Robert Musil, autor de O Homem Sem Qualidades um monumento literário publicado entre os anos 30 e 40

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Robert Musil (Klagenfurt, 6 de novembro de 1880 – Genebra, 15 de abril de 1942), escritor austríaco, autor de O Homem Sem Qualidades, um monumento literário, publicado entre os anos 30 e 40, onde mistura romance e ensaio num clássico da literatura.

Ciente do porte de seu romance, Musil jamais cortejou os leitores, é possível compreendê-la. O Homem Sem Qualidades pertence àquele reduzido grupo das obras-primas da ficção, capazes de formar seu próprio público. A trajetória do protagonista, um certo Ulrich, homem tão sem atributos ou características marcantes que não merece sequer um sobrenome.

Para Musil, “se existe um senso de realidade, deve existir também um senso de possibilidade”. Caminhando nessa direção, o romance consegue, como poucos, espelhar as angústias do homem da primeira metade do século 20.

CIRANDA – O Homem Sem Qualidades é ambientado em Viena, no império austro-húngaro. Em agosto de 1913, começam os preparativos para a comemoração, cinco anos depois, do jubileu do imperador. Ulrich, é originário de uma família abastada e desistiu da carreira militar para se dedicar à matemática e à filosofia, recebe convite para participar de uma comissão que organizará os festejos.

Nas reuniões que se sucedem, e que serão em vão já que a I Guerra Mundial frustrará qualquer festejo, só Ulrich percebe a inutilidade de tudo aquilo. Não porque seja intelectualmente superior aos outros integrantes da comissão. A clarividência de Ulrich se deve à sua amarga experiência de vida.

A fragilidade de qualquer ideal, do sonho de um país pelo qual se possa ter orgulho até a aspiração de um amor eterno, transparece como uma infeliz combinação entre o inato e o circunstancial da natureza humana.

O Homem Sem Qualidades consumiu mais de vinte anos da vida de seu autor – e ficou inacabado. Musil começou a escrevê-lo no início da década de 20. A essa altura, já publicara com sucesso o romance As Perturbações do Aluno Törless, que reunia duas novelas. Em ambos já se encontravam os elementos que foram levados às últimas consequências em O Homem Sem Qualidades, como o conflito entre razão e emoção.

Em 1924, quando morava na Alemanha, Musil publicou Três Mulheres. O primeiro volume de O Homem Sem Qualidades, dividido em duas partes, contendo, no total, 123 capítulos, veio a público em 1930. O êxito foi imediato. Pressionado por seus editores e em dificuldades financeiras, o escritor apressou a redação de 38 capítulos do segundo volume, que trata da relação entre Ulrich e Ágata.

O livro foi publicado em arço de 1933, quando o nazismo chagava ao poder. Musil voltou para a Áustria e, com a ajuda de um grupo de homens de negócios e profissionais liberais, pôde dar sequência ao seu trabalho. Não iria muito longe. As provas chegaram às suas mãos quando a Áustria era anexada pelos nazistas. A certa altura de sua vida, Robert Musil parecia não saber como finalizar O Homem Sem Qualidades – ou pelo menos acreditava que o livro deveria permanecer em movimento enquanto ele mesmo estivesse vivo.

Quando morreu, em abril de 1942, aos 61 anos de idade, em Genebra, Musil reescrevia algumas partes do romance e ensaiava sua continuação.

(Fonte: Veja, 6 de dezembro de 1989 – ANO 22 – N° 48 – Edição 1108 – LIVROS/ Por RINALDO GAMA – Pág; 136/137/139)

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