Charlotte Perriand, estilista
Charlotte Perriand (nasceu em 24 de outubro de 1903, em Paris, França – faleceu em 27 de outubro de 1999, em Paris, França), foi uma arquiteta e designer francês. Pioneira por trás do mobiliário moderno, desenhou móveis dos espaços de Le Corbusier.
Ao longo de uma carreira produtiva que abrangeu oito décadas, a designer francesa que criou móveis com Le Corbusier nas décadas de 1920 e 30 e foi redescoberta como uma lenda modernista por mérito próprio nas décadas de 1980 e 90, projetando “equipamentos para morar” tubulares com Le Corbusier e Pierre Jeanneret (1896 – 1967), móveis de bambu no Japão, saguões para a Air France em Londres e Tóquio, moradias para trabalhadores no Saara e interiores de estações de esqui nos Alpes franceses.
Suas ideias sobre espaço flexível, formas livres, materiais naturais e móveis projetados para “fazer o espaço vibrar” fizeram dela uma modernista com uma agenda humanista. Os pés de sua mesa de jantar eram inclinados, por exemplo, para que as pessoas sentadas nas extremidades pudessem esticar as pernas.
Preferindo ser conhecida como arquiteta de interiores em vez de designer de móveis, a Sra. Perriand aderiu à noção modernista de que mobiliário e arquitetura precisavam ser desenvolvidos como uma única entidade.
Suas colaborações eram frequentemente muito produtivas. A estante de livros em cores primárias com armários, pintada por Sonia Delaunay para o dormitório de estudantes tunisianos na Cité Universitaire de Paris, e a mesa de iluminação (mesa com luminárias fluorescentes embutidas) que ela projetou com Jean Prouvé em 1953 são muito valorizadas por colecionadores e, às vezes, reproduzidas sem autorização.
“Durante quase três quartos de século, Perriand foi uma das principais inovadoras do design francês, e sua carreira abrange grande parte da história do design francês do século XX”, disse Mary McLeod, historiadora da arquitetura da Universidade Columbia.
“Durante quase três quartos de século, Perriand foi uma das principais inovadoras do design francês, e sua carreira abrange grande parte da história do design francês do século XX”, disse Mary McLeod, historiadora da arquitetura da Universidade Columbia.
Nasceu em Paris em 1903 e morreu ali em 1999. Estudou na Ecole de l’Union Centrale des Arts Décoratifs. Vinha ao Brasil nos anos 60 porque o marido era diretor da Air France para a América Latina
Trabalhou com Le Corbusier criando o design de interiores de suas obras. Usava materiais de origem industrial, como tubos cromados
Quando Charlotte Perriand posou de saia e um colar de pérolas de ferro no anúncio de sua chaise longue, estampou a marca da mulher na história do design. Era mais que uma modelo para ilustrar o conceito que virou ícone de modernidade.
É fato que Perriand estava por trás de uma grife masculina chamada Le Corbusier, mas o mestre do modernismo deu carta branca para que inventasse o mobiliário dos espaços que projetou, da casa La Roche, em Paris, à Unité d’Habitation, em Marselha.
Livros contam que quando Perriand foi bater à porta de Le Corbusier no ateliê da rua de Sèvres, na Paris do fim dos anos 20, o arquiteto dispensou seus serviços, dizendo não querer uma costureira.
Mas foi obrigado a voltar atrás quando viu uma exposição dela meses depois. Perriand não fez mais do que recriar no Salão de Outono o que tinha inventado com ferro na sala de sua casa, num sótão da praça Saint-Sulpice.
No ateliê de Le Corbusier, Perriand então começou a dar corpo ao vocabulário de formas que configurou o mobiliário moderno. Essa costura, que trocou tecido por aço, alumínio e vidro, está agora numa retrospectiva na Escola da Cidade, em São Paulo.
TOQUE FEMININO
“É estranho que ainda não dissociamos Charlotte de Le Corbusier, mas ela tinha sua própria personalidade”, diz Pernette Perriand, filha da designer que morreu há 11 anos. “Ela se debruçava sobre os espaços para criar relações com a luz e ambientes necessários à vida, tudo com aquele toque de mulher.”
Foi Perriand que convenceu a Thonet, fabricante dos móveis que Le Corbusier comprava para seus projetos, a produzir suas invenções. Tudo seguia a receita básica do arquiteto: fazer objetos que servissem de extensão das partes do corpo humano.
“Cada traço precisava de uma justificativa”, escreveu a designer. “Tudo responde a um gesto ou postura, mas não podia custar caro.”
Dentro dessas amarras, Perriand fez três cadeiras que viraram referências de sua produção. Traduzia o discurso programático de Le Corbusier à realidade de linhas e curvas metálicas que virou sua assinatura no design.
Móvel para “conversar”, segundo a classificação do patrão, a B301 era uma estrutura de aço com um tecido solto, suspenso pelas hastes. Quadrada, a LC2 Grand Confort seria para “relaxar”, enquanto a célebre chaise longue, a B306, era para dormir.
Mesmo um tanto secas e funcionais, as peças acabaram virando itens de luxo.
Foram também a base de projetos mais ousados de Perriand, como o ambiente com chão e teto de vidro, que criou no Salão de Outono de 1929, em Paris, e toda a produção de casas de alumínio pré-fabricadas que desenhou mais tarde com Jean Prouvé para as colônias francesas.
Quando suas curvas viraram expressão máxima da era das máquinas, Perriand passou a desenhar desde prédios do governo japonês até um apartamento no Rio.
Charlotte morreu em sua casa em Paris no dia 27 de outubro. Ela tinha 96 anos.
(Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada – Folha de S.Paulo/ ILUSTRADA/ por SILAS MARTÍ DE SÃO PAULO – 23 de novembro de 2010)
(Créditos autorais reservados: https://www.nytimes.com/1999/11/07/nyregion – New York Times/ NOVA IORQUE/ Arquivos do The New York Times/ p7 de novembro de 1999)
© 1999 The New York Times Company

