Nguyen Chi Thien, autor, ativista e poeta vietnamita que passou quase duas décadas aprisionado.

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Encarcerado pela primeira vez aos 22 anos, o vietnamita Nguyen Chi Thien passou quase três décadas preso. Impedido de escrever, ele compôs e guardou na memória mais de 700 poemas.

Nguyen Chi Thien(Ha Noi, Vietnañ, 27 fevereiro de 1939 – Califórnia, 2 de outubro de 2012), autor, ativista e poeta vietnamita que passou quase duas décadas aprisionado.

Condenado pelos governantes de seu país por escrever poemas que denunciavam a miséria do povo, Nguyen Chi Thien ficou quase duas décadas aprisionado. Dito assim, parece lenda oriental, mas a história é verdadeira — e ocorreu há pouco tempo. Nascido em 1939, esse autor vietnamita foi encarcerado pela primeira vez pela ditadura comunista aos 22 anos. Suas obras foram banidas. Ele foi jogado em campos de concentração onde, estima-se, mais de 1 milhão de pessoas morreram.

Durante todo o tempo, jamais pôde ler ou tocar em papel e lápis. Quando seus carcereiros finalmente julgaram que ele havia sido castigado, Nguyen tinha 39 anos e era um homem envelhecido. Não se alimentava normalmente e dormia menos de três horas por noite. Mal se viu livre, entretanto, voltou a escrever.

Nos anos de prisão, havia composto e guardado na memória mais de 700 poemas, que chamou de Flores do Inferno. Com raiva e espanto, os dirigentes comunistas descobriram o fato e ordenaram que o encarcerassem de novo por mais dez anos. Mas já era tarde: contrabandeados por funcionários da embaixada britânica, seus manuscritos estavam no exterior, onde foram traduzidos por diversas nações ocidentais, que pediram sua libertação definitiva.

Nguyen Chi Thien vive hoje na França e é um dos 32 escritores, jornalistas, cineastas ou defensores das liberdades civis, proscritos ou ameaçados de morte em seu país de origem, que recebem a ajuda do Parlamento Internacional dos Escritores, PIE. Criado em 1993 em Estrasburgo, na França, o parlamento é uma organização não governamental que congrega 300 personalidades de todo o mundo. Em quatro anos de atuação, uma das principais conquistas da entidade foi organizar uma rede de 25 “cidades-refúgios”, localizadas sobretudo na Europa, onde podem instalar-se os artistas em perigo.

Sob o regime nazista, nos países comunistas da Cortina de Ferro, em ditaduras da América Latina, escritores foram caçados e silenciados durante todo o século XX.

(Fonte: Veja, 12 de agosto de 1998 – ANO 31 – N° 31 – Edição 1558 – LIVROS/ Por Carlos Graieb – Pág; 136/137)

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