Bill Evans (1929-1980), pianista de jazz. Suas linhas melódias sincopadas, influenciou uma geração

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Bill Evans (1929-1980), pianista de jazz. Existem duas categorias de instrumentistas – os que produzem os sons agradáveis e os que criam os sons importantes. Em Bill Evans havia a inquietação febril daqueles que trazem dentro de si o dom de revolucionar. Em 24 anos de carreira, ele escapou dos rótulos com superioridade, buscou a modernidade sem desprezar as tradições e, com extremo bom gosto, despertou os ouvidos dos próprios músicos para mais livres, mais ricas, mais harmoniosas. Evans nasceu no dia 16 de agosto de 1929, em Plainfield, em Nova Jérsey. Seu uso da harmonia impressionista, suas interpretações inventivas do repertório tradicional de jazz e suas linhas melódias sincopadas, influenciaram toda uma geração de pianistas. Em 1956 lançou seu álbum de estréia, New Jazz Conceptions, para a Riverside Records, já incluindo aquela que se tornaria a sua mais conhecida composição, “Waltz for Debbie”.

Sua entrada oficial no jazz americano (em 1956) foi polêmica. Seus críticos o acusavam de superficial, criando até a expressão “pianista de coquetel” para classificar o estilo que misturava as influências clássicas à improvisação jazzística. Ao contrário os músicos o olhavam com respeito, pois sentiram, imediatamente, que ele mexia com certas estruturas estabelecidas. Miles Davis, por exemplo – com quem chegou a tocar no célebre sexteto de 1958 – confessa ter aprendido muito com ele. “Evans tocava como era preciso tocar”, costumava dizer. Em 1958, Evans era o único músico branco no afamado sexteto de Miles Davis. Apesar da pouca duração ( foram só 8 meses) foi uma das colaborações mais frutíferas da história do jazz.

Em quase 40 LPs gravados, Bill Evans mostrou temas geralmente melódicos, usou com inteligência os pedais de seu piano – o que dava um efeito sutil de contrastes -, marcou o fraseado da mão esquerda e, enfim, criou uma nova fórmula para o trio (piano, baixo e bateria) jazzístico.

Não teve, apesar disso, uma carreira sem grandes esforços. “Não há milagre”, dizia, “a gente não fica célebre do dia para a noite. Comigo também foi assim. Com 20 anos já trabalhava muito, fazia turnês, mas sete anos depois eu ainda tinha que aceitar fazer coisas comerciais, como tocar em casamentos para sobreviver. O americano Bill Evans, porém tinha uma personalidade bastante reservada para um músico revolucionário. Vestia-se quase sempre em tons cinza, era introvertido e só mudou a sua imagem na década de 70, quando apareceu de barba e óculos mais modernos. Bill Evans morreu subitamente no dia 16 de julho de 1980, aos 51 anos, vítima de uma úlcera perfurada, em Nova York, nos Estados Unidos. Ao morrer não podia ter deixado herança maior aos seus dois filhos que o piano que já entrou para a história da música.

(Fonte: Veja, 16 de julho, 1980 – Edição n.º 620 – Datas – Pág; 118 – Música – Pág; 92)

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