Caio Domingues, publicitário pernambucano, dono da agência carioca que leva seu nome

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Caio Aurelio Domingues (Recife, 2 de maio de 1923 – Rio de Janeiro, 13 de janeiro de 1994), publicitário pernambucano, dono da agência carioca que leva seu nome.

Caio Domingues, nasceu no Recife em 2 de maio de 1923, filho de Aurelio Domingues de Souza e Flora Carneiro Domingues de Souza.

Típico Taurino, avançou na vida com força total. Por exemplo, foi auto didata em inglês.

Mudou-se para o Rio de Janeiro, então capital da República, em 1934 onde concluiu seus estudos no Colégio Santo Inácio e Liceu Francês. Após a conclusão do complementar de direito, Caio Domingues iniciou carreira jornalística como secretário da Revista Sombra.

O inglês lhe garantiu sua primeira posição. Em 1942 chegaram a bom termo as negociações do Brasil com os Estados Unidos e a Inglaterra para a construção de uma companhia de exploração e exportação de minério de mica. Foi fundada a Companhia Vale do Rio Doce, sediada em Governador Valadares, Minas Gerais e Caio foi trabalhar na empresa como intérprete para geólogos daquele país, a serviço da embaixada norte-americana.

Em 1946, retornou ao capital da República e ocupou o cargo de redator na Revista “Brazillian Business” da Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro.

Ingressou na carreira publicitária em 1946, como redator da Grant Advertising Publicidade, no Rio, agência que alcançou posição de destaque no país.

No ano seguinte, assumiu a chefia da redação. Mais tarde, foi promovido a contato. Em 1950, Caio foi transferido para a capital paulista a fim de gerenciar o escritório da Grant.

No mês de outubro de 1951, foi aprovada a primeira escola de propaganda do país, a Escola de Propaganda do Museu de Arte de São Paulo (MASP), atual Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Em 1953 Caio Domingues assumiu a função de professor tendo lecionado as cadeiras de Mídia e de Elementos da Propaganda. Foi também um dos diretores da escola. Permaneceria nessas atividades extra-agência até 1957.

No ano seguinte, mudou de agência e foi trabalhar na filial paulista da multinacional J.Walter Thompson (JWT), então a principal agência do país, no cargo de redator tendo sido um dos responsáveis pela da Ford. Participou da realização de um dos primeiros comerciais filmados do país com um VP Americano da JWT, Harry Herrmann.

Ao lado de sua atuação na JWT, Caio Domingues também teve papel de destaque na consolidação da Escola de Propaganda. De acordo com Rodolfo Lima Martensen, no livro História da Propaganda no Brasil, em 1955 quando o diretor do MASP, Pietro Bardi, comunicou-lhe que a escola de propaganda não poderia continuar funcionando nas dependências do museu, foi graças à dedicação e ao esforço de, entre outros, Caio Domingues que a escola continuou a existir.

No ano de 1957, Caio Domingues foi designado contato e responsável pelas principais contas do escritório carioca da JWT. No final de 1960 deixou a propaganda e foi conhecer a realidade dos clientes para isso trabalhou como gerente da Ducal.

Seis meses depois retornou à JWT onde acumulou as funções de sub-gerente do escritório carioca, chefe de grupo e supervisor de redação e criação.

Com destacada atuante nas entidades representativas dos publicitários Caio Domingues assumiu a presidência da ABAP – Associação Brasileira de Propaganda, em 1961. Durante a sua gestão criou o Instituto Verificador de Circulação (IVC), que fora aprovado pelo I Congresso Brasileiro de Propaganda (1957) sem que até então tivesse sido implementado. O IVC funcionou inicialmente como um departamento da associação que depois foi transformado em entidade sem fins lucrativos e em 1965 se tornaria independente.

Caio Publicou o primeiro livro brasileiro sobre o assunto: “Elementos de Propaganda”, em 1958.

Caio Domingues também teve atuação relevante no substitutivo da Lei 4.680 que seria aprovada em 1965.

Em 1963, Caio Domingues deixou a presidência da ABP e voltou a gerenciar o escritório carioca da JWT. Durante os treze anos em que esteve na JWT chegou aos cargos de diretor-gerente e membro do Conselho de Administração.

Em 1965 Caio Domingues trocou a multinacional americana pela Almap-Alcântara Machado Publicidade, para ocupar a gerência do escritório carioca da agência e ser o responsável pela conta da Gillete, que acabara de ser conquistada pela agência. Na Almap Rio, conquistou as contas da Avianca, Bacardi, Coppertone, Petrobras, Sudamtex e Xerox.

Ainda na Almap, foi um dos responsáveis pela criação do Clube dos Diretores de Arte.

Em 1972, em decorrência de uma insatisfação com os rumos dados pela direção da Almap, Caio Domingues e outros dezessete profissionais da filial carioca deixaram a agência e fundaram a Caio Domingues & Associados, que figurou entre as mais importantes Agências de Publicidade do Brasil.

Na qualidade de vice-presidente da ABAP, Caio foi um dos integrantes da Comissão Interassociativa da Publicidade Brasileira, instituída em 1976, com o objetivo de formular o documento de autodisciplina que viria a denominar-se Código Brasileiro de Auto-Regulamentação Publicitária, após aprovação no III Congresso Brasileiro de Propaganda (1978). Caio Domingues foi o relator do código depois da indicação de Mauro Salles, o primeiro relator. Dois anos depois foi instituída a Comissão Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária como instância de aplicação do código e teve Caio Domingues como integrante. Essa comissão foi embrião do Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária (CONAR), que seria fundado em 1980.

Em 1983 Caio Domingues assumiu novamente a presidência da ABP onde permaneceu até 1985. Entre agosto de 1992 e 1993, Caio assumiu a presidência da Abap, após a renuncia de Petrônio Correa por motivos pessoais.

Foi vice-presidente de Assuntos Jurídicos da Associação Brasileira de Agências de Propaganda (Abap) de 1976 até o seu falecimento em 1994.

Foi membro do Conselho Superior da ESPM, do Conselho de Ética do CONAR, 2° vice-presidente da IBRACO.

Em 1993 a ABP agraciou-o com o Prêmio Comunicação categoria homenagem especial.

Caio Domingues faleceu em 13 de janeiro de 1994, aos 70 anos, em consequência de um infarto, no Rio de Janeiro.

 

(Fonte: Veja, 12 de janeiro de 1994 – ANO 27 – Nº 3 – Edição 1323 – DATAS – Pág: 90)

(Fonte: http://www.janelapedia.com.br)

(Fontes: About (12/01/1993); Revista Propaganda 2004; Revista Propaganda, fevereiro de 1994; Revista Propaganda Julho de 1961; Revista Propaganda outubro de 1965; Veja 19/01/1994; Folha de São Paulo 15/01/1994; CASTELO BRANCO, Renato; MARTENSEN, Rodolfo Lima; REIS, Fernando (planej. e coord.). História da propaganda no Brasil. São Paulo: T. A. Queiroz, 1990 (Coleção Coroa Vermelha. Estudos Brasileiros, 21); Reis, Fernando – Cobrões da Propaganda 91/92. São Paulo: Referência, 1991; VARÓN CADENA, Nelson. Brasil, 100 anos de propaganda. São Paulo: Referência, 2001; Informações prestadas por Eduardo A. A. Domingues em 26/07/06)

 

 

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