Udler: geometrismo e a composição
Berco Udler (Odessa, Rússia, atual Ucrânia, 1923 – São Paulo, 3 de agosto de 1971), pintor, desenhista, gravador e publicitário (nascido em Odessa, Rússia, mas desde os oito anos no Brasil). O antigo chargista do jornal “Diário da Noite”, de 1939, que, depois de tentar viver apenas de suas gravuras, desenhos e quadros durante vinte anos, fundou em 1954, em São Paulo, a Lince Propaganda. “Um geometrismo quebrado uma composição cheia de texturas.” Assim o próprio Berco Udler definia em 1968 a tendência da sua arte, revelada no livro “Meninos, Namorados, Morte”, o terceiro de uma série de álbuns de reproduções iniciada em 1949 e continuada em 1951. Espírito aventureiro (até os trinta anos só pensava em viajar, esteve no Pólo Sul e viveu seis meses na casa do poeta Pablo Neruda, no Chile), Udler estudou com Di Cavalcanti e, em 1940, ao conhecer Scliar, começou a pintar “o chamado moderno”.
Desde então, (sempre preocupado com a composição (“sem composição não existe o quadro”) e usando o pincel como “uma extensão de minha mão”, como costumava dizer, Udler passou a explorar o seu tema preferido – o ser humano – com um sentido social “não engajado”. “O que me interessa em todas as coisas, dizia Berco Udler, definindo-se, é a resultante do ponto de vista humano. Udler faleceu no dia 3 de agosto de 1971, aos 47 anos, em São Paulo.
(Fonte: Veja, 11 de agosto de 1971 Edição n° 153 DATAS Pág; 86)
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