Álvaro Mateus, ex-militante do PCP, foi o único jornalista português que visitou as regiões libertadas da Guiné-Bissau durante a guerra colonial.
O historiador Álvaro Mateus, ex-militante do PCP, foi o único jornalista português que visitou as regiões libertadas da Guiné-Bissau durante a guerra colonial. Co-autor, com a sua mulher, a também historiadora Dalila Mateus, do livro “Purga em Angola”, sobre os acontecimentos de 27 de Maio de 1977 e que geraram uma imensa polêmica em Portugal e Angola.
Álvaro Ribeiro Mateus nasceu a 2 de novembro de 1940 na Morrumbala, na Zambézia (Moçambique), filho de um casal de pequenos comerciantes. Depois de ter feito o ensino secundário no Liceu Salazar, em Lourenço Marques, veio para Lisboa.
Licenciou-se na Faculdade de Direito de Lisboa em 1963, tendo sido colega, designadamente, de Diogo Freitas do Amaral e Jorge Miranda. Membro da direcção da Associação de Estudantes da sua faculdade durante a crise acadêmica de 1962, colaborou com o então secretário-geral da RIA, Jorge Sampaio. Dirigente da Casa de Estudantes do Império, privou com inúmeros futuros dirigentes dos movimentos de libertação de Angola, Moçambique, Guiné e Cabo Verde.
Exilado na Romênia
Quadro clandestino do PCP, foi perseguido pela PIDE, tendo chegado a ser detido na fronteira acompanhado pelo historiador Flausino Torres (pai do arqueólogo Cláudio Torres), tendo logrado escapar através da janela da casa de banho. Uma vez concluído o curso de Direito, fugiu do país, tendo-se fixado em Bucareste, na Romênia, onde foi, durante muitos anos, locutor da Rádio Portugal livre, a emissora do Partido Comunista Português.
Ao serviço desta rádio, percorreu no princípio dos anos setenta as regiões libertadas da Guiné, tendo privado com os principais dirigentes do PAIGC, com destaque para Amílcar Cabral, Aristides Pereira e Vasco Cabral.
Só regressou a Portugal em Setembro de 1974, tendo sido o director da Escola de Quadros do PCP, então instalada no Paço do Lumiar, em Lisboa. Em 1975 foi membro da comissão instaladora da Assembleia Constituinte e da Comissão Nacional de Eleições. Em Outubro de 1976 casou-se com Dalila Mateus, de quem teve dois filhos (Susana e Pedro).
Abandono do PCP em 1987
Nos primeiros anos da década de 1980 participou, em Moçambique, na formação de professores na Escola Central da Frelimo, tendo leccionado igualmente na Faculdade de Antigos Combatentes e Trabalhadores de Vanguarda da Universidade Eduardo Mondlane. Abandonou o PCP em 1987. Desde então dedicou-se à investigação da história colonial portuguesa, fez alguma advocacia e dedicou-se ao ensino.
Com a mulher Dalila Mateus escreveu, entre outras obras, “Angola 61. Guerra colonial: causas e consequências”, e “Nacionalistas de Moçambique. Da luta armada à independência”.
(Fonte: http://expresso.sapo.pt – SOCIEDADE –
José Pedro Castanheira – 5 de agosto de 2013)
Álvaro Ribeiro Mateus (Morrumbala, na Zambézia (Moçambique), 2 de novembro de 1940 – Lisboa, 5 de agosto de 2013), historiador, ex-militante do PCP, professor, advogado, jornalista, professor.
Juntamente com a mulher, Dalila Mateus, Álvaro Mateus escreveu o livro A Purga em Angola, sobre os acontecimentos de 27 de Maio de 1977, em que Agostinho Neto reagiu a uma tentativa de golpe de Estado com a perseguição dos dissidentes do MPLA, liderados por Nito Alves, Sita Valles e José Van Dunen.
Nascido em Moçambique, Álvaro Mateus licenciou-se em Direito em Lisboa e foi militante do PCP, partido que abandonou em 1987.
Álvaro Ribeiro Mateus morreu em 5 de agosto de 2013, aos 72 anos, era um homem multifacetado, na sua residência em Lisboa.
(Fonte: http://www.publico.pt/politica/noticia – PORTUGAL – PÚBLICO – 05/08/2013)
- Álvaro Mateus, autor do livro Purga em Angola.


