Abdullah Ibrahim, pianista símbolo da resistência ao apartheid
Abdullah Ibrahim, foi renomado pianista e compositor, uma das figuras mais emblemáticas do jazz mundial e um ícone da resistência contra o apartheid na África do Sul.
Nascido em 1934, na Cidade do Cabo, Abdullah Ibrahim inicialmente era conhecido pelo nome artístico Dollar Brand. Influenciado por hinos cristãos, músicas africanas, jazz e música clássica, começou a estudar piano aos sete anos e fez sua estreia profissional aos 15 anos de idade.
Na década de 1950, destacou-se na cena jazzística sul-africana e fundou o grupo Jazz Epistles, responsável pelo primeiro álbum de jazz gravado por músicos locais. Com o endurecimento do apartheid, deixou a África do Sul em 1962, acompanhado da cantora Sathima Bea Benjamin, com quem se casou três anos depois.
Durante uma temporada em Zurique, na Suíça, foi descoberto por Duke Ellington, que impulsionou sua carreira internacional. Em 1974, gravou “Mannenberg – Is Where It’s Happening”, uma composição que se tornou um hino não oficial da resistência negra ao apartheid.
Ao longo de mais de seis décadas de carreira, lançou dezenas de álbuns, compôs trilhas sonoras para o cinema, dividiu o palco com grandes nomes do jazz e se apresentou na posse de Nelson Mandela em 1994. Seu legado o consolidou como uma das figuras mais influentes da música sul-africana e da história do jazz.
Abdullah Ibrahim faleceu na segunda-feira (15/6), aos 91 anos. Conforme informado pela família, o músico morreu na Alemanha após um breve período de doença. Mesmo com 91 anos, ele ainda estava ativo e tinha três apresentações agendadas para 2026.
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