Luis Fernando Verissimo, escritor, cronista e humorista, mestre da crônica brasileira, e um dos autores mais lidos do país, entre suas mais de 80 obras publicadas estão “As Mentiras Que os Homens Contam”, “O Analista de Bagé”, “A Grande Mulher Nua” e “Ed Mort e Outras Histórias”, era filho do escritor Erico Verissimo, um dos maiores nomes da literatura nacional, foi um dos primeiros escritores brasileiros a escrever de uma maneira mais informal

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Luis Fernando Verissimo, mestre da crônica brasileira, um dos maiores escritores do Brasil

Obra do romancista se espalhou pela TV, cinema e teatro após ganhar o Brasil nas páginas dos jornais e livros. Ele foi filho de Erico Verissimo e um dos autores mais lidos do país.

 

 

‘Comédias da vida privada’ (1994), ‘Mais comédias para ler na escola’ (2008), ‘Sexo na cabeça’ (1980), ‘Orgias’ (1989), ‘As mentiras que os homens contam’ (2000), ‘Internacional, Autobiografia de uma Paixão’ (2004), ‘A mesa voadora’ (1982) e ‘Todas as histórias do analista de Bagé’ (2002) — Foto: Divulgação

Ícone da literatura e do humor brasileiro, Veríssimo deixa legado com mais de 70 livros e personagens inesquecíveis, além de sua paixão pelo jazz e futebol.

Cronista, escritor e humorista deixa legado e milhões de leitores

Luis Fernando Verissimo em março de 1998 — (Crédito da fotografia: Cortesia © Copyright All Rights Reserved/ Carlos Rodrigues/Estadão Conteúdo ®/ REPRODUÇÃO/ TODOS OS DIREITOS RESERVADOS)

Luis Fernando Verissimo (nasceu em Porto Alegre, em 26 de setembro de 1936 — faleceu em 30 de agosto de 2025, em Porto Alegre), escritor, cronista e humorista, foi ícone da literatura e do humor brasileiro.

Com mais de 70 livros publicados, sua obra inclui personagens inesquecíveis como Ed Mort, o Analista de Bagé e A Velhinha de Taubaté, além das tiras de quadrinhos As Cobras. Também colaborou com colunas em jornais como O Estado de S. Paulo, O Globo e Zero Hora. Era conhecido pelo humor crítico e afiado, que marcou sua trajetória literária e jornalística.

Filho do renomado escritor Érico Verissimo, Luis Fernando nasceu em Porto Alegre. Viveu parte de sua infância e adolescência nos Estados Unidos, onde cursou parte do primário e o ensino secundário, e desenvolveu uma paixão pelo jazz, chegando a tocar saxofone profissionalmente.

Sua trajetória literária começou como revisor no jornal Zero Hora, em 1966, e evoluiu para colunista, cartunista, tradutor, publicitário, dramaturgo, romancista e roteirista. Em 1973, lançou seu primeiro livro, “O Popular: crônicas ou coisa parecida”, dando início a uma carreira marcada pelo humor refinado, ironia e crítica social.

Entre suas mais de 80 obras publicadas estão “As Mentiras Que os Homens Contam”, “O Analista de Bagé”, “A Grande Mulher Nua” e “Ed Mort e Outras Histórias”. Ao longo de décadas, vendeu mais de 5,6 milhões de livros e se consolidou como um dos escritores mais populares e influentes do país.

Além da literatura, Verissimo era um amante da música, dedicando-se ao saxofone e participando de grupos como o Jazz 6. Sua obra também teve forte presença na televisão, com adaptações de suas antologias de contos e crônicas, como “Comédias da Vida Privada”.

Reconhecido como “Homem de Ideias” por intelectuais brasileiros em 1995, recebeu inúmeros prêmios ao longo da vida, incluindo a Medalha de Resistência Chico Mendes, o Prêmio Juca Pato e o Prêmio Multicultural Estadão. Sua influência transcende gerações, unindo crítica social, bom humor e sensibilidade em textos que continuam a dialogar com leitores de todas as idades.

 

Verissimo dizia ter herdado informalidade do pai, Erico

Veríssimo nasceu em Porto Alegre, em 26 de setembro de 1936. Viveu parte da infância nos Estados Unidos porque o pai, o escritor Erico Verissimo, um dos maiores nomes da literatura nacional, autor de obras como “O Tempo e o Vento”, dava aulas de literatura brasileira nas universidades de Berkeley e de Oakland.

“O pai foi um dos primeiros escritores brasileiros a escrever de uma maneira mais informal. E eu acho que herdei um pouco isso. Essa informalidade na maneira de escrever”, disse sobre o pai.

Luis Fernando Verissimo vendeu 5,6 milhões de livros

A carreira começou no jornal Zero Hora, de Porto Alegre, onde começou como revisor em 1966. No Rio de Janeiro, trabalhou como tradutor.

O primeiro livro, “O Popular”, foi publicado em 1973. Ao todo, Verissimo teve mais de 70 livros publicados e 5,6 milhões de cópias vendidas, entre crônicas, romances, contos e quadrinhos.

O escritor também escrevia colunas para os jornais “O Estado de S.Paulo”, “O Globo” e “Zero Hora”.

Discreto nos hábitos e nas declarações, Verissimo ainda vivia na casa onde cresceu depois do retorno ao Brasil. O imóvel no Bairro Petrópolis, em Porto Alegre, foi comprado em 1941 pelo pai.

O escritório onde Erico trabalhava é conservado intacto pela família. Cercado de livros, Luis Fernando tinha o costume de escrever em outro cômodo da casa, onde também guardava o saxofone e dezenas de discos e CDs de jazz.

Metódico, só interrompia o trabalho quando a mulher, Lúcia, o chamava para o almoço. Já à noite, parava para assistir ao Jornal Nacional. Quando queria curtir seu estilo de música preferido, o fazia sem distrações. “Música é sentar e ouvir”, disse em entrevista em 2012.

‘Ed Mort’, ‘analista de Bagé’ e outros personagens

O humor de contos e crônicas marcou sua obra. Entre os personagens mais conhecidos criados por ele estão os de “Ed Mort e outras histórias”, de 1979, “O analista de Bagé”, de 1981 e “A velhinha de Taubaté”, de 1983. Também criou a tirinha “As cobras”, publicada na “Folha da Manhã”, nos anos 70. “Comédias da vida privada”, de 1994, deu origem à série da Rede Globo produzida durante os três anos seguintes.

“Um desafio porque o humor de televisão, ao contrário do que possa parecer, é mais difícil de fazer que o humor impresso, o humor gráfico, vamos dizer assim (…) Não tenho uma vocação humorística, mas consigo eventualmente produzir humor. Mas é uma coisa mais deliberada, mais pensada, do que espontânea, no meu caso”, disse em entrevista na época.

No final da década de 80, foi um dos roteiristas do programa de humor “TV Pirata”. Entre sucessos comerciais também estão “Comédias para se ler na escola” e “As mentiras que os homens contam”, de 2000.

Um escritor e músico tímido

Quando morou nos Estados Unidos, Veríssimo estudou no Roosevelt High School, em Washington. Foi lá que desenvolveu o gosto pelo Jazz e teve aulas de saxofone. Mas, por trás do saxofone e das páginas dos livros, se escondia um cara tímido.

“Minha timidez é… Por exemplo: tenho horror de fazer isso que estou fazendo agora: dar entrevista, falar em público e tal. Eu sempre digo que não dominei a arte de falar e escrever ao mesmo tempo, são duas coisas que se excluem, então é nesse sentido é que se manifesta a minha timidez”, disse à RBS TV.

Mas, a economia nas palavras não se aplicava às máquinas de escrever e, depois, aos computadores. O autor tímido tinha muita coisa para falar. “Essa é uma das vantagens da crônica. A gente pode ser o que quiser escrevendo uma crônica”.

A cada homenagem que recebia, como quando fez 80 anos, mais provas de que não precisava de longas conversas para arrancar uma risada. “Têm sido tão agradáveis as homenagens, inclusive da família, que eu tô pensando em fazer 80 anos mais vezes”, brincou.

Em entrevista ao programa “GloboNews literatura”, em 2012, ele falou sobre o seu conhecido comportamento introspectivo. Conhecido por respostas concisas em entrevistas, Luis Fernando Verissimo negou que fosse uma pessoa calada. “Não sou eu que falo pouco, os outros é que falam muito”.

Paixão pelo futebol e pelo Inter

Além do jazz e da literatura, o futebol era outra das paixões de Luis Fernando Verissimo. Mais especificamente o Inter, time ao qual declarou fidelidade em diversas oportunidades e que foi tema do livro “Internacional, Autobiografia de uma Paixão”. Em entrevista em abril de 2012, lembrou de seu jogo inesquecível, um clássico Gre-Nal, que também foi sua primeira partida em um estádio de futebol.

“Lembro a emoção de estar em campo. Só ouvia futebol pelo rádio. Ali, uma cerca nos separava dos jogadores. Dava para ver as feições, sentir a respiração deles. Eu estava vendo as cores do jogo, uma sensação completamente diferente. Nunca vou me esquecer também do cheiro de grama”, contou, sobre o Estádio dos Eucaliptos, antiga casa do Inter.

Cobriu Copas do Mundo desde 1986, edição em que lamentou a eliminação do Brasil nos pênaltis diante da França nas quartas de final – mais uma partida marcante, revela. Pelo Inter, listou outras tantas. Falava com satisfação da final do Brasileirão de 1975 e do tricampeonato invicto em 1979.

Sobre o título do Mundial de Clubes de 2006, vencido pelo Sport Club Internacional, escreveu a crônica “Não me acordem”, celebrada por colorados. “Vejo como o triunfo do Gabiru (autor do gol), o grande herói que era criticado. Algo meio melodramático. Foi um momento de sonho. Antes do jogo, o sentimento era: ‘Se perder de pouco, está bom’”, recordava.

 

Luis Fernando Verissimo faleceu no sábado (30), aos 88 anos, após complicações de saúde. Em agosto de 2025, ele havia sido internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, sua cidade natal, com pneumonia.

De acordo com boletim médico divulgado pelo hospital e confirmado pela família, Verissimo apresentava quadro grave, agravado por problemas cardíacos e pelo mal de Parkinson, além de ter sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC) em 2021 e passado por implante de marcapasso em 2016.

Luis Fernando Verissimo deixa esposa, Lúcia Helena Massa, e três filhos — Fernanda, Mariana e Pedro — além de netos. Seu legado literário, humorístico e cultural permanece vivo, eternizado nas páginas de seus livros e nas memórias de milhões de leitores.

A despedida ocorreu no Salão Nobre Julio de Castilhos, na Assembleia Legislativa do RS, a partir das 12h.

‘Legado que não vai se esvair’: personalidades lamentam a morte

Autoridades e personalidades lamentaram a morte do escritor Luis Fernando Verissimo.

O presidente Lula manifestou pesar pela perda de quem classificou como “dono de múltiplos talentos” e criador de “personagens inesquecíveis”. O vice-presidente Geraldo Alckmin descreveu Verissimo como um “brasileiro que ostentou distinção na escrita por meio de suas crônicas e livros que traduziam o Brasil com humor, sátiras e uma inteligência impar”.

O governador Eduardo Leite (PSD) publicou em uma rede social que “o Rio Grande do Sul se despede de um gênio da escrita, mas suas histórias seguirão entre nós, pois são imortais”. Leite decretou três dias de luto oficial no estado.

O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), afirmou que “a cultura do Rio Grande do Sul e do Brasil tem um lugar reservado para Verissimo”.

Internacional, time ao qual Verissimo declarou fidelidade em diversas oportunidades, relembrou um trecho da crônica ‘Não me acordem’, sobre o título do Mundial de Clubes de 2006. “Um dos maiores nomes da literatura nacional”, postou.

A escritora Martha Medeiros exaltou o legado do autor. “Obrigada, mestre, por todas as linhas, reflexões, epifanias, risadas, por toda a sua absoluta e inquestionável genialidade”.

Em entrevista à GloboNews, a escritora e jornalista Cíntia Moscovich, amiga de Verissimo, lembrou o legado do romancista. “Ele fazia questão de estar muito próximo de todos nós, que vivemos a literatura”, disse.

Nas redes sociais, o cartunista Angeli prestou homenagem e manifestou solidariedade à família do escritor. “Todo amor para Lúcia, Fernanda, Mariana, Pedro e família. Imensurável é ‘o pai'”, escreveu.

O jornalista Arthur Dapieve, que mediou o bate-papo entre Luis Fernando Verissimo e Zuenir Ventura para o livro “Sobre o tempo”, relatou seu convívio com Verissimo em entrevista à GloboNews e afirmou que o legado do romancista “não vai se esvair”.

(Direitos autorais reservados: https://gente.ig.com.br/celebridades/2025-08-30 – GENTE/ CELEBRIDADES/ Por Laís Seguin – 30/08/2025)

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(Direitos autorais reservados: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2025/08/30 – Globo Notícias/ RIO GRANDE DO SUL/ NOTÍCIA/ Por Pedro Trindade, g1 RS – 30/08/2025)

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