Foi o primeiro técnico-estrela do Brasil

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Yustrich: o primeiro técnico-estrela do Brasil ‘fabricou’ Dadá Maravilha e apadrinhou Ademir da Guia

Biografia ‘Homão’, do jornalista Jose Luis Costa, conta a história de um dos mais polêmicos personagens do futebol brasileiro do século 20

Briguento, Yustrich também leva boxe como aquecimento para treinos. (Foto: Alfredo Rizzutti/Estadão / Estadão)

 

 

 

O futebol brasileiro conta com grandes exemplos de técnicos figurões, que sempre rendem boas frases. Renato Gaúcho e Abel Ferreira são alguns exemplos em atividade. No fim dos anos 1940, porém, quando o futebol começava a se tornar profissional no Brasil, o pioneiro na posição “técnico-estrela” foi Yustrich.

Dorival Knipel, que ganhou o apelido pela semelhança física com goleiro do Boca Juniors, teve vida de altos e baixos, polêmicas, boemia e futebol. Tudo isso é contado na obra “Homão”, do jornalista José Luís Costa, lançada em 2025.

 

Homão

O título vem de outro apelido de Yustrich, conquistado junto do título Mineiro de 1948, com o América. A taça fez o clube sair da fila de 23 anos em Minas Gerais. Depois ainda foi treinador em Corinthians, Atlético-MG, Cruzeiro, Bangu, Coritiba, Flamengo, Vasco, e Porto.

O Divino, como é conhecido o maior ídolo da história do Palmeiras, porém, falou pouco do pai. O autor explica: “Eu liguei para ele (Ademir), porque ele teve uma passagem curiosa do técnico, em 1961, pelo Bangu. O Ademir tinha 18, 19 anos, era a estrela máxima do Bangu. Ele estava surgindo. O Yustrich pede demissão do Bangu quando descobre que o Ademir foi vendido ao Palmeiras”.

Yustrich ‘criou’ Maravilhas no Flamengo e no Atlético-MG

Apesar do jeitão autoritário, Yustrich também sabia acolher. Foi assim sua relação com dois craques quando ele atuava como treinador. No Flamengo, o “Homão” virou um pai para João Batista de Sales, o Fio Maravilha.

“Fio era o camisa 10 do Flamengo. Tinha dificuldades, porque era um cara criado no interior de Minas, em uma família pobre, a alimentação não era boa, então ele tinha uma complexão física deficiente para atleta. Vivia machucado. E pede para o Yustirch para não treinar tão excessivamente”, diz Costa.

“E o Yustirch acolhe ele. Vira o melhor momento do Fio no Flamengo. O Fio o adorava”.

Já em Belo Horizonte, outra Maravilha. Em 1969, Yustrich chegou ao Atlético, ao passo que a diretoria iria dispensar Dario José dos Santos.

“O Dario tropeçava na bola, e o Yustirch pede para não o dispensar, pede para trazer ele de volta para o grupo. E passa horas e horas, fora do horário normal de treinamento ensinando o Dario a chutar, até a cabecear”, conta Costa.

“Tem uma frase muito interessante contada pelo ex-massagista do Atlético, o Belmiro, que o Yustirch disse assim ao Darío: ‘Dario, a área é teu escritório. É lá que tu vai ganhar dinheiro’. E aí o Darío se transforma em um artilheiro, foi artilheiro no Atlético, artilheiro em outros clubes, chegou a seleção brasileira, campeão no México (em 1970).”

‘Homão’ autoritário, Yustrich controlava chegada dos jogadores ao hotel da concentração

Outra história marcante aconteceu quando Yustrich comandava o Corinthians, entre 1973 e 1974. O técnico recolheu todas as chaves dos quartos dos jogadores no hotel da concentração.

Quem retornasse deveria passar no quarto do treinador para poder ter sua chave devolvida e ir ao seu dormitório. Se passasse do horário determinado, tinha briga.

 

 

Yustrich monopolizava trabalho de comissão técnica, da tática à preparação física. (Foto: Alfredo Rizzutti/Estadão / Estadão)

Yustrich monopolizava trabalho de comissão técnica, da tática à preparação física. (Foto: Alfredo Rizzutti/Estadão / Estadão)

 

 

“Teve gente que nem foi no quarto, ficou no saguão, dormiu no sofá e esperou a camareira aparecer de manhã. Ele tinha essa mania de ficar num controle excessivo dos jogadores. A bebida, por exemplo, era proibida”, falou Costa, lembrando que o veto era inválido para Yustrich.

As intervenções, por vezes, eram positivas. “Quando ele era muito autoritário, e o camarada que aceitava as ordens dele e acolhia, ele tirava o cara para amigo. Para ele proteger o camarada. Aí ele se metia em contrato. Ele dizia para o jogador: ‘Pede mais dinheiro, pede uma casa para tua família’.”, disse Costa.

“Ele se intrometia lá a falar com os dirigentes, para os dirigentes melhorarem a oferta. Ele era um cara que mandava. Entrava no clube, só respeitava o presidente. Diretor, nada disso, respeitava. E, se o presidente fosse um cara meio frouxo, ele também mandava no presidente”.

Uma preocupação do autor foi atualizar valores recebidos em reais “para ter uma ideia de como se ganhava pouco”. Isso mesmo no caso de Yustrich, considerado um treinador de ponta e com altos salários.

Situação ilustrada quando ele vai treinar o Porto, em Portugal. O clube teve de fazer uma campanha, pedindo dinheiro emprestado e aumentando a mensalidade dos sócios para poder pagar o salário do brasileiro.

(Direitos autorais reservados: https://www.terra.com.br/esportes/futebol – Estadão conteúdo/ ESPORTES/ FUTEBOL/ Por: Leonardo Catto – 29 out 2025)

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