Lima Barreto, escritor carioca de talento indiscutível, autor de O Triste Fim de Policarpo Quaresma

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Afonso Henriques de Lima Barreto (Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1881 – Rio de Janeiro, 1° de novembro de 1922), escritor carioca, autor de O Subterrâneo do Morro do Castelo, misto de reportagem e folhetim publicado em 1905 no jornal O Correio da Manhã, já revelava o talento indiscutível do autor de O Triste Fim de Policarpo Quaresma (1915).

Lima Barreto não obteve o reconhecimento literário em seu tempo – e mesmo hoje sua consagração é ambígua: nos manuais escolares, com frequência ele é apresentado como uma espécie de antecessor do modernismo.

Na verdade, Lima Barreto é mais moderno do que modernistas tímidos como Mário de Andrade, como provam os estranhos contos de Histórias e Sonhos. São relatos frequentemente bizarros, que incursionam pelo sobrenatural (e até pela ficção científica, em Congresso Pamplanetário), sempre com veia irônica.

Lima Barreto de família pobre, abandona o curso de engenharia para se tornar funcionário público. Alcoólatra, é internado duas vezes no manicômio.

Critica ferozmente a burguesia em sua obra, fazendo uma caricatura da vida no Rio de Janeiro e recriando a vida pobre dos subúrbios. Triste fim de Policarpo Quaresma narra de forma irônica a vida de um homem que se torna motivo de chacota por seu patriotismo ingênuo.

O Subterrâneo do Morro do Castelo que é o primeiro esforço acabado de um dos maiores escritores brasileiros para chegar a uma prosa ficcional de fôlego longo constitui um acontecimento literário.

Do ponto de vista da carreira de Lima Barreto, O Subterrâneo do Morro do Castelo pode ser entendido como uma originalíssima, inteligente e bem sucedida estratégia do candidato a escritor que ele era em 1905 para se projetar nos circuitos literários e no gosto do público.

Mulato, pobre, o pai enlouquecido, Lima Barreto não conseguiria concluir o curso de engenharia na Escola Politécnica, um recinto de exacerbado preconceito racial. Empregado como amanuense na Secretaria da Guerra e mergulhado em frustrações, entregou-se à boemia e aí travou contato com os intelectuais e jornalistas que acabariam por arranjar-lhe o emprego no Correio.

Escalado para fazer uma série de reportagens sobre escavações no Morro do Castelo à época da construção da Avenida Central – mais tarde Rio Branco -, inventou que ali, onde se acreditava existirem tesouros deixados pelos jesuítas, havia sido encontrado um manuscrito.

Passou a publicar, então, junto com as reportagens, trechos do suposto caderno – no que acabou se transformando em folhetim de grande sucesso.

Se Lima Barreto não foi daqueles autores que nascem prontos, não há dúvida de que amadureceu rapidamente, chegando à excelência já no segundo livro, O Triste Fim de Policarpo Quaresma. Conhecer o princípio dessa carreira interrompida em 1922, depois de uma existência de apenas 41 anos, é fundamental para compreender melhor a própria literatura brasileira.

 

 

(Fonte: Veja, 3 de dezembro de 1997 – ANO 30 – N° 48 – Edição 1524 – LIVROS/ Por Rinaldo Gama – Pág: 138)

(Fonte: Veja, 14 de maio de 2008 – ANO 41 – Nº 19 – Edição 2060 – Veja Recomenda – Pág: 152/153)

 

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