimos anos, dizia acompanhar novelas como espectador atento — especialmente às trilhas, área que ajudou a revolucionar.

Guga produziu o álbum de estreia de Xuxa na Som Livre. Na época, o produtor chegou a relatar ao então presidente da gravadora, João Araújo, que a apresentadora “não era cantora”.

A resposta de Araújo foi direta: “Se vira”.

“Fui apresentado a ela e pedi para cantar. Percebi que ela não conseguia dar uma única nota. Contei para o João e ele disse: ‘Inventa um disco'”, relembrou Guto em entrevistas.

A carreira

Um dos grandes nomes da produção musical brasileira, Graça Mello foi um dos principais nomes da música na televisão brasileira, responsável por transformar trilhas sonoras de novelas em fenômenos de público e mercado.

Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, também produziu mais de 500 discos, entre eles muitos sucessos da MPB, como discos de Rita LeeRoberto CarlosMaria Bethânia e o primeiro disco da Xuxa.

Nascido no Rio de Janeiro em 29 de abril de 1948, em uma família de artistas — filho dos atores Stella Graça Mello e Octávio Graça Mello —, Guto cresceu em meio ao ambiente cultural.

Chegou a iniciar o curso de arquitetura na UFRJ, mas abandonou a graduação para se dedicar à música. Estudou violão, passou pela escola ProArte e, ainda nos anos 1960, começou a compor.

Em parceria com Mariozinho Rocha, escreveu canções gravadas por nomes como Elis Regina e Nara Leão.

Antes de se firmar na TV, viveu no exterior e integrou o grupo Vox Populi, chegando a se apresentar no México.

Início na TV

 

Guto Graça Mello e Daniel Filho nos bastidores de ‘Mulher 80’; eles trabalharam juntos em muitas novelas e programas — Foto: Acervo Grupo Globo

 

De volta ao Brasil, iniciou a trajetória na Globo em 1972, como produtor musical do programa “Viva Marília”, comandado por Marília Pêra.

No ano seguinte, assinou sua primeira trilha de novela, “Cavalo de Aço”, ao lado de Nelson Motta — trabalho que ele próprio classificaria mais tarde como um começo difícil.

“Eu odeio essa trilha com todas as forças até hoje, porque ela era 100% equivocada. Eu não tinha noção de como era fazer novela”, contou Graça Mello ao g1, em 2020.

Trilhas de sucesso

A partir daí, construiu uma carreira decisiva para a identidade sonora das novelas. Foi responsável por trilhas de sucessos como “Gabriela”, “Pecado Capital”, “Saramandaia” e “Estúpido Cupido”, sempre buscando alinhar a música ao universo dramático das histórias.

Para “Gabriela”, encomendou a abertura a Dorival Caymmi e apostou em “Alegre Menina”, musicada por Djavan a partir de um poema de Jorge Amado.

Trilha de última hora em ‘Pecado Capital’

Um dos episódios mais marcantes da carreira foi a produção da trilha de “Pecado Capital”, em 1975.

Chamado às pressas dias antes da estreia, Guto montou praticamente todo o repertório em três dias e encomendou a música de abertura a Paulinho da Viola, que compôs “Dinheiro na mão é vendaval” em poucas horas.

 

Carreira na Som Livre

Paralelamente ao trabalho na TV, teve papel central na Som Livre, onde chegou a gerente-geral. Ali, ajudou a estruturar o mercado de trilhas sonoras e a lançar artistas, usando a força das novelas para impulsionar carreiras. Entre os nomes que passaram pela gravadora estão Cazuza e Lulu Santos, então no início da trajetória.

Ao longo da carreira, produziu mais de 500 discos — incluindo trabalhos de Rita Lee, Roberto Carlos e Maria Bethânia — e esteve à frente do primeiro álbum de Xuxa Meneghel, que vendeu milhões de cópias.

Autor do tema da abertura do ‘Fantástico’

Também assinou trilhas de mais de 30 filmes compôs o tema de abertura do “Fantástico”.

Perfeccionista, ele costumava dizer que seu maior desafio era manter a qualidade artística mesmo diante das demandas comerciais. Ao mesmo tempo, reconhecia o papel estratégico das novelas na difusão da música brasileira.

“O meu barato era fazer o casting e usar a estrutura da Globo para explodir artistas”, afirmou em entrevista.

Guto Graça Mello deixou a Globo e a Som Livre em 1989, mas seguiu atuando na música, produzindo discos, trilhas e jingles. Nos últimos anos, dizia acompanhar novelas como espectador atento — especialmente às trilhas, área que ajudou a revolucionar.

“Eu tenho dado muita sorte na vida”, disse ao Memória Globo.

Guto Graça Mello morreu na terça-feira (5), no Rio de Janeiro, aos 78 anos. Nas redes sociais, famosos como Xuxa, Maria Bethânia e Nelson Motta lamentaram a morte do músico.

Graça Mello estava internado no Hospital Barra D’Or, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, havia mais de um mês, após sofrer uma queda. A causa da morte, segundo familiares, foi uma parada cardiorrespiratória.

Ele deixa viúva – a atriz Sylvia Massari –, duas filhas e dois enteados. Sylvia vinha fazendo postagens durante a internação do marido, na esperança da recuperação e com declarações de amor: “Na alegria e na tristeza… te amo!”, escreveu em um dos posts.

Nas redes sociais, famosos como Xuxa, Maria Bethânia e Nelson Motta lamentaram a morte do músico.

Xuxa

A apresentadora publicou uma mensagem para o produtor nas redes sociais.

“Guto, foi uma grande honra ter trabalhado com você e ter te conhecido… você faz parte da minha vida e da minha história”, afirmou.

Em mensagem à mulher do produtor, Xuxa mandou um abraço carinhoso. Ao restante da família e dos amigos, desejou força.

Nelson Motta

O jornalista e compositor também postou fotos nas redes. Na legenda, fez um texto ressaltando a carreira do amigo.

“Querido amigo e parceiro Guto Graça Mello partiu em paz, deixando uma obra monumental como produtor e arranjador de vários grandes nomes da música brasileira”, escreveu.

Maria Bethânia

A cantora publicou fotos de Graça Mello em uma rede social.

“O mundo da música deve reverências a ele”, escreveu.

(Direitos autorais reservados: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2026/05/05 — Globo Notícias/ POP & ARTE/ MÚSICA/ NOTÍCIA/ Por Redação g1, TV Globo e g1 Rio —

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