Evanildo Bechara, um dos maiores gramáticos do Brasil e membro da ABL
Intelectual influente em escolas e universidades brasileiras

O professor Evanildo Bechara, imortal da ABL, em seu escritório, no centro do Rio de Janeiro, fotografado em 2005 Foto: Fabio Motta/Estadão
Evanildo Bechara, professor, gramático, filólogo e membro da ABL
Bechara tornou-se referência para sucessivas gerações de estudiosos e docentes da área.
Evanildo Bechara (nasceu no Recife (PE), em 26 de fevereiro de 1928 – faleceu em 22 de maio de 2025, em Botafogo, na Zona Sul no Rio de Janeiro), foi professor, gramático, filólogo e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL).
O intelectual e educador pernambucano era especialista em língua portuguesa, se tornou referência em escolas e universidades brasileiras com sua obra “Moderna Gramática Portuguesa”, que já teve 40 edições desde seu primeiro lançamento em 1961.
Bechara teve papel central na organização do “Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa” em 1972 – hoje, o trabalho já engloba mais de 340 mil vocábulos do português.
Ele ocupava a Cadeira nº 33 da Academia Brasileira de Letras (ABL), eleito em 11 de dezembro de 2000, na sucessão de Afrânio Coutinho. Além disso, foi professor titular e emérito de instituições como a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e universidades internacionais, como a de Coimbra, em Portugal, e a de Colônia, na Alemanha.
Ao longo de sua carreira, o gramático, considerado a maior referência no assunto no Brasil, lançou obras que podem auxiliar quem está se preparando para o vestibular. Na 40º edição de “Moderna Gramática Portuguesa”, lançada em 2024 pela Editora Nova Fronteira, Bechara destrincha as principais regras gramaticais da língua portuguesa.
Além dos vestibulandos, a obra também pode ser consultada por estudiosos de todas as idades e àqueles que precisam se preparar para as provas de concurso público. Vale destacar que a obra está em consonância com as regras do novo Acordo Ortográfico. Firmado em 1990, o tratado teve Bechara como representante do Brasil.
A trajetória de Bechara
Evanildo Cavalcante Bechara nasceu no Recife (PE), em 26 de fevereiro de 1928. Na adolescência, órfão de pai, transferiu-se para o Rio de Janeiro, a fim de completar sua educação na casa de um tio-avô.
Aos 15 anos conheceu o Prof. Manuel Said Ali, um dos mais importantes estudiosos da língua portuguesa. Essa experiência permitiu a Evanildo trilhar caminhos no campo dos estudos linguísticos.
Aos 17 anos, ele escreveu seu primeiro ensaio, intitulado Fenômenos de Intonação, publicado em 1948.
Ao longo da carreira de destaque, Bechara tornou-se membro correspondente da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia Galega da Língua Portuguesa, e doutor honoris causa pela Universidade de Coimbra.
Também era membro titular da Academia Brasileira de Filologia, da Sociedade Brasileira de Romanistas, do Círculo Linguístico do Rio de Janeiro.
Bechara foi distinguido com as medalhas José de Anchieta e de Honra ao Mérito Educacional (da Secretaria de Educação e Cultura do Rio de Janeiro), e medalha Oskar Nobiling (da Sociedade Brasileira de Língua e Literatura).
Nascido em 1928 no Recife, Evanildo Cavalcante Bechara mudou-se ainda jovem para o Rio de Janeiro, onde deu início a uma trajetória brilhante como educador, filólogo e gramático.
Apaixonado pelo magistério desde cedo, formou-se em Letras pela atual Uerj e aos 17 anos já escrevia ensaios sobre linguística. Foi orientado por nomes como Manuel Said Ali e Dámaso Alonso, e aprofundou seus estudos em Filologia Românica na Espanha.
Bechara construiu uma carreira acadêmica sólida em instituições como Uerj, UFF e PUC-RJ, além de atuar como professor visitante em universidades na Alemanha e Portugal.
Publicou obras fundamentais para o estudo da língua portuguesa, entre elas a “Moderna Gramática Portuguesa”, amplamente adotada no meio educacional. Orientou gerações de mestres e doutores, e participou ativamente de bancas, conselhos e revistas científicas.
Ocupou cargos de destaque na administração acadêmica e em órgãos educacionais, como o Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro. Foi membro de diversas instituições nacionais e internacionais, como a Academia Brasileira de Filologia, a Société de Linguistique Romane e o PEN Club do Brasil.
Na Academia Brasileira de Letras, assumiu a cadeira que foi de Afrânio Coutinho e contribuiu para o fortalecimento dos estudos linguísticos, atuando também como diretor tesoureiro e secretário-geral.
Criou a Coleção Antônio de Morais Silva e integrou comissões voltadas à lexicografia e à promoção da língua portuguesa.
Bechara recebeu homenagens por sua contribuição à educação e à cultura, como o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Coimbra, diversas medalhas e obras comemorativas, como “Entrelaços entre textos” e “80 anos Homenagem: Evanildo Bechara”.
Foi ainda eleito uma das dez personalidades educacionais do Brasil nos anos de 2004 e 2005.
Com dezenas de livros e centenas de artigos publicados, Evanildo Bechara consolidou-se como um dos maiores estudiosos da língua portuguesa do país, deixando um legado duradouro no ensino, na pesquisa e na preservação da nossa herança linguística.
Bechara foi um dos maiores defensores da reforma ortográfica da língua portuguesa e do Acordo Ortográfico que entrou em vigor em 2009.
Trajetória detalhada
Bechara nasceu no Recife (PE), em 26 de fevereiro de 1928. Aos onze para doze anos, órfão de pai, transferiu-se para o Rio de Janeiro, a fim de completar sua educação em casa de um tio-avô.
Desde cedo mostrou vocação para o magistério, que o levou a fazer o curso de Letras, modalidade Neolatinas, na Faculdade do Instituto La-Fayette, hoje UERJ, Bacharel em 1948 e Licenciado em 1949.
Mestre da Língua Portuguesa, Bechara formou gerações de professores. Teve uma carreira acadêmica de destaque, sendo professor titular e emérito de instituições como a Uerj, a UFF, e universidades internacionais como a de Coimbra, em Portugal, e de Colônia, na Alemanha. Entre centenas de artigos, comunicações a congressos nacionais e internacionais, escreveu livros que já se tornaram clássicos, pelas suas sucessivas edições.
Formado em Letras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em 1948, iniciou sua carreira como professor de Língua Portuguesa no Colégio Pedro II em 1954. Em 1960, foi eleito para a Academia Brasileira de Filologia, e em 1962 assumiu a cadeira de Filologia Românica na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UERJ.
Entre 1961 e 1962, aprofundou seus estudos na Universidade de Madri, na Espanha, sob orientação do filólogo Dámaso Alonso. Em 1968, concluiu seu doutorado pela UERJ, instituição onde foi professor titular e emérito, além de também lecionar na Universidade Federal Fluminense (UFF) entre 1975 e 1992135.
Evanildo Bechara morreu na quinta-feira (22), aos 97 anos, no Rio de Janeiro.
Bechara estava internado no Hospital Placi, em Botafogo, na Zona Sul. A causa da morte foi falência múltipla dos órgãos, informou a ABL.
O presidente da instituição, Merval Pereira, lamentou a morte do Acadêmico, a quem descreveu como “pessoa íntegra e cordial” em comunicado oficial.
“Evanildo Bechara era o maior especialista em língua portuguesa, com fama que ultrapassa nossas fronteiras. Foi o representante brasileiro na reforma ortográfica feita com Portugal”, destacou.
A morte acontece no mesmo dia em que o crítico literário e professor Paulo Henriques Britto foi eleito como membro da Academia, para ocupar a cadeira que ficou vaga após a morte da escritora Heloisa Teixeira.
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