ROBERT ARDREY; ESCRITOR SOBRE COMPORTAMENTO.
TRABALHO DE ANTROPOLOGIA PROVOCOU DEBATE ENTRE ESPECIALISTAS.
CRÍTICAS A TEORIAS OPOSITIVAS.
ACERTOS DE ACESSO À AVALIAÇÃO.
TAMBÉM ESCRITOR PARA CINEMA E TEATRO.
Robert Ardrey (nasceu em 16 de outubro de 1908, em Chicago, Illinois — faleceu em 14 de janeiro de 1980, em Kalk Bay, África do Sul), foi escritor sobre comportamento mais conhecido por seus livros polêmicos sobre antropologia e a evolução do comportamento humano, mas também aclamado pela crítica por suas peças teatrais e roteiros de cinema.
Natural de Chicago, ele se mudou para a África do Sul em 1978, depois de viver em Roma por 15 anos.
O Sr. Ardrey alcançou sua maior notoriedade com seus livros sobre etologia humana e de animais selvagens, um quarteto de estudos escritos nas últimas duas décadas. Além do amplamente lido “O Imperativo Territorial”, eles foram “A Gênese Africana”, “O Contrato Social” e “A Hipótese da Caça”. Todos abordaram, de maneiras diferentes, a gênese das características comportamentais do homem, defendendo a controversa tese do Sr. Ardrey de que o homem se assemelhava a um “macaco evoluído”, cujos impulsos agressivos e territoriais levavam a conflitos e guerras.
Seus tratados suscitaram a oposição de muitos cientistas, que o consideravam um antropólogo amador que se metera em assuntos que não dominava. Argumentavam que os instintos agressivos do homem provavelmente eram causados por circunstâncias ambientais, como a superlotação ou a pobreza, e não eram intrínsecos.
Críticas às Teorias Opostas
O antropólogo britânico Ashley Montagu (1905 — 1999) compilou e editou duas coleções de críticas científicas que se opunham às teorias do Sr. Ardrey e a outras semelhantes defendidas por Konrad Lorenz, cujo livro, “Sobre a Agressão”, foi publicado em 1966, o mesmo ano que “O Imperativo Territorial”.
Mas outros cientistas, como Phillip V. Tobias (1925 — 2012), um antropólogo sul-africano, prestaram homenagem ao Sr. Ardrey. “Ele deu uma contribuição incalculável para a ciência da evolução humana”, disse o Dr. Tobias, acrescentando que “milhares de pessoas ao redor do mundo, especialmente nos Estados Unidos, tomaram conhecimento do fascínio e da importância dos estudos sobre o lugar do homem na natureza” por meio de seus escritos.
O Sr. Ardrey, que se formou na Universidade de Chicago, começou sua carreira como dramaturgo. Sua primeira peça, “Star Spangled”, sobre a americanização de uma família polonesa-americana em Chicago, foi publicada em 1936. Seguiram-se várias outras ao longo dos anos, incluindo “Casey Jones” e “Thunder Rock”, ambas produzidas pelo Group Theatre em Nova York, e “Shadow of Heroes”, um relato mordaz dos incidentes que levaram à revolta húngara, esmagada pela União Soviética em 1956.
Sucessos críticos
Entre seus roteiros estão “They Knew What They Wanted”, “The Lady Takes a Chance”, “The Green Years”, “The Three Musketeers”, “Madame Bovary” e “Khartoum”.
Tanto as peças teatrais quanto os roteiros de cinema do Sr. Ardrey foram bem recebidos pela crítica, mas suas peças tiveram vida curta e temporadas relativamente breves na Broadway.
À primeira vista, parece que o Sr. Ardrey viveu duas vidas bem-sucedidas, porém bastante distintas: uma como dramaturgo e outra como antropólogo amador, autor de livros aclamados sobre o tema. Mas as aparências enganam. Uma análise mais atenta de suas peças e de seus livros sobre comportamento revela que ele escrevia sobre condições sociais em ambos os gêneros. Um envolvia seres humanos, o outro abordava tanto seres humanos quanto outros animais. Mas o tema dramático era o mesmo: as dificuldades que humanos e animais enfrentam em sua convivência e as razões por trás de suas ações.
(Direitos autorais reservados: https://www.nytimes.com/1980/01/16/archives — New York Times/ Arquivos/ Arquivos do The New York Times/ Por Bayard Webster — 16 de janeiro de 1980)
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